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Sábado - 2 Março 2024

A história dos Moinhos de Cabroelo

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Os lugares visitados pelo Jornal Comunidades Lusófonas são de arregalar a vista, e a sua recuperação faz lembrar tempos muito antigos, sinónimo de vidas muito pacatas, onde as horas do relógio são tocadas ao som das moagens. É sem dúvida um lugar a visitar, num regresso ao passado único de registo.

Fernando Melo, 65 anos, reformado, nasceu numa freguesia vizinha de Cabroelo. A história de Cabroelo, “faz-se num lugar da freguesia que é Capela, é um lugar que pertence ao concelho de Penafiel”. É uma aldeia rural preservada, que foi objeto de recuperação há uns anos, mais ou menos17/18 anos, onde houve a intervenção e recuperação das fachadas e pavimentações, no âmbito do Projeto AGRIS, (que pretende garantir a promoção e o desenvolvimento das zonas rurais, nomeadamente através da preservação e valorização de pequenos aglomerados populacionais rurais, e da melhoria das condições de vida e do bem-estar da população), ficou com o título de aldeia rural preservada, que é uma aldeia de granito, e também está inscrita e faz parte do circuito das aldeias de Portugal.

As origens de Cabroelo “não sei dizer, e sobre a freguesia de Capela não há grande documentação, onde possamos ir, é um trabalho que há-de ser feito e recolher aquilo que há, mas ainda está atrasado”, afirmou o senhor Fernando.

A população da aldeia ficou incumbida de fazer a “decoração” do local. E pode ser vista ao longo do percurso das águas e dos moinhos.

Foram recuperados seis e um engenho de azeite. O senhor Fernando tinha um projeto em mente. “Propus à Câmara Municipal de Penafiel, e acedeu, promovendo a recuperação de mais seis moinhos e um engenho de azeite, que ainda está na fase de acabamento. Está incluído num circuito pedestre e está localizado em PR3 PNF, que passa no meio da aldeia, são dois quilómetros e meio e passa pelos moinhos, “o desafio que lancei ao Presidente da Câmara” era fazer todo o percurso do rio Mau, “que é o ribeiro que passa lá”, mesmo na foz junto ao Douro. A ideia é criar um trajeto pedonal, para ir visitá-lo.

O interesse pelos moinhos

Decoração do lugar dos moinhos feita pelas pessoas da aldeia.

“Já promovi há, uns vinte anos”, a recuperação de outros seis moinhos. – A freguesia da Capela é muito rica em moinhos, – em registo há 41, existentes não serão tantos, mas esta linha de água do rio Mau tem 22 moinhos registados. Alguns já foram demolidos a jusante, outros foram abandonados e desapareceram. “Muitas famílias tinham um moinho aqui perto da aldeia e outros tinham-nos longe”. No verão, que não havia água “tinham que ir ao baixo para conseguirem moer”. Na altura o moinho era um instrumento fundamental para a moagem, porque o sustento das famílias era o milho e a broa. A Capela é muito rica nisso.

Há 20 anos promovi a recuperação de Eja que fica numa outra linha de água, ao passar na estrada nacional há lá o Museu da Broa, foi um projeto de seis moinhos, e entretanto surgiu-me o interesse por este património que é pena perder-se.

“Envolvi-me nos moinhos, no engenho do azeite, e também propus o engenho do linho”. A recuperação em si já está feita, mas falta criar a amostra do ciclo do linho, a ideia é criar todo o ciclo do linho, desde a sementeira. A intenção é essa, já fizemos uma sementeira de linho este ano. “Vamos ver se conseguimos fazer o trabalho todo”. Finaliza desta forma Fernando Melo.

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