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Sexta-feira - 19 Abril 2024

EXCLUSIVO: Castelo Branco: onde o ar puro e o desenvolvimento se misturam e não se contradizem

Destaques

Leopoldo Rodrigues, Presidente da Câmara Municipal de Castelo Branco, apresentou-nos a “sua” cidade, destacando alguns sítios icónicos da mesma, e a sua variedade gastronómica. A cidade existe desde o século XII, com monumentos importantes e museus onde os visitantes quer sejam nacionais ou estrangeiros podem arregalar-se pela sua riqueza cultural. No meio natural podem contemplar as vistas da Serra da Gardunha, onde a vida animal e vegetal ainda se encontra em bruto, e o ar puro, um dos pontos fortes da serra. A cidade foi contemplada com o selo da UNESCO para as cidades criativas, no âmbito das artes e ofícios tradicionais, mais concretamente no bordado de Castelo Branco. E por estas paragens há muito mais a descobrir, basta ir e deixar-se levar.

Castelo Branco, é uma cidade que foi fundada, segundo os registos no ano de 1165, quando o Rei D. Afonso Henriques doa na altura a Vila da Cardoga, à Ordem do templo. É uma cidade templária, onde os membros da ordem do templo tiveram um papel fundamental, foram eles que supostamente construíram o Castelo, e que defenderam o território durante algum tempo, e a partir dessa doação fundacional evoluiu a cidade de Castelo Branco.

É uma cidade que se estende a partir de uma colina, onde se encontra o Castelo, que durante alguns séculos ficou muito condicionada ao desenvolvimento entre muralhas, e que nos últimos anos, nomeadamente no século XX e XXI, se expande de uma forma muito significativa para novas áreas, tornando-se uma cidade moderna, agradável, contemporânea e uma cidade onde é agradável viver.

Esta presença templária é uma presença importante, e uma referência da cidade, sendo também um elemento da sua história.

Presidente da Câmara de Castelo Branco, Leopoldo Rodrigues.

Castelo Branco tem 53 mil habitantes, é um Concelho com dezanove freguesias, uma é a freguesia urbana, que é a de Castelo Branco, onde habitam cerca de 32 mil pessoas, a restante população distribui-se pelas outras freguesias.

Em termos económicos, Castelo Branco tem alguma heterogeneidade no que diz respeito ao tecido económico, – tem um papel importante a indústria ligada ao setor automóvel – com a produção de carros para a indústria, mas também com outras empresas da área da industria que se dedicam também e desenvolvem projetos para a industria automóvel, “que aqui nasceram à volta de uma empresa que já se fixou há muito tempo, há cerca 30 anos”. Na altura era a Cablesa, depois evoluiu para a Delphi e hoje é a Aptiv. Uma Multinacional Americana, e mais duas ou três empresas de grande qualidade onde se faz investigação, desenvolvimento, e que se expandiram elas próprias, como empresas multinacionais e que exportam para vários países, há cerca de 45, 50 anos.

“Temos o setor industrial do frio, ligado à construção de equipamentos para as grandes superfícies, hospitais, fábricas, e para equipamentos culturais, designada de Centauro. Também exportadora para mercados no sul da Europa, no Norte da Europa, em África, e numa série de latitudes interessantes.” Refere o autarca.


Falando do Agro-industrial, destaca-se a Fábrica da Schreiber, que é uma multinacional também Americana, que fabrica iogurtes, multi-marca, que tem um volume de faturação de cerca de 100 milhões de euros por ano, e que é uma referência no fabrico de iogurtes e produtos associados ao leite. De realçar também, embora não seja uma produção em grande quantidade, mas pelo seu valor nutricional e pelo seus sabores, a produção do azeite, ainda “temos muito olival em modo tradicional, embora também tenhamos algum em modo semi-intensivo, e podendo também destacar o mel, e o queijo.”

Em termos culturais, “temos várias referências, fomos recentemente distinguidos com o selo da UNESCO para as cidades criativas, no âmbito das artes e ofícios tradicionais, mais concretamente do bordado de Castelo Branco.”

Este bordado é um artesanato que tem já alguns séculos no território, a sua influência está muito ligada à expansão portuguesa e à “nossa presença no Oriente”, utilizando como materiais principais, o linho e a seda natural. “Ainda hoje temos a presença das folhas de amoreiras (onde se produz a seda).”

Há uma Associação que apoia crianças com deficiências cognitivas, que colhem as folhas da amoreira e que criam os bichos da seda para produzir a seda, que é utilizada no bordado tradicional. O bordado tem influências orientais, é hoje uma referência cultural no Concelho de Castelo Branco e da região, o seu valor também está muito ligado ao que se faz, porque as “nossas bordadeiras vão transmitindo o seu conhecimento de geração em geração, é um um trabalho muito meticuloso, demorado e de grande paciência, mas depois de concluído tem um enorme valor, seja artesanal, seja à simbologia do bordados de Castelo Branco”.

