Foto: Tadeu Vilani (Brasil)
António Lopes, é o Presidente da iNstantes – Associação Cultural de Avintes. Esta Associação dá vida e obra à arte a partir das fotografias, imagens que “valem mais que mil palavras”. Com poucos recursos, é a “parente pobre” da cultura, como refere António Lopes. A iNstantes, Associação Cultural, é “filha” de um projeto anterior: o Festival Internacional de Fotografia de Avintes, que também se chama iNstantes e que é organizado desde 2014. Este ano contaram a décima terceira edição e foi um sucesso! Para o ano…mais “palavras” virão, e outras tantas apreciarão o que Portugal e o Mundo tem a mostrar.

A Associação iNstantes já conta com seis anos, num contexto em que era necessário agregar vontades, e formalizar e encontrar outro tipo de apoios. Criou-se a iNstantes – Associação Cultural com 88 sócios fundadores de sete países. Neste momento “temos cerca de sócios, 200 sócios em 12 países”, revela-nos o Presidente, distribuídos pela Europa, pela Ásia e pela América do Sul e pela América do Norte. De salientar: Portugal, Espanha, França, Alemanha, Luxemburgo, Noruega, Brasil, Colômbia, Estados Unidos e Macau.
A fotografia é o coração da Associação que agrega e envolve profissionais da área de várias geografias proveniente do mundo. Esteve em exposição desde o dia 8 maio até ao dia 31do mesmo.

A partir da criação da Associação, mantiveram o que era o projeto inicial, o festival de fotografia e um outro projeto em que realizam exposições mensais: “Propostas Fotográficas”. É um projeto que está consolidado no “nosso trabalho ligado a esta arte”. Explica o responsável.
Quantas fotografias estiveram em exposição?
Na 13ª edição do iNstantes Festival Internacional de Fotografia de Avintes contou com cerca de 700 trabalhos expostos, de 48 fotógrafos de 12 países. A exposição esteve em vários polos, em Avintes, e nos mais diversos locais, como foi o caso da exposição na Junta de Freguesia, na Casa da Cultura, no Centro de Fotografia iNstantes, nos Bombeiros, na Fundação Joaquim Oliveira Lopes. No CRN, (Centro de Reabilitação do Norte), no hospital dependente do Centro Hospitalar de Gaia e Espinho. Na Casa da Cultura de Lourosa. No teatro Municipal de Vila do Conde, na Escola de Medicina da Universidade do Minho. Resumindo, é um festival que abarca uma vasta região geográfica no norte do país.

Terminou no dia 31 maio, e foi vista por cerca de 2500 pessoas. “É um número aceitável”, refere António Lopes, costuma dizer que a cultura, é um nicho específico, nunca arrasta multidões. Não é um jogo de futebol que junta mais de 50 mil pessoas.
A área cultural é sempre um pouco o “parente pobre”, mas estão satisfeitos com a adesão. Avintes fica geograficamente bem posicionada, fica cerca de 10 minutos da Estação de Campanhã, da parte oriental do Porto, na qual é fácil as pessoas poderem deslocar-se, pela a autoestrada e chegarem rápido a Avintes, em Vila Nova de Gaia.

Tema da Exposição
Segundo nos adiantou o responsável disse-nos que não há tema, “é livre”, e por uma razão simples: “senão as pessoas vinham ver quase mais do mesmo”. Há outros festivais similares que têm um Tema, mas no final os temas acabam por se dispersar.
Quem foi ao festival viu a maior exposição do Eduardo Gageiro, fora de Lisboa. E dessa exposição viajar por 70 anos da história do nosso país.
“Foi a exposição Âncora deste festival”. E foi possível ir até ao Afeganistão para verificar realidades daquele país. Ir até ao Brasil, Argentina e Uruguai através de outra exposição. Também fizeram uma “paragem” na Guiné-Bissau, com temáticas completamente diversas, umas mais conceptuais, outras mais documentais. O festival, resumidamente, é uma viagem pela vida e pelo mundo.
“Uma viagem pela vida e pelo mundo”

Nesta exposição não há vencedores, todos os trabalhos apresentados estiveram em destaque, são todos vencedores. Foi “um orgulho muito grande”. Deslocaram-se a Avintes, profissionais de todos os lados, e a Associação não dispunha orçamento. As entidades oficiais não deram apoio financeiro para o festival. Foi uma honra “termos pessoas que se deslocam propositadamente da Coreia do Sul, de Seul, de Macau, dos Estados Unidos, de Cuba, – com todos os problemas que enfrentam diariamente. Do Brasil, França, Finlândia, de Espanha, que se deslocaram, para participarem no festival e não pagamos a ninguém”, salienta António Lopes. A entrada para o festival foi inteiramente gratuita.
Fez uma espécie “daquilo que eu chamo de ecumenismo cultural, termos pessoas de diversas religiões, culturas completamente distintas”. Salientou António Lopes.
Juntaram-se num almoço em que cada um pagou a sua refeição, 51 pessoas na abertura no segundo dia do festival. “Foi um orgulho para nós termos cá gente que se desloca de tão longe para estar connosco”, porque o festival é feito fundamentalmente com muito carinho entre todos os participantes e de muita entrega, e partilha, fundamental, para que o festival não tenha custos associados.
Se fosse uma Câmara Municipal a organizar este tipo de festival, custaria entre 50 a 60 mil euros. “E nós fizemos com um apoio fixo de uma autarquia, que enfrenta também as suas dificuldades, e nos providenciaram um apoio de 1000 euros.”
Tudo o resto foram os portugueses que colocaram cá tudo, para que os estrangeiros pudessem assistir a um evento ao nível nacional e internacional. “Encontrámos soluções”. Uma empresa, de Famalicão, a Carfoto, apoiou na impressão de todas as imagens dos artistas estrangeiros. Foi possível organizar este festival, com cerca de 700 fotografias expostas.
Uma vista geral
Segundo António Lopes, a exposição âncora foi a exposição do Eduardo Gageiro, que “nos levou numa viagem de 70 anos com a nossa história, com fotografias de figuras marcantes, quer da política, da cultura, música, dança, e fotografias de figuras mundiais que estiveram em Portugal ao longo destes 70 anos. Também esteve patente um pouco da história de Timor, do 25 de Abril e do primeiro de Maio, após a revolução. A religião também se fez representar. E as cheias de 1967 no Rio Tejo, onde faleceram 700 pessoas.
Também contaram com o trabalho da pintora Vieira Silva e do marido Arpad Szenes. “Foi uma exposição que valeu a pena e não envergonha Serralves.” Esta exposição também teve o apoio da Câmara Municipal de Torres Vedras e de alguns amigos que “nos fizeram chegar até cá esta exposição,” termina o Presidente.




