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Sexta-feira - 17 Abril 2026

A emigração portuguesa na cidade do vento

Destaques

A cidade de Chicago muito conhecida como cidade do vento, tem uma comunidade portuguesa muito residual. Segundo sensos de 2000, no condado de Coook (onde fica Chicago), conta-se com 2 417 pessoas. A emigração para aquela cidade tem decrescido exponencialmente, nos últimos dez, vinte anos, vivem cerca de 871 portugueses dentro dos limites da cidade de Chicago. Ou seja, apenas alguns milhares, ou menos representam um “pequena comunidade naquela metrópole”. Não é Nova Iorque, mas os seus edifícios imponentes prolongam-se ao longo dos canais do lago Michigan, é também famoso pelo o seu curso invertido por engenheiros no início do século XX para evitar a poluição do Lago.

No dia de St. Patrick, é tradição única tingir de verde o Rio Chicago, iniciada em 1962. A celebração, que homenageia o padroeiro da Irlanda (século V), mistura cultura irlandesa com um grande desfile no centro, atraindo multidões para celebrar o dia 17 de março.

No que à emigração portuguesa diz respeito, Chicago com os seus ventos não levaram muitos portugueses para aquelas paragens. Atualmente vivem mais de 160 mil pessoas nascidas em Portugal, mas a grande maioria concentra-se na costa leste (New England, Nova Iorque, Flórida) e na Califórnia.

Segundo informação obtida pela FLAD (Fundação Luso Americana para o Desenvolvimento), afirma-se com frequência que existe hoje uma comunidade portuguesa nos Estados Unidos com um novo perfil, mais qualificada.

A importância da língua está muito presente nas novas gerações, é um fator relevante, pois é resultado de um investimento da promoção da língua de língua de Camões nas novas gerações.

Mas tal não estava, até agora, devidamente documentado com dados que não se cingissem apenas aos primeiros anos do século XXI. Com este estudo, abrem-se portas para o conhecimento cada vez mais profundo desta população, maioritariamente constituída por lusodescendentes, falantes ou não da língua portuguesa, e ainda que em menor medida, por imigrantes portugueses, com ou sem cidadania americana.

Também com documentação encontramos uma maior dispersão geográfica, a mais elevada qualificação dos lusodescendentes falantes de português, nos setores de atividades em que se ocupam: acesso à saúde, as condições em que vivem, entre outros indicadores.

Quantos são os seus membros e em que condições vivem e em que estados e cidades os encontramos

A fase mais antiga de emigração portuguesa para os EUA (Ribeiro, 2000), desenvolve-se entre 1800 e 1870 e está, ligada, na sua maioria à captura e transformação da baleia.

Não apresenta um carácter maciço e envolve, em primeiro lugar, população dos Açores, região que se manterá, desde então, como um dos principais espaços de conexão migratória entre os EUA e Portugal.

A imigração para áreas urbanas também se verifica. Algumas dinâmicas de recomposição económica (da indústria da baleia ou do têxtil em certas áreas da Nova Inglaterra) e o processo de urbanização nos EUA levam os portugueses a deslocar-se para novos espaços, começando a desenvolver-se comunidades nos estados do Connecticut, Nova Jérsia e Nova Iorque (Costa Leste) ou em San José, na Califórnia.

As duas fases mais recentes, que podemos considerar contemporâneas lato sensu, correspondem: ao período entre meados dos anos de 1950 e meados dos anos de 1980; ao período entre 1985 e a atualidade.

A primeira destas é caracterizada por um recrudescimento da emigração portuguesa para os EUA, bastante alimentada pelo fluxo açoriano, mas envolvendo muitas pessoas de diversas regiões do continente como a Bairrada ou Trás-os-Montes, e pode ser dividida em duas subfases:

A primeira vai até 1965 e é marcada pela criação de melhores condições de vida, relativas a uma abertura à emigração portuguesa que, na sequência da erupção do Vulcão dos Capelinhos, no Faial, em 1957, vai beneficiar de um alargamento claro das quotas justificada por razões humanitárias.

Apoiada inicialmente pelo Azorean Refugee Act de 1958 (Public Law 85-892), a que se seguiram diplomas legais complementares em 1960 e 1961 que permitiram a imigração de famílias do Faial, esta situação rapidamente alargou-se a todo o arquipélago dos Açores, acabando mesmo por beneficiar algumas famílias continentais (Lobão 2009).

Neste primeiro período, o fluxo cresce bastante em termos relativos, mas ainda é composto por um número global relativamente modesto, que abrangerá no máximo 5000 pessoas (por via das disposições humanitárias decorrentes da erupção), a que se juntarão mais algumas centenas através das quotas gerais.

Apenas no segundo período que a entrada de portugueses nos EUA vai aumentar significativamente, beneficiando de um alargamento geral das quotas de imigração atribuídas a europeus e asiáticos em 1965.

Entre 1960 e 1985 entram nos EUA cerca de 180 000 portugueses, continuando os Açores a constituir o principal espaço de origem, mas envolvendo um número crescente de pessoas de outras regiões do continente.

Ao contrário da terceira fase de carácter histórico e dos quinze anos subsequentes à Segunda Guerra Mundial, a política de inserção dos EUA começou a alterar-se neste período, sendo o princípio assimilacionista substituído por ideias de pluralismo que, na descrição de Almeida (2009), abriram as portas ao ensino bilingue e ao respeito pela diversidade cultural, possibilitando a recuperação e a valorização de elementos da identidade portuguesa apoiados no florescimento dos media étnicos e na vitalidade das associações lusas.


A emigração lusa nos Estados Unidos tem-se pautado por algumas pequenas ondas migratórias, nomeadamente nas duas últimas décadas.
Chicago, continua com os seus arranha-céus e foi uma das primeiras cidades nos Estados Unidos a crescer verticalmente, seguiu-se Nova Iorque e por aí fora. Os movimentos migratórios nos Estados Unidos continuam a ser caracterizado por pessoas que vêm da América Latina. São os movimentos migratórios a escrever o rumo da história da América e do mundo.

Lígia Mourão
FonteArquivo
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