José Moreno é cabo-verdiano, cresceu em Cabo Verde, Cidade da Praia, na Ilha de Santiago. Desde muito jovem que tem uma queda natural pela poesia, sem nunca perceber o que era “aquilo” e fazia com tanta dedicação e espontaneidade. Sabia que estava a escrever algumas frases bonitas. Ao final do dia, à tardinha depois das aulas, ele e os seus colegas também declamavam poesia. Sabia que queria ser poeta, mas não sabia concretamente o que era, porque “na fase da juventude nunca sabemos o que é que queremos ser”. Revela José Moreno. A sua paixão pela escrita aliada à da leitura, ajudou. Começou com livros aos quadradinhos que vinham da Europa, de Portugal e depois dedicou-se a todo o tipo de leitura, usando todas as palavras na receita dos seus “cozinhados”.
Artigo Exclusivo para subscritores
“Comecei com os quadradinhos e evoluí para a prosa.” desvenda o escritor. Na fase mais madura foi requisitado para ir à tropa e deram-lhe a formação de um curso médio na área da política e a partir dali, começou a trabalhar numa direção política, ligado à cultura e à política, no seio da polícia das forças de segurança.
O seu diretor, tendo conhecimento que tinha queda para as letras, deu-lhe a responsabilidade de conceber um jornal de “Parede”. Na altura, o jornal chamava-se “Sentinela”. Um conceito de jornal de parede que combinasse com esse nome. Fez uma poesia para do “Sentinela”, onde publicavam as notícias e as atividades da direção.
Foi praticamente naquela fase juvenil, já a passar à adulta, que começou a escrever poesia. Paralelamente a isso, havia um grupo de jovens em Cabo Verde, cujo diretor hoje Presidente da Soca, de seu nome Daniel Spínola.
Começou a escrever quinzenalmente para esse programa juvenil chamado “Contacto”. João Moreno lembra-se com saudade, porque a família toda ficava sentada aquela hora em frente à rádio, à espera que lesse “a minha carta, as minhas poesias”, em que o diretor do programa dizia sempre: agora vamos ler a poesia do número um, José Manuel Tavares, mais conhecido por “O Poeta do Amor”. Este conceito foi elaborado inicialmente em Cabo Verde, a escrever poesias, tendo trazido para Portugal muitas, dezenas e dezenas de poesias que escreveu naquela altura. Chegou cá com algum amadurecimento na poesia, mas como não era remunerado, era um hobby.
Depois de estabilizar a sua vida económica, já em terras lusas, começou por trabalhar nas obras. Apesar de ter cultura e estudos, não tinha documentos para trabalhar no país. O único lugar que estava mais à mão, eram as obras e começou por aí e hoje tem a sua própria empresa de construção civil. Ppassou por várias fases até criar a sua empresa. Neste momento está estabilizado economicamente e pode dedica-se mais à poesia, que lhe alimenta a alma.
O Português ou Crioulo
A sua poesia é toda escrita em português. Quando saiu de Cabo Verde, não sabia escrever em crioulo. Já publicou e participou em antologias, conta com sete livros e quase 30 antologias, da editora Colibri, na qual publicaram alguns dos seus livros e fora de Portugal, publicou antologias na Suíça, no Brasil, tem mais de 30 publicações em obras, entre antologias e livros individuais.
Poesia rimada ou livre?
Considera-se um poeta eclético. Escreve sobre tudo: política, vida social, vida amorosa, mas a sua zona de conforto, são as rimas, com uma cadência, um ritmo, que qualquer compositor quando pega nas suas poesias, é como se tivesse um achado nas mãos, porque as músicas são bonitas. “A minha onda é poesia de amor”. Vinca o autor.
Também escreve de forma livre, retrata o amor por uma mulher, tendo sempre presente o amor. Não gosta de copiar ninguém, nem segue copiosamente as rimas, conta uma história que está à volta da família, de pais, de mães, fundamentalmente de Mulheres.
Conhece um produtor musical Cabo-verdiano, Daniel de Pina, mais conhecido por Nhalas Pina, que pegou nas suas músicas, contactou algumas pessoas e conseguiu produzir um disco com onze “poesias minhas”, viu-as num dos “meus vários livros” e tirou uma poesia e concretizou num projeto musical. Depois enviou para Portugal e foi para o estúdio de um mixador, o Bob e fez a mixagem e “incentivaram-me a produzir o disco”. Já com toda a produção feita e tudo concluído, “nós temoso disco no Spotify, no YouTube e em várias plataformas digitais. Mas ainda não foi oficialmente lançado. O disco lançado chama-se “Afetos” e participam várias cantoras como a Ana Maria, são cantores jovens, desconhecidos. Conta com onze temas, onze mulheres e um homem, cada uma canta uma música.
Porque lhe chamam “O poeta do amor”?
“No meu primeiro livro foi contactada uma poetisa chamada Carlota de Barros, que é uma cabo-verdiana e vive em Portugal há muitos anos, para fazer a apresentação do meu livro: “Meu recanto, as espumas do amor”.
Como não me conhecia, leu o livro e ficou curiosa e queria conhecer o autor. Deram-lhe o meu número e telefonou-me dizendo que queria conhecer-me e falar comigo antes de lançar o livro. Foi nesse momento que disse: olha, nunca vi um homem entrar na cabeça de uma mulher como tu. És um autêntico “Poeta do Amor!”
Escreveu um artigo na apresentação do livro e repetiu novamente, dizendo também, que já há muito tempo que não tinha lido e ouvido “um poeta que fala-se tão bem de amor como eu”.
Também há um outro poeta, Ângelo Rodrigues, que disse o mesmo. Leu a minha poesia e também chegou à mesma conclusão. “Tenho um padrinho e uma madrinha em Portugal, que me denominaram de: “O poeta de Amor”.” Diz o escritor.
A partir desse momento, quer na televisão em Cabo Verde, em todas as plataformas, as pessoas chamam-me: “O poeta do Amor”, porque na verdade o que eu escrevo é tudo sobre amor e modéstia à parte há poucos que escrevam sobre amor como eu.!” Finaliza José Moreno todo orgulhoso!




