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Terça-feira - 13 Janeiro 2026

A +Concreta mostra como futuro da construção passa pela madeira e… pelo cânhamo

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Tendências da arquitetura e do design de interiores levam empresários e profissionais à Alfândega do Porto durante dois dias, para um evento repleto de sustentabilidade e inovação, só com marcas e fabricantes portugueses. Carregada de conferências, exposição recebe lançamento de uma fita métrica especial desenhada pelo arquiteto Eduardo Souto Moura, a convite da empresa Mental Cinza para a +Concreta.

Num momento em que, de acordo com o alerta de inúmeros especialistas, faltarão no nosso País cerca de 150 a 200 mil lares para fazer face às necessidades do mercado e, assim, equilibrar o preço médio das habitações, empresários e profissionais da fileira casa rumam ao norte estas quinta e sexta-feiras (dias 6 e 7) para, no edifício da Alfândega do Porto, por ocasião da 2.ª edição da +CONCRETA – Tendências para Arquitetura e Interiores, fazer girar algumas das chaves com respostas para os desafios imediatos e o futuro de vários segmentos de atividade.

Sistemas construtivos mais rápidos, com reflexos da redução de custo, é uma das portas que se abrem e, como se perceberá no evento organizado pela EXPONOR – Feira Internacional do Porto, há já empresas portuguesas a investir fortemente no reforço das respetivas capacidades de fabrico e equipas técnicas para fazer face a um previsível aumento de encomendas.

Um dos exemplos, presente na +Concreta, é a Carmo Wood, reconhecida pela experiência na construção em madeira, que lançou recentemente três linhas de habitações modulares chave-na-mão e ambientalmente sustentáveis, com prazo de execução de cinco meses e um controlo orçamental assinalável, para ajudar a contrariar a crise na habitação. O segmento da madeira, aliás, terá outros representantes no certame, como sejam a Gercima – com uma gama premium de perfis de caixilharia de alta performance, para projetos de renovação e obra nova -, e a Madeicentro, líder nacional na importação e serração de madeira exótica e conhecida pelas suas linhas de pavimentos em madeira.

Outro dos caminhos, e que responde a um dos motes de fundo do certame – “Menos carbono, mais inovação, mais futuro” -, encontra nos blocos de cânhamo uma solução construtiva completa (para paredes) que começa a conquistar mercado. Além de se tratar de uma proposta sustentável (porque estes ECOblocos possuem uma pegada de carbono negativa), o produto consegue incorporar outros fatores distintivos muito valorizados: um bom índice de isolamento térmico, de resistência ao fogo e de regulação natural da humidade. É a proposta da Cânhamor, empresa que já utilizou a solução em mais de 170 casas e produziu mais de 360 mil blocos de cânhamo (cerca de 370 toneladas de dióxido de carbono sequestrado).

Além de estar presente na componente expositiva da mostra, a Cânhamor, que possui a maior fábrica de blocos de cânhamo do mundo (em Ourique), desenvolverá (no dia 6, às 12h00) uma apresentação que integra o programa de conferências da +Concreta, repleto de iniciativas.

Espaço de afirmação da produção nacional, onde apenas uma seleção de marcas e fabricantes portugueses – com um foco especial na arquitetura e soluções para interiores – têm lugar, a +Concreta 2025 é uma montra de materiais construtivos inovadores, de tecnologias que promovem a eficiência energética e o baixo impacto ambiental, do design circular e dos caminhos da descarbonização de um setor responsável por 39% das emissões globais de CO₂.

E as novidades, muitas vezes pequenos grandes pormenores, costumam surgir na feira inclusive em segmentos inusitados.

Será o caso do lançamento de uma fita métrica especial desenhada por Eduardo Souto Moura, evocativa da +Concreta, a convite da Mental Cinza, empresa que desenvolve e produz obras autorais. “Mais do que um instrumento de medida”, explica a Mental Cinza, a fita métrica em causa “é um instrumento de arquitetura e design” que “reflete o trabalho” do reputado arquiteto, o qual dá grande ênfase ao pormenor construtivo, que é “fundamental para a coerência e qualidade do todo”.

Setor abraça descarbonização e sustentabilidade

O gabinete hori-zonte, por sua vez, especializado em arquitetura sustentável, vê na +Concreta o momento ideal para apresentar (no dia 6, às 15h00), o “Lighthouse for Sustainability” – Guia de Sustentabilidade para a Construção”. Que, mais do que um documento técnico, é uma ferramenta de referência para profissionais, promotores e entidades do setor, que oferece diretrizes práticas e acessíveis para a adoção de estratégias sustentáveis ao longo de todas as fases do ciclo de vida de um edifício – desde o conceito até à operação, rumo a uma responsabilidade coletiva e um futuro regenerativo.

E a AIMMP – Associação das Indústrias de Madeira e Mobiliário de Portugal, por seu turno, lançará no evento o “Decarbwood: um roteiro para empresas sustentáveis” (dia 6, às 12h20). Um projeto que resulta da articulação entre entidades científicas, tecnológicas e empresariais e pretende fornecer às empresas do setor um referencial prático e adaptado à realidade nacional, que as apoie no desenho e implementação dos seus programas de descarbonização.

A +Concreta “afirma-se, nesta edição, como um espaço de pensamento crítico e curadoria rigorosa, assumida pelo arquiteto Diogo Aguiar, reunindo práticas de arquitetura e discursos que valorizam a arquitetura como expressão cultural, ética e social”, sublinha o diretor-geral da EXPONOR, Diogo Barbosa.

A presença de gabinetes como o francês GENS (que explora a economia do projeto com foco nas pessoas), o italiano Studio Wok (cuja abordagem vê o habitat como expressão da qualidade de vida) e o português Atelier da Costa (com uma prática profundamente enraizada no território e na cultura locais), exemplifica esta aposta na diversidade e profundidade dos conteúdos do evento. As três conferências decorrerão no dia inaugural, às 17h00, no Salão Nobre (Piso 0) da Alfândega do Porto.

A programação surgirá enriquecida pelo ciclo de conferências promovido pela Ordem dos Arquitetos – Secção Regional Norte, sob o lema de “Sustentabilidades”, com curadoria e moderação do arquiteto Paulo Vila Verde. Propõe três momentos de reflexão: “Vernáculo, Reabilitado e Natural”, com os arquitetos João Cruz e Fernando Cerqueira Barros, e a arquiteta paisagista Luísa Almendra Roque; “Do Edifício à Comunidade”, em que tomam palavra os arquitetos António Cerejeira Fontes, Henrique Marques e Rui Dinis; e “Porção da Cidade e Território”, com os arquitetos Nuno Rebelo e Vanessa Coelho e Pedro Ribeiro da Silva. Acontecerá no segundo dia do evento, das 11h30 às 17h00, no Auditório Think+.

Jornal Comunidades Lusófonas
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