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Sexta-feira - 1 Março 2024

CPLP: “Uma organização internacional com uma relevância cada vez maior no mundo”

Destaques

Em entrevista ao Jornal Comunidades Lusófonas, Zacarias Costa, abriu-nos as portas da casa CPLP e desvendou-nos sobre o funcionamento da mesma, contando-nos a história da Organização, de uma forma muito vertical e clara sobre os princípios que regem esta Comunidade, bem como os valores que defende.

“Eu vejo a CPLP como uma organização internacional com uma relevância cada vez maior no mundo”, que tem mostrando um grau crescente de uma maturidade política e institucional, que tem aprofundado o entendimento e concertação entre os seus novos Estados-Membros. Ampliando cada vez mais o diálogo e a cooperação com países terceiros, e outros organismos regionais e internacionais.

Zacarias da Costa vê a CPLP como uma plataforma multilateral de concertação, de cooperação e de desenvolvimento social e económico. Com atividades em tantas outras dimensões, encerrando um enorme potencial no futuro. “Porquanto é um espaço de diálogo e solidariedade”, e também de compreensão mútua dos novos estados-membros que o compõem.

“Como uma realidade viva e dinâmica, um lugar de construção de paz e de realização de democracia”, avança o Secretário Executivo.

Secretário Executivo da CPLP, Zacarias da Costa, com membros do Governo do Brasil em visita a Portugal

Uma organização profundamente comprometida com as grandes causas da humanidade e que toma como sua, das prioridades das principais agendas globais. Abarcando as dimensões sociais e económicas, e também ambiental, a CPLP hoje pode ser vista como um polo estrategicamente atraente “porquanto aglutinador” de interesses diversos, e um lugar de exaltação das crianças e dos jovens, das mulheres e dos homens. E citando Marcelo Rebelo de Sousa, que diz “o valor de uma comunidade de países irmãos, como a CPLP reside na capacidade de trabalharmos em conjunto esbatendo barreiras culturais, institucionais e até jurídicos.”, fim da citação.

A integração de novos membros

Como cidadão timorense, e como Secretário Executivo, é a primeira vez que um cidadão Timorense está neste cargo, “tenho de referir que o referendo, a consulta popular em Timor-Leste, culminou na independência do meu país, foi um dos acontecimentos marcantes”. Não só para Timor-Leste, como também para a CPLP no seu todo.

Nós assistimos à nossa liberdade e à nossa independência, também graças ao forte apoio dos países da CPLP, e a integração de Timor-Leste como o oitavo Estado-Membro, da nossa comunidade. Um regresso à família que sempre pertenceu.

Outro acontecimento marcante foi o fim da guerra em Angola. Marcando assim a CPLP como uma comunidade de paz. Muito embora, com um ou outro distúrbio aqui e ali, nos últimos anos, mas não uma guerra como o que aconteceu em Angola, que também foi um acontecimento marcante.

De referir também da adesão da Guiné Equatorial, que aconteceu em 2014, na cimeira de Dili. Tendo havido um crescimento de oito para nove membros, até hoje com considerável aumento do número de observadores associados que passou desde 2014 até à data. A cimeira de Dili em Timor-Leste, “passamos a ter 32 associados em 2020”, na última cimeira realizada em Luanda. O que “coloca certamente desafios à nossa organização”.

Acontecimentos marcantes

“No meu mandato, quero referir dois acontecimentos, nomeadamente a ratificação em tempo recorde, nos Estados-Membros da nossa comunidade, bem como da adoção do terceiro objetivo geral, “nós falámos do quarto pilar da nossa organização, que é precisamente a cooperação económica e empresarial”.

Todos aproveitaram bem a CPLP, digo “todos” porque já tiveram a oportunidade de presidir, alguns pela segunda vez, os destinos da organização, e assim imprimirem um cunho mais pessoal sobre os temas do interesse do conjunto dos Estados-Membros. Mas de uma forma que teve em conta o princípio do consenso. Envolveram-se muitas atividades em matérias de cooperação para o desenvolvimento em instituições e aparelhos públicos e no seu aprofundamento do diálogo e concertação político-diplomático.

Conseguimos eleger individualidades dos Estados-Membros para importantes posições ou cargos de relevo em organizações internacionais. E nos mais variados setores, também organizaram várias iniciativas para refletir e procurar soluções para os desafios e os problemas que afetam, não só um dos países, mas também o conjunto da “nossa comunidade”.

A integração de novos membros

Os Estados, ou Organizações Internacionais que pretendam adquirir a categoria de observador associado terão de partilhar os princípios orientadores designadamente as práticas, designadamente no que se refere a promoção de práticas democráticas, à boa governação, ao respeito dos Direitos Humanos e certamente terão de ter também um aspeto que é fundamental, a profusão e difusão da língua portuguesa.

As candidaturas deverão ser devidamente fundamentadas de modo a demonstrar o interesse real para os princípios e objetivos da CPLP, importa referir que “temos hoje 32 observadores associados” 28 países dos mais variados blocos geopolíticos e quatro organizações internacionais, e uma lista ainda por aprovar pela conferência dos chefes de Estado e de Governo, “que espero que possa acontecer brevemente em S. Tomé e Príncipe”, refere o Secretário Executivo, Zacarias da Costa.

Percorreram um longo caminho de mais de um quarto de século com muito dinamismo. “Estamos prestes a celebrar os 27 anos, no próximo dia 27 de julho, e quero aproveitar esta oportunidade para prestar a minha justa homenagem a todos quantos antes de mim, corporizaram, esta realidade que se chama CPLP”. (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa ). Fazemos hoje parte de uma comunidade vasta de cerca de 190 milhões de pessoas espalhadas por quatro continentes.

E em crescente expansão. “Gostaria de referir de pesquisas do observatório da língua portuguesa, indicam que o português é a língua que nos une”, indicam que o português como língua materna e representam hoje, um crescimento em todo o mundo. Bastante superior ao castelhano e ao inglês. Já é a terceira língua mais falada no ocidente. A primeira do hemisfério Sul, e a quarta mais falada em todo o mundo. É a uma das cinco línguas mais usada na internet, e é a língua oficial e de trabalho em 38 Organizações Internacionais.

O cinco de maio

Estamos prestes a invocar mais um dia Mundial da Língua Portuguesa, no próximo dia 5 de maio, e quer saudar todos os concidadãos da CPLP, e dizer que “esta nossa celebração da língua portuguesa é também uma celebração do espírito de paz”, que rege a nossa comunidade dos países de língua portuguesa. Uma comunidade onde “o nosso relacionamento se constrói exclusivamente com base na sua integridade”, na compleição mútua na busca de cooperação e desenvolvimento dos “nossos povos em todos os aspetos”, e pensa que nestes dias conturbados que vive o mundo hoje, celebrar a língua portuguesa, é celebrar o diálogo. O entendimento, a cooperação mútua, e o valor incomensurável dos intercâmbios culturais. “Só me resta agradecer a todos pelo dia Mundial da Língua Portuguesa, que celebraremos daqui a pouco. Essa é a nossa língua que nos une, como organização, como comunidade. Teremos muitos desafios à frente, mas tenho a certeza que venceremos”, finaliza desta forma Zacarias da Costa.

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