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Sexta-feira - 1 Março 2024

António Ferrari na ONU: “Enche-me de orgulho e alegria poder contribuir para o trabalho desta Organização”

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Estivemos a entrevistar António Ferrari, um português que trabalha nas Nações Unidas em Bruxelas, no Departamento de Comunicações Globais para Portugal. Foi uma conversa muito entusiasta. Percebia-se que estava muito contente com o cargo que ocupa e em trabalhar para a ONU. Afinal é a maior Organização a nível Internacional e toca em todos os temas importantes das sociedades e dos países. Explicou-nos o que faz, defendendo as causas em que as Nações Unidas abraça, para o bem comum a nível Internacional.

António Ferrari é português, estudou Ciências da Comunicação na Faculdade de Ciências Sociais e humanas na Universidade Nova de Lisboa. Quando terminou a sua licenciatura foi Estagiar na TVI. Quando terminou o estágio foi trabalhar para a RTP, para a secção de economia onde esteve quase dois anos. Ao fim de dois anos voltou para a TVI, também para a diretoria de economia, onde permaneceu de sete anos.

Jornalista quase 10 anos em Portugal. Entre 2004 e 2013, em 2013 foi convidado pelo Ministro da Economia para ser Assessor de Imprensa, quando o Ministro António Pires de Lima foi convidado para ser Ministro da Economia. Trabalhou no Gabinete do Ministro dois anos e meio, até 2015, na altura, quando saiu do governo, decidiu deixar o jornalismo, e foi trabalhar para uma Agência de Comunicação, Wisdom, que na altura era do grupo “Lift”.

“Desejava experimentar ter uma carreira internacional”, diz-nos António Ferrari. Há algum tempo, foi concorrendo a várias Organizações Internacionais e às Instituições Comunitárias, à NATO, à OCDE, às Nações Unidas, e em 2017, comecei a trabalhar nas Nações Unidas, no Centro Regional de Informação das Nações Unidas para a Europa Ocidental, onde sou assessor de comunicação para Portugal, em Bruxelas.

Em 2018, fui destacado para Nova Iorque, onde trabalhou numa divisão “News and Media Division”. Na prática é uma redação das Nações Unidas em nove línguas onde se trabalha também em português, foi destacado para o lugar “de português, na ONU News”. Concorreu para uma vaga temporária, e trabalhou sete meses no gabinete do Porta-Voz do Secretário Geral das Nações Unidas. Em janeiro de 2020, decidiu regressar ao lugar de origem em Bruxelas onde se encontra até hoje.

É Assessor do Gabinete das Nações Unidas para Portugal, no Centro Regional de Informação das Nações Unidas para a Europa Ocidental, que na prática, é um Centro que cobre 22 países em 13 línguas, “e a minha função é trabalhar com Portugal.”

O seu trabalho em tem várias frentes, uma delas é adaptar as campanhas públicas em Português e promove-las em Portugal. Os grandes temas da organização, as prioridades da agenda, etc. Por outro lado também faz com os outros órgãos de comunicação social portugueses, tudo que tem que tem a ver com a comunicação da Organização.

“Organizamos eventos, fazemos parcerias com as Universidades, escolas, organizações não governamentais, o governo de Portugal, entre outras entidades públicas e privadas, para promover os grandes temas das Nações Unidas em Portugal.”

Para além disso, também produzem materiais em língua portuguesa, que são disseminadas pelas escolas, por entidades que tenham interesse por estes materiais e também gerem as redes sociais da ONU Portugal, que são contas das redes sociais que se destinam sobretudo a falantes de português. Fazem toda essa parte de comunicação digital. “Em termos gerais é isso que fazemos.”, refere António Ferrari.

O problema das Guerras atuais: estarão as Nações Unidas a cumprir o seu papel?

