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Sexta-feira - 1 Março 2024

“A Mulher dos Festivais”

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Liliana Sousa, quando emigrou para os Estados Unidos tinha 12 anos, o pai era pescador, e já vivia em Provincetown, quando ela foi para os Estados Unidos. É uma vila muito turística, que durante o verão, a população aumenta significativamente, dos 3000 residentes para os 50 mil turistas que visitam a Vila. É uma vila muito boémia, “que vale a pena visitar”. Vive há mais de sessenta anos e é conhecida como “a mulher dos festivais”.

“O meu bisavô e avô, já tinham estado cá, eram bacalhoeiros, mas regressaram para Portugal”, inicia desta forma a entrevista Liliana Sousa. Quando o seu pai chegou a Provincetown, a população já estava na terceira geração de portugueses. Mas continuaram com a cultura portuguesa, a comida, a tentaram falar português.

Esteve lá até secundário, e durante o verão, a comunidade tentou fazer uma festa virada para os barcos, que representa o mar, a “bênção dos barcos”.

Até chegar ao “Provincetown Portuguese Festival”, onde se envolveu, muita água correu debaixo da ponte, pois os seus habitantes já eram mais americanos do que portugueses, mas como as suas raízes falavam mais alto intitulavam-se de portugueses, e queriam manter algumas tradições vivas.

A geração mais recente não estava a mostrar-se muito recetiva e neste momento há muitos clubes que tendem a fechar devido a esta nova geração, e que entristecia um pouco Liliana Sousa. E também havia uns certos ciúmes entre os portugueses do Continente e das Ilhas nomeadamente dos Açores de S. Miguel, e do Faial, por causa da pesca da baleia.

Quiseram reavivar as tradições portuguesas em Provincetown, daí surgir a ideia de fazer um festival com um desfile com música portuguesa para atrair mais gente, e quando Liliana lá foi há 24 anos, viu que “aquilo estava quase acabado”. E pediu para fazer parte parte da organização, pois era a única portuguesa lá.

Às tantas as festividades começaram a ser muito conhecidas e trouxe um aumento exponencial de visitantes à vila, para assistirem à festa. “Trazíamos Ranchos Folclóricos de outros lados, bandas de música portuguesa, dentro de outras atividades portuguesas.”

Fizeram um desfile com carros alegóricos com a cultura portuguesa e de Provincetown. “Era a única portuguesa que falava português.”

Como Provincetown é muito turística, vinham pessoas de toda a América. As pessoas que iam de férias na alturas das festividades portuguesas começaram a conhecer um pouco da cultura portuguesa e passaram a tirar férias no período das festividades.

“Perguntei a alguns americanos o que achavam da festa e todos diziam que tiravam as férias de verão naquela altura só para assistir aos eventos ali organizados.”

Durante esse período recebíamos 20 mil, 30 mil turistas, durante o festival. Várias notícias, maioritariamente jornais e revistas americanos, escreviam artigos sobre o festival português.

Provincetown é um lugar muito boémio, figuras muito conhecidas dos Estados Unidos iam passar lá férias. Na altura “eu estava a viver em Boston e começaram a fazer o “Boston Portuguese Festival”, em 2007/8”. A Cônsul de Boston Manuela Barros, pediu-lhe para que a Liliana a ajudasse no “Boston Portuguese Festival”. Entrou e ficou lá como Presidente. Mas era um festival um pouco diferente, “trazíamos concertos clássicos, pintura, e outras atividades para o festival”.

Em 2018 o Presidente da República esteve na festa, juntou muita gente, todos vinham à procura da cultura portuguesa.

Mas nem tudo são rosas, as associações estão a perder muito do seu valor, porque se está a perder o interesse, devido aos portugueses da terceira geração, já são americanos, já não fazem destas festas. As festas de cada clube estão a desaparecer, “e a emigração para cá tem desaparecido”.

Os da terceira geração dizem que são portugueses mas falta-lhes aquele sentir português, a saudade de Portugal e dos Açores.

Liliana chegou a Provincetown em 1961, tem 74 anos. Saiu de Portugal com 12 anos, fez o secundário em Provincetown, mas foi estudar para Boston onde frequentou a Universidade, trabalhava em part-time, porque o seu pai como pescador não tinha meios para a ajudar com os estudos.

Teve a sorte de ter sido convidada por uns amigos para ir trabalhar para o Consulado-Geral de Portugal em Boston. Falava português, e como precisavam alguém mais ou menos com as suas caraterísticas, ficou a trabalhar no Consulado durante cinco anos.

Depois foi convidada para ir para a TAP em Boston, estudou Administração e Gestão na cidade Norte-Americana, mas conciliou sempre o trabalhou e os estudos.

Depois da TAP em Boston ter fechado, foi trabalhar como Gerente Clínica de uma Clínica médica até se reformar.


Como sempre se sentiu muito ligada à cultura portuguesa, tentou dinamizar a parte cultural quer de Boston quer de Provincetown. Os apoios para a dinamização cultural portuguesa provêm do Instituto Camões Boston. E tiveram apoio da FLAD (Fundação Luso Americana para o Desenvolvimento). “Que nos davam um subsídio em Boston e em Provincetown.”

Nos últimos anos têm ajudado, mas nós também temos muitas organizações portuguesas aqui, recentemente publicamos uma revista sobre o Festival, onde podem comprar anúncios de publicidade. E isso é de uma importância capital.

“Em Provincetown éramos uma organização dez pessoas, cada um tinha a sua função, eu fazia parte da Comissão”. E para fazer os festivais nas ruas são necessárias muitas licenças para o desfile em Provincetown, têm de fechar estradas, e pedir licenças, porque também não se pode vender bebidas alcoólicas na rua.

“Em Boston passa-se o mesmo, mas na qualidade de Presidente, tinha o apoio do consulado, o Embaixador Paulo Cunha Alves deu-me muito suporte. Também obtive bastante apoio com a atual Embaixadora Manuela Barros. Foram as duas pessoas que mais me apoiaram e que agradeço.

Também fui condecorada pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, em 2018.”

Tem havido nos últimos anos um crescente aumento de pessoas nas festas, quer de Provincetown, quer em Boston. “Em Provincetown tivemos durante três dias mais de 20 mil a 30 mil pessoas, na última semana de junho.”

Em Boston, em 2019, antes da pandemia, cerca de 10 mil, 20 mil pessoas. Também temos apoiado festas das pequenas Associações. Até me intitulam “a mulher dos festivais”.

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