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Sexta-feira - 1 Março 2024

A voz de um imigrante a viver entre Portugal e o alto mar

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Vladimir Miranda, Angolano de nacionalidade, vive em Portugal há cinco anos. Foi uma paixão de uma viagem de 15 dias à capital portuguesa há seis anos (2017), voltaram a Portugal para viver cá seis meses, mas ao fim de dois era em Portugal que queriam viver. “Aminha mulher e os filhos adoraram” e decidiram mudar-se para cá definitivamente.

“A minha mulher adorou Portugal, e então em 2018 decidimos tentar fazer este movimento de mudar para Portugal e ver como as coisas podiam acontecer, sabíamos, tínhamos a consciência que as coisas podiam correr muito bem, como podiam não correr tão bem, então decidimos arriscar. Organizamos toda a logística para seis meses, e lá fomos nós. Se as coisas corressem bem, ficávamos em Portugal, se não corressem tão bem regressaríamos a Angola. Ao fim de dois meses estávamos todos rendidos, e tínhamos a certeza que já não voltávamos para Angola”.

“Eu tenho três filhos, duas meninas e uma rapaz, a mais velha vai fazer agora 18 anos, a do meio tem 15 anos o mais pequeno tem nove anos. A minha mulher aproveitou este tempo que está em Portugal para tirar uma licenciatura no Piaget. Vivemos em Almada, até ao mês passado ela esteve a trabalhar no SIBS nos sistemas bancários, uma empresa que dá aconselhamento e suporte aos bancos”. Mas não estava a gostar muito de trabalhar lá, está a aproveitar as férias de momento e vai fazer mais algumas formações, e procurar emprego.

“Eu estou a fazer esta vida há 22 anos, quando comecei a namorar com a minha mulher tinha 21 anos eu já fazia esta vida, a minha mulher está habituada a esta forma de viver, e quando nasceram os filhos, já conheciam esta realidade, já estão habituados a estar um mês sim, um mês não. Para eles já é normal. E também traz a vantagem de que tenho um mês inteiro para me dedicar só a eles. O que me dá força, estou totalmente com eles, o dinheiro também ajuda a comprar coisas, que se eu estivesse a trabalhar em terra não teria este desafogo financeiro. As saudades pesam, sim, mas o mês em que estou com eles não há qualquer interferência e só me dedico a eles”.

Escritório em Alto mar

Por acaso “não sinto nada de anormal, tirando o isolamento e do espaço limitado, estamos praticamente com todas as pessoas. Eu neste momento faço trabalho de escritório, o meu Background era mecânico, neste momento sou responsável de uma plataforma”. Garantir a segurança de todos os trabalhadores, é um emprego de muita responsabilidade. “Quando estava a trabalhar nas máquinas para mim era mais fácil, reparava a máquina e pronto”. Agora gerir pessoas as coisas são bem mais difíceis”.

O petroleiro tem as fundações, mas não chegam ao fundo do mar, as que são feitas junto da costa sim, estas não, têm umas pernas que flutuam, ao ritmo das ondas. “Mas o mar de Angola tem uma coisa extraordinária, ao contrário de outras petrolíferas que se encontram em alto mar sujeitas a ondas muito altas, o mar de Angola não tem vagas nem ondas, é muito calminho, é um dos mares mais calmos do mundo”.

Aguentam-se ali porque a resistência acaba por ser psicológica, quando alguém está doente, ou faz aniversários, ou nos momentos de grande importância, pesam mais as saudades. “Isto é para os duros, como costumamos dizer”.

“Muita gente vem e não consegue estar aqui uma semana.”

A filha mais velha vai fazer a faculdade em Portugal, “não queremos que ela se afaste. Eu não estou muito presente e não queremos devir-nos ainda mais”. Porque a “minha mulher pode entretanto começar a trabalhar e precisamos de todo o apoio necessário”.

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