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Sexta-feira - 1 Março 2024

Das Comunidades portuguesas de Nova Iorque para o mundo

Destaques

Quem não se lembra do Jornalista Luís Pires, que tem feito a sua carreira entre Nova Iorque (Newark) e Portugal. Quem o conhece sabe que é uma pessoa amiga para sempre, podem passar-se anos, mas a amizade está sempre lá. Deu-nos o seu testemunho de vida de um profissional ímpar, é um jornalista de mão cheia de muito talento e trabalho, sendo muitas vezes pioneiro a dar notícias de destaque. Fiquemos então com o seu “depoimento”.

Começou a fazer Rádio, nos Emissores Associados de Lisboa, tinha 17 anos. Com Luís Pereira de Sousa e Manuel Celeiro, depois foi para o Rádio Clube Português com a Cidália Meireles, fazer a “Cidália nos céus de Portugal”, onde passaram nomes conhecidos, da Rádio, que ainda hoje estão no ativo. Depois foi para a Renascença, com o Fernando Peça, e com o Júlio Isidro fazer “O Terminal”, depois veio o “serviço militar fui para Moçambique, e lá desempenhei a função de locutor de Rádio de Moçambique, e li os acordos de Dar Es Salaam, para o país inteiro em 1974.” Quando regressou foi para a RDP, entretanto “os meus pais emigraram para os Estados Unidos e eu segui-lhes os passos”.

Continuou os estudos nos Estados Unidos, fez o mestrado na NYU em Comunicação Social. Fez um pequeno curso de Indústria Hoteleira, e dirigiu um hotel, em Boston. Foi convidado pelo José Eduardo Moniz, para ser correspondente da RTP, função que desempenhou durante quinze anos como correspondente. Depois voltou a Portugal em 1993 até 1999, esteve apresentar programas.

Regressou com a TVI para os Estados Unidos até 2005. Porque já não tinha muita vontade de andar pelo país inteiro, aceitei o cargo de Diretor do Jornal Luso Americano. Onde se manteve durante vários anos, e há cerca de oito, nove anos, “aceitei o cargo de Diretor de Informação da SPT na SIC Internacional, onde estou a trabalhar, com uma equipa, ao todo dezasseis jornalistas e operadores de Câmara, estamos no país inteiro.”

“É inédito, sendo neste momento a maior estação de televisão de toda a diáspora. Na medida em que emitimos e transmitimos a programação da SIC Internacional, também com a nossa programação local inserida nesse contexto”.

Crises” de identidade

As comunidades lutam com grandes problemas de afirmação, sobretudo, os clubes e Associações que tendem acabar. Porque já não há gente para tomar conta desses Clubes e Associações, a juventude debate-se com problemática de identidade da língua, mas felizmente só o Folclore e o Futebol, têm contribuído, e muito, para esse desenvolvimento dessa juventude.

Quando os clubes ganham, Benfica, Sporting ou Porto, há milhares de pessoas nas principais ruas nas cidades a agitar as bandeiras dos seus clubes.

E o Folclore que tem à volta de 20 ou 30 Grupos Folclóricos espalhados por todoo país, multiplica-se por 100 e vê-se dezenas de milhares de jovens a cantar e a dançar português. “Para mim, isto é o máximo de ação cultural de extrema importância, porque não há mais nada.”

“Os governos não nos têm dado nada”, só têm sido muitas promessas, não há interesse em ir votar em Portugal, na medida que Portugal se distancia também mais dos emigrantes. Pelos coordenadores, que têm feito um excelente trabalho, mas não podem ir mais além.

Algumas Universidades Americanas, Escolas e algumas Associações clubes e pouco mais que isso. Não nos podemos esquecer que o Dia de Portugal é celebrado aqui por milhões de pessoas, “digo milhões porque, aqui na Ferry Street, vêm cerca de um milhão de pessoas todos os dias, nos três dias de festa, das celebrações do Dia de Portugal”, a assistir a essas comemorações desse dia. “Onde é que isso acontece? Não acontece em mais lugar nenhum lugar do mundo, em Portugal vão para a praia, e aqui vão para o Dia de Portugal. É uma diferença muito grande, porque é a saudade a falar mais alto”.

“É preciso dar às pessoas aquilo que elas querem e precisam, não só do Conceito das Comunidades, do governo, e do próprio Estado. Sentimo-nos um pouco abandonados, por Portugal no que diz respeito ao apoio que nos mereciam dar e não dão.”

“O trabalho das Nações Unidas era diário, enquanto fui correspondente na RTP. Foi daí que nasceram muitos contactos com vários delegados de outros países do mundo, e daí nasceu a minha primeira notícia do início da Guerra do Golfo, foi dada aqui nas Nações Unidas, e depois mais tarde na TVI fui o primeiro jornalista a relatar a queda das Torres Gémeas, em direto com Henrique Garcia, que podem ser vistos nos arquivos da TVI.”

Entretanto percorreu toda a América Latina com notícias sobre as comunidades e outras, mas “o que é importante referir é que Portugal, como já disse, tem tido um papel fundamental na sua afirmação de identidade junto das nossas comunidades, somos gente muito bem vista, temos o nome que nos honra em continuar a realçar a nossa honestidade, capacidade de trabalho, temos feito muito nos Estados Unidos por isso merecíamos um pouco mais.”

Planos de futuro

Os emigrantes quando saem de Portugal levam as saudades, “eu quando sair daqui vou levar saudades. Sinto o meu dever cumprido, foram quase 60 anos a trabalhar com as comunidades portuguesas, vou levar muitos amigos na bagagem, muitas lembranças e memórias de momentos vividos nos Estados Unidos e não só.”

Quanto ao jornalismo, há que dar lugar aos mais novos, têm muito talento e muita garra, mas ainda lhes falta aquele toque de “humanidade”, quando estão em frente às câmaras, ficam muito robotizados, pensam que aquilo é um “brinquedo”. Mas chegam lá.

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