Existem outras atividades culturais, e o bordado de Castelo Branco, está presente no Centro de Interpretação do Bordado no centro da zona histórica, onde se encontram as bordadeiras a trabalhar ao “vivo”, e que podem ser vistas a trabalhar e ser apreciadas um conjunto de peças, quer sejam em painéis, colchas, ou através de coordenados que são projetados pelos alunos da escola Superior de Artes, pelo curso de moda, e depois fazendo à posteriori um desfile de moda que se realiza todos os anos, o “Moda Castelo Branco”.

Muito próximo do centro de interpretação do bordado, situa-se o Museu do Mestre Cargaleiro, é um cidadão português oriundo duma localidade muito próxima, da Foz do Cobrão, no Concelho de Vila Velha de Ródão, que vai fazer 97 anos. A sua vida artística muito centrada na cerâmica, entretanto evoluiu para outras áreas artísticas, e tem uma presença muito forte na cidade de Paris, onde tem um atelier que vai colocando as suas peças, e variadíssimas no mercado, e que atingem valores muito consideráveis.

Em Castelo Branco têm a Fundação Manuel Cargaleiro e o Museu Manuel Cargaleiro, além das obras do mestre Cargaleiro, “podemos apreciar autores contemporâneos, que com ele viveram em Paris, desde Vieira da Silva, também algumas obras de Pablo Picasso e de outros artistas contemporâneos”. Pode-se falar de um dos museus mais antigos da cidade de Castelo Branco, o Museu Francisco Tavares Proença Júnior, que já foi Museu Nacional, mas neste momento é um Museu dirigido e sob a tutela da Câmara Municipal. Onde podem ser apreciados o espólio de arte rupestre, da pré-história, até à arte contemporânea, a arte sacra, onde existe “uma belíssima coleção desta última”. Assim como uma coleção das colchas com o bordado de Castelo Branco.

Os pontos fortes da cidade em termos geográficos é a centralidade. Castelo Branco situa-se a duas horas do Porto e duas horas de Lisboa. É servido por uma autoestrada, a A23 e também, por uma linha de caminho de ferro, que é a linha da Beira Baixa, e também dispõem de um aeródromo com capacidade de acolher aviões de grande porte. Tem uma pista de 1500 metros, é muito utilizada por aviões privados, e por outro tipo de aeronaves. A centralidade é um aspeto importante e um ponto forte da cidade.

Outros pontos fortes da região, destacam o caso da habitação, que está a ser um flagelo a nível nacional. O problema da habitação. A habitação em Castelo Branco custa menos do que em Lisboa e no Porto, ou outros grandes centros, e mesmo assim “estamos a desenvolver um projeto que é a construção de habitação de custos acessíveis, de modo a tornar ainda mais atrativo essa disponibilidade de habitação, os principais destinatários são os jovens, as famílias da classe média, pessoas que tenham a sua atividade profissional e que tenham capacidade para pagar as rendas, que não são as rendas do mercado, e que têm aqui um valor acessível, por força àqueles que estão numa fase inicial da sua vida familiar e profissional e que tenham condições para as pagar.”

É uma cidade de média dimensão, com cerca de 52 mil habitantes, é uma cidade com bastante oferta de trabalho ao dispor, há muita oferta de mão de obra. É uma cidade muito segura, e onde não existe criminalidade, onde as pessoas se deslocam para qualquer lado, de forma segura, seja a pé, ou por outro meio, e que oferece, para quem aqui quer viver essa segurança e esse conforto.

O nível de vida ainda não é comparável com as cidades do Porto, Lisboa ou Coimbra, Aveiro ou Leiria, onde o preço da habitação, ainda pode ser suportado por uma família de classe média sem grandes problemas.

É uma cidade plana, onde as deslocações são fáceis, e tem características que todas as cidades têm, mas Castelo Branco em particular, sabe receber, gosta de receber, a amabilidade das pessoas de uma maneira geral.

“O que é que poderia ser alterado? Era termos aqui o mar, e que dificilmente podemos alterar, seria um fator de atratividade, mas em contrapartida temos o rio Tejo, aqui bem próximo. Voltando aos valores patrimoniais, neste caso o património natural, o rio Tejo está dentro da esfera da reserva da biosfera, o Tejo Internacional, faz parte de um parque natural, e podem ser observados um conjunto de animais, nomeadamente aves, que dificilmente encontramos noutros lugares no seu estado puro.”