As Nações Unidas em situação de conflito presta ajuda humanitária e desempenha um papel fundamental, para mitigar o sofrimento da sociedade civil, que vive em contexto de conflito. Há várias Agências Humanitárias que estão no terreno, a dar esse apoio e que de facto desempenha um papel importantíssimo, não só para aliviar o sofrimento das populações civis, mas também para tentar prevenir a escalada dos conflitos e do agravamento do mesmo. E pensa que , toda a comunidade internacional o reconhece, pois desempenha um papel fundamental, veja-se agora no Médio Oriente, a Agência das Nações Unidas de Apoio dos Refugiados Palestinianos, a UNWRA. E mesmo antes da guerra já desempenhava um papel fundamental, tanto na Faixa de Gaza, bem como nos países vizinhos à volta de Israel, dando apoio aos refugiados Palestinianos, como por exemplo neste momento que há centenas de milhares de refugiados na faixa de Gaza e que estão, abrigados e a ser apoiados por esta Agência, que também conta o apoio do Programa Mundial Alimentar, e com a UNICEF, entre outras Agências Humanitárias para ajudarem a população, não só no Médio Oriente e Ucrânia, mas também em situações de conflito em África. Ou em situações de calamidades, como foi o caso dos terremotos que tiveram lugar em março/abril na Turquia e na Síria, bem como os terremotos que assolaram no Afeganistão, e que as Nações Unidas estão no terreno a dar toda a ajuda e assistência necessária.

Como é trabalhar na Organizações das Nações Unidas?

É um desafio que gosta muito, “as Nações Unidas é a maior Organização Internacional multilateral do Mundo, tem 193 Estados Membros, e é uma Organização que se ocupa dos grandes desafios da humanidade, num mundo tão interconetado, para problemas globais é necessário encontrar soluções globais.” A cooperação internacional é cada vez mais importante.

Gosta muito de trabalhar na ONU, “trabalhamos em várias áreas, seja nos temas dos direitos humanos, alterações climáticas, desenvolvimento sustentabilidade, desarmamento, entre outras é um desafio que gosto muito, tenho muito orgulho em trabalhar para esta Organismo”. É uma Organização fundamental para a ordem mundial, atualmente. “E enche-me de orgulho e de alegria, poder contribuir para o trabalho da ONU. É uma trabalho no Secretariado no Departamento das Comunicações Globais”. Tem muitos subsistemas, e muitas entidades, fundos e programas especializados que trabalham em áreas concretas, seja a OMS (Organização Mundial de Saúde), A Organização Mundial do Turismo, a Organização Mundial do Comércio, a Organização Internacional do Turismo. “Tem muitas áreas setoriais é o fórum internacional por excelência para o diálogo entre os países, entre os Estados Membros, mas também da sociedade civil, entre o setor privado, que no fundo todos contribuem para que o trabalho das Nações Unidas possa promover a cooperação e Organização Internacional, naqueles que são os desafios e os grandes temas para a humanidade. ”Defende o mesmo.

Gosta da posição que ocupa? Qual foi o seu maior desafio?

“Gosto muito da posição que desempenho, tento promover ao máximo as preocupações da Organização junto da sociedade civil, nomeadamente sensibilizar os mais jovens para os grandes desafios como por exemplo as alterações climáticas, a questão dos direitos humanos, em que as gerações mais jovens estão cada vez mais atentas e sensibilizadas para estes problemas e sim, gosto muito daquilo que faço.”

É procurado para dar a conhecer como funcionam as candidaturas a ofertas de emprego

É muitas vezes convidado por universidades e por entidades para explicar sobre as oportunidades de carreira nas Nações Unidas, muitas vezes participa em eventos ou atividades. As universidades convidam-nos, para explicar como é que funciona o sistema das Nações Unidas, e que oportunidades de carreira é que há, como é que as pessoas podem concorrer, e como é que funcionam os processos de recrutamento. A comunicação social portuguesa pedem muitas entrevista, estudos e estatísticas. Bem como fazem muitos pedidos de informação, por parte dos media portugueses que se interessam muito pelo trabalho da Organização, e constantemente fazem-nos perguntas, pedem-nos contactos, que facilitemos, entrevistas, informações, estudos, estatísticas, “e nós prestamos todo esse apoio à Comunicação Social.”

Gosta de ser emigrante?

“Gosto de ser emigrante, e de viver em Bruxelas, tenho saudades de Portugal, mas a vida internacional também traz coisas boas.” A Bélgica é um país muito agradável, a integração foi muito fácil. “Os Belgas são muito acolhedores”, é um país que não está muito longe de Portugal, o que permite ir com alguma regularidade. “E gosto muito de Bruxelas, enquanto cidade, estou contente. “

Há muitas possibilidades nas Nações Unidas dentro da área da Comunicação por onde se pode “explorar”, gostaria de ir para uma dessas e “espero poder vir a ter no futuro outras experiências. “Sinto-me muito feliz a trabalhar e viver em Bruxelas, sinto-me realizado.”

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