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Sábado - 2 Março 2024

A difusão da língua portuguesa no Estado de Nova Iorque, Nova Jersia e Connecticut

Destaques

José Adão é o Coordenador de Português em Nova Iorque e Connecticut, e encontra-se naquele país desde janeiro de 2016, tem tido outras experiências no estrangeiro. Começou as suas funções primeiramente em Timor Leste, (em duas ocasiões diferentes), onde iniciou funções pelo Instituto Camões em 2004 e ficou por lá até 2006, passando para a África do Sul onde permaneceu dois anos.

“Regressei a Timor em 2012 onde fiz formação de professores, e voltei a ensinar,” como na primeira vez, no Parlamento Nacional, português aos deputados e aos funcionários. No final de 2015, surgiu a oportunidade de ir para os Estados Unidos para a unidade de coordenação em Newark, concorreu à manifestação de interesses e eu ficou como adjunto em comissões de serviço, das quais vai na terceira.

Em termos de ensino universitário, “na minha área de trabalho temos quatro protocolos em vigor”, dois na rede CUNY (City University of New York), um no Queens College e outro no City College, temos também um na Rutgers Newark e recentemente uma cátedra de investigação na Rutgers New Brunswick, também em Nova Jérsia.

Ao nível do ensino básico e secundário, “apoiamos o ensino nas escolas públicas e especialmente nas escolas comunitárias”. Em Newark, praticamente todas as escolas do ensino público têm ensino português, e muitas programas bilingue, dado que há um enorme grupo de emigrantes falantes de português, sejam portugueses, brasileiros, e dos PALOP.

Os liceus públicos

Oferecem português e são o East Side High School, que tem um número elevado de alunos, bem como o Science Park High School também na cidade de Newark. Ao lado, na cidade de Elizabeth existe igualmente um programa de português, na rede de escolas dessa cidade. Em outras escolas de Newark, do ensino básico, “destacaria” a Ann Street Schol, a Wilson Avenue e muitas outras que recebem alunos falantes de português e que lhes proporcionam ensino bilingue. No Estado de Nova Iorque, o Mineola High School oferece aos seus alunos aulas de português.

“Referi, antes, as escolas comunitárias. São um pilar importantíssimo do ensino de português nesta zona”. Tratam-se de escolas ligadas que dependem de associações portuguesas, como o Sport Club Português, que completou 102 anos, o PISC em Elizabeth, que completou 101 anos e muitas outras associações que têm a componente do ensino da língua e da cultura como pilar da sua existência. A Escola Luís de Camões, que faz parte do Sport Club Português, tem instalações próprias no Ironbound, que tem à volta de 70 alunos, e que procura, nesta fase pós covid aumentar o número de alunos. O mesmo se passa com as restantes Escolas, que estão agora a recuperar destes anos difíceis. Em Nova Jérsia, há dez escolas ativas, Escola Portuguesa de Lodi, Escola Portuguesa de Kearny, Centro Romeu Cascaes em Harrison, Luís de Camões em Newark, Amadeu Correia em Elizabeth, Escola Nova Esperança em Perth Amboy, Escola Portuguesa de Union, Escola Portuguesa de Clark, Escola Infante D. Henrique em South River e Escola Lusitânia em Long Branch. Quase todas elas funcionam em formato presencial, com algumas exceções de híbrido ou somente virtual, como é o caso da escola de Union, que capta não só alunos daqui do Estado de Nova Jérsia, mas também de outros Estados, “creio que de seis Estados diferentes”.

Escolas em Nova Iorque

Em Nova Iorque, encontram-se efetivamente a funcionar no presente ano letivo sete escolas comunitárias, Antero de Figueiredo em Farmingville, São Teotónio em Brentwood, Júlio Dinis em Mineola, Nuno Álvares Pereira em Jamaica, João de Deus em Yonkers, Fernão de Magalhães em Tarrytown, e Rainha Santa Isabel em Ossining. Estão também ligadas às associações e, tal como Nova Jérsia, têm alunos não só lusodescendentes, mas de outras nacionalidades que querem aprender português. Todas estas escolas funcionam ou durante a semana no final do dia, ou ao sábado de manhã. Elas são as que estão mais próximas da coordenação e que articulam connosco todo o processo de ensino-aprendizagem. Muitas delas têm os protocolos assinados, com o Camões, I.P. e recebem apoio contínuo que se verifica na facilitação de manuais escolares, livros infanto-juvenis, formação de professores e o Plano de Incentivo à Leitura com a vinda de escritores.

No Estado de Connecticut, há a assinalar as Escolas de Hartford, Nossa Senhora de Fátima, Vasco da Gama em Bridgeport, José Saramago em Waterbury e Manuel Cipriano em Danbury.

É importante referir também que todas estas escolas participam na certificação de aprendizagens, onde os conhecimentos adquiridos pelos alunos são avaliados anualmente. Também, muitos alunos realizam o exame NEWL que lhe dá créditos para o ensino universitário americano.

Ensino Português no Estrangeiro

E agora com o lançamento do programa de digitalização do EPE (Ensino Português no Estrangeiro) em toda a rede de ensino português, os alunos receberão um tablet de empréstimo enquanto frequentarem as aulas de português. Nesta área, recebemos quase 600 tablets, para professores e alunos da rede. “Estamos a proceder à distribuição, desde o dia 3 de junho, quando fizemos uma primeira entrega no Consulado Geral em Newark, e agora estou a entregar às escolas de Nova Jérsia, para antes do início do ano letivo, os alunos terem o seu tablet”. As escolas de Nova Iorque vão também receber os tablets bem como as de Connecticut, no início do ano letivo, dado que se encontram já de férias.

A importância dos Tablets

Os tablets constituem uma ferramenta muito valiosa porque permitem trabalhar com diferentes aplicações de aprendizagem, e são acompanhadas com um teclado em português e uma caneta digital. Cada tablet está atribuído a um aluno específico, disponibilizando, através do seu código e tem os níveis e os materiais para o seu nível de aprendizagem.

Ainda sobre a aprendizagem de português e todo o investimento que é feito no ensino, “tenho a noção de que é muito valioso para os jovens, pois tenho recebido o retorno das experiências das escolas, que por falarem, e por terem capacidade dominar mais o português, ao candidatarem-se a um trabalho, por falarem mais uma língua, o português são escolhidos em relação a outros candidatos”, disse o Coordenador José Adão.

Para além destas funções do ensino, “também desempenho outras funções na área cultural, como ponto de rede, em estreita coordenação com os países e centros culturais europeus, junto do EUNIC, (European Union National Institutes for Culture), no cluster de Nova Iorque, onde organizamos atividades e projetos culturais conjuntos, marcando a presença cultural europeia, na cidade de Nova Iorque”.

Por fim, “gostaria de referir o protocolo com a Escola Internacional das Nações Unidas (UNIS), que iniciámos em 2018, em conjunto com o Brasil. Eu próprio e uma colega brasileira ensinamos os alunos de famílias falantes de português que estudam nessa Escola”. Ensinam a variante de português europeu, bem como a variante brasileira aos alunos, intercalando durante o ano as aulas trocando os grupos dos alunos para que eles tenham contactos com as várias variantes que existem, e tem funcionado muito bem, “permitindo-nos oferecer aulas de português como língua estrangeira para mais alunos da escola que queiram aprender o português”.

“Que mais poderei dizer sobre o trabalho que aqui realizo? Bem, acima de tudo é um trabalho intenso, mas muito recompensador pelo carinho que recebemos e pelo trabalho de proximidade com diferentes atores no terreno, especialmente a comunidade portuguesa e luso-americana”. Termina desta forma José Adão.

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