Os Governos de Portugal e França continuam a apostar no investimento das comemorações da Batalha de La Lys, onde a 9 de abril de 1918, mais de mil e oitocentos soldados e oficiais portugueses perderam a vida na primeira Guerra Mundial. É no cemitério militar português de Richebourg, norte da França, que estão evocados os nomes e patentes de todos eles, num espaço mantido pela Associação União Franco-Portuguesa de Richebourg.
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Autoridades civis e militares reúnem-se anualmente para “Comemorar a memória do combatente português e a memória daqueles que deram a vida, não só por uma causa, mas pelos valores que temos o privilégio de ter na nossa vida quotidiana, os valores da liberdade e os valores Humanísticos”, como destacou ao nosso jornal o Chefe do Estado Maior das Forças Armadas, general João Cartaxo Alves.
O militar não exita em afirmar que “Os militares existem para que a Paz exista. Eles são quem vem restabelecer as condições da Paz quando não há diálogo possível entre as partes”. Em relação à grande quantidade de jovens e crianças envolvidas nas várias cerimónias, “Foi uma surpresa ver esta jovem e muitas crianças associadas a estas comemorações, reflete que o que os soldados portugueses fizeram há mais de um século está bem vivo.”

Portugal também se fez representar pelo Ministro da Defesa, Nuno Melo, que ao Jornal Comunidades Lusófonas se revelou emocionado “É um momento muito emocional para mim e que guardarei seguramente enquanto ministro. É uma maravilha quando testemunho a forma sentida com que a comunidade portuguesa comparece nestas e noutras iniciativas que lhe dizem muito.” O governante referiu também estar neste cemitério para “Comemorar a essência da Pátria Portuguesa onde milhares de jovens na primeira Guerra Mundial morreram em França pela Liberdade e pela Paz. Não podemos deixar que sejam esquecidos duas vezes, uma pelo esquecimento, outra por não comemorarmos o seu sacrifício. Assim, honramos esses militares que tombaram.”

Para o governo português, o investimento nas Forças Armadas é uma realidade, “Estamos a fazer, talvez, o maior investimento conjugado em democracia em todos os domínios, terra, mar, ar, espaço e ciberespaço, para que as nossas forças estejam preparadas no cumprimento de todas as missões. Mesmos nas de natureza civil, como aconteceu após as intempéries, em que todos os dias entre 1000 e 3000 homens e mulheres estiveram no terreno na ajuda às populações.”
Quem assistiu às cerimónias pela primeira vez foi o Embaixador Francisco Ribeiro de Menezes “Já sabia desta magnitude por ter ouvido falar. Não tinha tido esta experiência direta, é um dia muito emotivo para todos e encontramos sempre alguém que tem uma história para contar. Mesmo o Ministro da Defesa tem alguém na família que lutou nesta guerra, numa proximidade que atravessa a História. É uma homenagem aos portugueses que aqui se bateram e que aqui caíram ou foram feitos prisioneiros, e é uma homenagem que a França faz ao seu aliado português.”

As comemorações da Batalha de La Lys prosseguiram na vila da La Couture, junto ao monumento aos mortos da Grande Guerra, onde a comitiva procedeu a nova deposição de flores e ouviu um coro infantil entoar a Grândola Vila Morena em português. Seguiu-se o almoço confecionado pela Associação.
A tarde seguiu com uma visita ao impressionante Anel da Memória, onde se encontram inscritos 58.400 nomes de militares mortos em combate, e uma missa em português pelo Bispo das Forças Armadas, na igreja de Notre-Dame-de-Lorette, Norte de França.
Eduardo Lino, maio 2026 (correspondente em Paris)




