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Sexta-feira - 19 Abril 2024

EXCLUSIVO: Apesar de estar em Harvard, a Universidade Nova de Lisboa “foi a minha “alma mater”

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Lúcio Vinhas de Souza é um Professor português que se encontra a trabalhar na Universidade de Harvard e na Universidade de Brandeis, localizadas na área de Boston, respetivamente. Vive nos Estados Unidos, mas a sua formação Académica foi realizada na Europa, nomeadamente na Faculdade de Economia na Universidade Nova de Lisboa. Fez Doutoramento em Roterdão, Holanda, em Economia na Universidade Erasmus. É um profissional das palavras, pois gosta muito de escrever, tendo escrito um livro sobre “crises financeiras”, bem como outros assuntos em Harvard.

“Estou agora não apenas em Harvard, mas sou também Professor Visitante na Universidade Brandeis,”começa desta forma Lúcio Souza. Depois do Mestrado na Faculdade de Economia da Universidade Nova em Lisboa, fez Doutoramento na Universidade Erasmus, em Roterdão na Holanda. Ensinou em universidades na Alemanha, na Rússia (mas, digamos, noutros tempos, e como parte das suas funções na Comissão Europeia) e nos Estados Unidos.

Gostaria de ressaltar aqui que “deve muito” à universidade Nova de Lisboa, aos professores e colegas que lá teve, bem como a formação e educação “que estes me deram: esta universidade foi realmente a minha “alma mater””.


Em Harvard escreveu um livro sobre crises financeiras (teve, o “privilégio” de estar envolvido em várias áreas durante a sua carreira profissional), que será publicado este ano. Na Brandeis ensina um curso de pós-graduação, – sobre crises financeiras, que é essencialmente o seu livro transformado num curso. Em ambas as Universidades faz também pesquisa em temas diversos de macroeconomia, exemplos: escreveu um estudo sobre determinantes de longo-prazo do crescimento económico em Portugal, um outro sobre políticas industriais, um outro sobre a influência da política monetária Chinesa na área do euro.

Como referenciou anteriormente, faz pesquisa e escreve (principalmente em Harvard) e ensina principalmente na Brandeis. “Como é natural, tenho muito mais tempo para fazer pesquisa e para escrever sobre temas que me fascinam agora do que nas minhas funções anteriores na UE (União Europeia)”.


Emigrar fazia parte dos planos?

A emigração não foi algo planeado, ocorreu devido a possibilidades profissionais o “caminho percorrido”: nomeadamente, quando estava a estudar na Universidade Nova de Lisboa, participou num concurso para seleção de oficiais das Nações Unidas, e acabou sendo um dos selecionados.

Isto tem até uma estória gira: “eu retorno a casa depois de um dia a estudar na Nova e a concierge do nosso prédio – morávamos então em Carnaxide – vem me diz: “Senhor doutor, senhor doutor, chegou um telegrama para o Sr.!”, eu respondo, também espantado – dado que isto já não era nada comum nos meados dos anos 90, mesmo em Portugal – “Um telegrama?”, e ela diz “Pois!”. Era a ONU a informar que tinha sido contratado (ainda guardo aquele telegrama). A partir daí foi um processo mais ou menos natural”.


Teve uma vida sempre com a casa às costas, vivendo e trabalhando noutros países, para além de Portugal, nomeadamente, Brasil, Holanda, Estónia, Alemanha, Bélgica, Rússia, e diversas vezes nos Estados Unidos: como previamente referenciado. Depois da ONU fez doutoramento na Holanda, com uma bolsa da FCT, financiada por fundos europeus. Lá um dos seus orientadores de doutoramento recomendaram para ir trabalhar num famoso centro de pesquisa na Alemanha (o IFW -Instituto da economia Mundial, em alemão- em Kiel), enquanto estava na Alemanha, foi contratado pela Comissão Europeia (através de um outro concurso, “este já sem telegramas…”), e mudou-se então para Bruxelas.

Depois tem umaoutra fase nos Estados Unidos, quando estava a trabalhar na Comissão. Foi destacado para o Banco Mundial, em Washington, durante o início da crise da dívida soberana na Europa. Enquanto lá estava foi “headhunted” pela Moody’s para ser o seu Economista Chefe em Nova Iorque, durante a crise da área do euro, que inclui naturalmente Portugal.

Jean-Claude Juncker foi eleito Presidente da Comissão, e “eu fui convidado a retornar a Bruxelas para trabalhar com ele, o que decidi fazer” – depois de, naturalmente, ter discutido isso com a sua esposa -, deixou a Moody’s.

Depois do fim do mandato de Juncker, “regressámos aos Estados Unidos, a casa, pois a minha esposa é Americana”.


Nova onda de emigração de portugueses: estamos a assistir a mais uma nova vaga de “fuga de cérebros”

O professor indica que “em primeiro lugar é algo natural dada a situação nacional, e segundo dados do INE, indicam que quase um quarto dos jovens em Portugal estão desempregados, e aqueles que trabalham têm salários muito baixos. Para além disto deve-se sempre encorajar os jovens a alargarem os seus horizontes e a aproveitar as oportunidades que a vida lhes dá.”

Ao mesmo tempo, é “uma tragédia para o país: Portugal tem uma queda da sua população, já há mais de dez anos, dada à baixíssima taxa de natalidade, situação que é agravada pela emigração líquida, ou seja, sai mais gente do país do que entra. E a emigração de mão-de-obra mais qualificada – a percentagem de emigrantes com diplomas universitários é mais de duas vezes elevada que a sua percentagem na população total Portuguesa, portanto uma “fuga de cérebros”.

Esta emigração da geração mais educada na história de Portugal não é compensada pela imigração (os imigrantes que chegam ao país têm níveis de qualificações inferiores àqueles que o deixam), o que significa efeitos muito negativos para o potencial de crescimento presente e futuro do país.”

A questão real é como criar oportunidades para que jovens diplomados tenham a capacidade de inserir-se e desenvolver-se profissionalmente em Portugal e não serem forçados a emigrar, e para tal a economia Portuguesa tem de mudar muito. “Já escrevi um artigo sobre isto”.

Mensagem a dar para quem pensa emigrar

“Eu quando emigrei na realidade não tinha um plano, vi a emigração quase como uma aventura, era jovem e solteiro, mas tive sorte, porque novas e interessantes oportunidades profissionais sempre apareceram, – algumas vezes mesmo sem que eu nada tivesse feito. Mas recomendo que quem queira emigrar tenha um plano, mesmo que de carácter geral: sorte não é estratégia. Ao mesmo tempo, qualquer plano deve ser flexível, para acomodar novas possibilidades.”

Um conselho final: “não se deve ter medo do desconhecido, mas deve manter-se ligações com Portugal. Ter raízes, saber de onde se vem, é algo muito importante, e ajuda-nos a saber aonde queremos chegar.”

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