No que diz respeito àquilo que pode ser alterado, “sinceramente não conseguimos identificar nada, mas se calhar podíamos ter, em vez dos 52 mil habitantes, 60, 70 mil habitantes, mas também estamos a trabalhar nesse sentido, para aqui atrair novos habitantes e ao mesmo tempo fixar os que aqui vivem.” Nesse sentido a Câmara Municipal tem um conjunto de incentivos para a fixação e atração de habitantes. As crianças do pré escolar e primeiro ciclo não pagam as refeições escolares, e as que frequentam as creches que – ainda não estão isentas pelas medidas do governo – , os pais recebem 150 euros por mês, por cada uma das crianças e “temos um projeto, chamado “escola a tempo inteiro”, que permite aos pais e encarregados de educação, ter os seus filhos enquadrados por profissionais ligados à educação, no período em que estão na escola e não têm atividades letivas. Desde o momento que os pais os deixam de manhã, pelas oito horas, até ao final da tarde, às 18h30.

Fora das atividades letivas têm 70 professores a trabalhar com essas crianças, com várias atividades que vão desde a ginástica, ao teatro, do Inglês e de mais um conjunto de disciplinas que ocupam essas crianças de uma forma saudável e ao mesmo tempo educativa, dentro das interrupções letivas há os ATLs para essas crianças.

Ainda nesta perspetiva de atrair população, “devolvemos 4% de IRS que a Câmara Municipal devia de receber de cada um dos contribuintes que pagam IRS”. E as pessoas recebem esse valor quando submetem a sua declaração de IRS, nas finanças, é portanto um conjunto de incentivos bastante importante e que têm essa perspetiva e essa política de atrair, “mas também afixar os que aqui vivem.”

Em relação ao número de visitantes não têm um número preciso a quantificar, recebem cada vez mais, o Museu Cargaleiro, é muito visitado, o Museu Francisco Tavares Proença Júnior, também, e o Centro de interpretação do Bordado, o jardim Barroco, que é o jardim do Paço não ficam atrás, são essencialmente visitantes nacionais, sendo que os estrangeiros e os emigrantes também vão.

Castelo Branco é uma região de emigrantes, durante muito tempo os naturais desta localidade partiram essencialmente para a Europa, França, Suíça, Luxemburgo, Alemanha e outros, e vêm cada vez menos, mas na altura das férias de verão e no Natal fazem notar a sua presença.

A cidade em si é um mosaico ou um cartão de visita, onde é fácil percorrer e ao mesmo tempo gostar da cidade, “temos uma oferta cultural muito interessante que atrai muitas pessoas daqui e de fora, o parque do Tejo Internacional” e a serra da Gardunha e a sua envolvente. “É uma das Serras mais altas do nosso país, uma parte importante dessa serra virada a sul situa-se o Concelho de Castelo Branco”, e para os amantes de ar puro, e de passeios na natureza, é um passeio que recomendam vivamente, e desfrutar das belas paisagens que podem ser observadas na serra e a partir da serra.

“Também temos as nossas aldeias como a Vila de S. Vicente da Beira, onde o património cultural construído ainda é bastante significativo e interessante, temos a gastronomia da zona do Pinhal com a tigelada, o cabrito, e outras iguarias, o maranho muito centrada naquela zona, que se distinguem um pouco das localidades da proximidade do Tejo, com o Malpique e Monforte.” Onde o bucho, no que diz respeito à gastronomia se afirma como um prato de excelência, mas onde os azeites têm um valor significativo, sendo que a caça de Monforte de Malpica do Tejo são fatores de atratividade para visitantes e para quem gosta de caçar, sempre com o elemento forte de respeito pela natureza e de sustentabilidade.

Em relação aos emigrantes não têm dados objetivos quantos são, mas nos dois, três últimos anos têm tido muita presença no território. E os que quiserem voltar não ficam desprotegidos, “temos uma Associação a Amato Lusitano, disponível com um gabinete de apoio à integração dos migrantes.”

“Os principais países que recebemos mais imigrantes são essencialmente do Brasil, temos uma presença forte a trabalhar na Indústria e Construção Civil, mas também nos serviços, depois temos os provenientes dos Países de Língua Oficial Portuguesa (PALOP), mas também imigrantes que vêm do Oriente, da Índia, Bangladeche, onde já têm uma presença relativamente forte, muitos deles já integrados no mercado do trabalho.

“Continuamos a achar que temos capacidade de acolher e receber imigrantes, devidamente legalizados e enquadrados, e sobretudo disponíveis para fazer face às necessidades do mercado português.”

Os emigrantes dispõem de um conjunto de apoios mesmo ao nível central e também das pessoas de Portugal que vivem no litoral “e pretendem vir para o interior, esses programas serão uma ajuda ao regresso desses emigrantes, e que procuram um regresso às origens e fazer a sua integração no tecido social e económico do território trazendo para cá aquilo que foram os contributos que receberam e os conhecimentos que receberam, noutras regiões.”

Têm recebido muitas pessoas que estiveram muito tempo fora de Portugal e que regressaram, muitas dessas pessoas já na idade da reforma, onde contribuíram muito lá fora, e “gostaríamos que os mais novos, as segundas e terceiras gerações voltassem à sua origem e contribuíssem para o desenvolvimento, para a criação de riqueza e também para o preenchimento das vagas que aqui existem.”

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