Na escura noite da ditadura – A coragem começou uma aventura. Um grupo de Oficiais, Capitães, jovens não olharam à idade, mas confiantes, decidiram enfrentar a Ditadura de Salazar e Marcelo Caetano. Conscientes que estavam a escrever uma nova página no livro da História Lusitana na noite de 24 para 25 de Abril de 1974, partiu de Santarém uma Coluna Militar, que no fim se transformou em Coluna dos Cravos Encarnados – “La fleur au fusil”. Finalizaram um capítulo e começou uma nova era.
A Revolução dos Cravos não foi um ato espontâneo, mas sim uma Operação Militar bem preparada. O fracasso da revolta em Beja (31 de dezembro de 1961), assim como o drama do Levantamento das Caldas da Rainha (16 de Março de 1974) estavam a chamar “Cuidado!” para não deixarem o inimigo descobrir, o que andavam a planear. Tudo começou em Alcaçovas: Um encontro marcado como Confraternização, mas que na realidade era uma Conspiração contra o Estado Novo. Acontece, que o Alentejo guardou Segredo. O receio de revelar o Segredo antes da hora certa era de elevada importância, porque decidia sobre vida e morte. Um pensar, que se encontra nas Palavras da esposa do eterno Capitão Fernando José Salgueiro Maia. A Professora Natércia Maia conta seguinte cena:
“Lá no prédio vivia mais um capitão que também saiu, que ocupou o Banco de Portugal, e havia outro, mas que por acaso nessa altura estava em Angola. E então, havia sempre um PIDE lá na rua e, portanto eu não subi o estore, espreitei pelos buraquinhos para ver a avenida”.
Hoje na retrospetiva reflete: Somente mais tarde realizou, como o Medo era tão profundo, que a Coluna Militar fazia muito mais barulho do que levantar os estores.
A vida sob a opressão de uma ditadura também se revela, quando a Coluna decide parar ao Sinal Encarnado. Conta o Capitão Salgueiro Maia:
“… o jipe trava de repente e dou comigo parado num sinal vermelho do cruzamento da Cidade Universitária. …. Achei que era demais parar a Revolução ao sinal vermelho …”
Não cometer nenhum erro. Porém existia uma crente confiança, como o seguinte discurso realça.
Palavras do Capitão Salgueiro Maia pouco antes de partirem de Santarém:
“Meus Senhores, como todos sabem, há diversas modalidades de Estado. Os estados socialistas, os estados capitalistas e o estado a que isto chegou . Ora, nesta noite solene, vamos acabar com o estado a que chegámos! De maneira que, quem quiser vir comigo, vamos para Lisboa e acabamos com isto. Quem for voluntário, sai e forma. Quem não quiser sair, fica aqui!”
Ninguém ficou. Seguiram todos para Lisboa. Acontece, que ainda antes das Senhas serem lançadas, na Figueira da Foz a Revolução começou mais cedo. O Capitão Dinis de Almeida deu a Ordem de detenção. O Capitão e o Furriel Jorge Dias desarmaram e prenderam o Comandante do RAP 3. De madrugada partiram na direção do Forte de Peniche, a fim de libertarem os presos políticos, e a seguir continuaram no caminho para Lisboa, onde se encontrava a Coluna de Santarém sob o Comando do Capitão Salgueiro Maia. Momentos cruciais, que não somente ficaram na Memória, mas sim também guardadas por intermédio de Fotografias. Visual testemunho que faz, quem não viveu o 25 de Abril, recuar no tempo e conhecer a História. Por vezes uma imagem fala mais do que todas as Palavras unidas. As imagens mostram, como foi a conquista da Liberdade, sem recorrerem à Guerra Civil. Personalidades corajosas e ao mesmo tempo cuidadosas, ao escolherem o diálogo e não as armas, nos momentos mais perigosos, que surgiram. Toda a História do 25 de Abril apresenta muito para contar. Da presente perspetiva é de elevado valor, que as novas gerações jamais esqueçam, o que devemos aos antepassados. Salvaram o País da Ditadura e da Guerra, assim como impediram em terras continentais uma sangrenta luta de portugueses contra portugueses. As balas, munições – foram substituídas por Cravos Encarnados. O pequeno Cravo Encarnado, que veio de Tavira, escreveu em Lisboa História – uma das mais inéditas da Humanidade.
É no presente contexto da Luta contra o Esquecimento que se verifica a peça de teatro “La fleur au fusil” de Lionel Cecílio – um Ator/Realizador Lusodescendente em França.
Do Passado ao Presente o 25 de Abril não terminou no descrito dia de 1974, mas sim continua na Memória Lusitana – para sempre, a fim das suas Histórias continuarem a influenciar o Mundo para um melhor amanhã.
Isalita Pereira
Historiadora-Poeta




