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De D. Afonso Henriques ao 10 de Junho – Uma Viagem colecionando Históricas Pegadas

Destaques

O presente conta do passado e ao mesmo tempo é o seu resultado. No presente decidimos sobre o futuro. E no Futuro o hoje é o passado com todas as consequências das escolhidas decisões. O 10 de Junho, Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, não esquecendo o Calendário Litúrgico Oficial da Igreja Portuguesa, que festeja no mesmo dia a Celebração do Santo Anjo da Guarda de Portugal, também conhecido como Anjo da Paz ou Anjo Custódio, resultou da nossa longa História Lusitana. Talvez soa estranho, porém começou com o primeiro rei da nossa nação e jamais deixou de colecionar “Históricas Pegadas”. “Pegadas” que escreveram muitas páginas no Livro da História de Portugal.

Do 25 de Abril ao 10 de Junho que hoje se celebra, verifica-se uma histórica evolução, que realça como a reconquista da liberdade, igualdade e pluralidade por fim transformou o nacionalismo da ditadura em identidade nacional voltada para a Mundialização. Um país fechado na ditadura começou a caminhar para a União Europeia e por conseguinte para um país europeu moderno, que pretendia deixar restrições em todos os setores do público ao particular no passado e começar a viver em democracia. Não foi um processo consensual, mas como Fénix, Portugal renasceu da Ditadura para a Democracia. Antes da Revolução, durante o Estado Novo, o 10 de Junho era o Dia de Camões e da Raça, que pretendia valorizar o nacionalismo e a superioridade perante as colónias. A Revolução dos Cravos mudou a perspetiva e começou a celebrar a cidadania de todos os portugueses nacionais, assim como dos emigrantes nos “Quatro cantos do Mundo”. Não esquecendo a herança da cultura lusitana, como o idioma e a história. A diáspora com suas comunidades portuguesas começou a ser integrada nas comemorações oficiais.

A história e cultura migratória começou a ser analisada, desde o facto do emigrante que deixava seu país “a salto” até à emigração que viajava com contratos. “Saltou” da memória das vítimas da Guerra Colonial para o dia dos cidadãos, das Forças Armadas e da Língua Portuguesa, assim como, o que é um pouco desconhecido, de dedicação ao Anjo Custódio de Portugal, também homenageado como Anjo da Paz ou Santo Anjo da Guarda de Portugal. Uma faceta que merece ser mencionada, atendendo que o nosso país escolheu como Padroeiro de Portugal uma figura angelical.

Conta a lenda, que na véspera da Batalha de Ourique (1139) D. Afonso Henriques (1106/09/11 – 1185) viveu uma Visão: Jesus Cristo rodeado de anjos apareceu com a profética mensagem referente à vitória sobre os mouros e à constituição do Reino de Portugal. Significava a legitimação divina da independência. Lenda introduzida na Bandeira: as cinco quinas simbolizam os 5 reis mouros, que foram derrotados e os pontos brancos as 5 chagas de Jesus Cristo. Mais tarde foi D. Manuel I (1469-1521), que solicitou a consolidação do antigo culto de devoção ao “Anjo Custódio do Reino”. A história continuou a viajar até chegar a Fátima: Aparição do Anjo da Paz aos pequenos Pastorinhos. Nas suas Memórias conta a Irmã Lúcia, que em 1916 apareceu o Anjo da Guardo para anunciar as aparições de Nossa Senhora.

Muito história integrada no dia 10 de Junho. Sua origem remonta a 1880, quando Sua Majestade, o rei D. Luís I, declara por intermédio de real decreto a hipotética data do falecimento do ilustre poeta Luís Vaz de Camões, como “Dia de Festa Nacional e de Grande Gala”. O objetivo era celebrar os 300 anos da morte do grande Poeta. No entanto, não foi uma data consensual. Conheceu muitas alterações. Após 1952 foi decretado “Dia de Portugal”, a fim de valorizar o grande Poeta. No mesmo ano, o “Dia do Anjo Custódio de Portugal” é, a mandado do Papa Pio XII, inserido no Calendário Litúrgico no contexto do Dia de Portugal. Acontece que a designada data continuou a ser alvo de alterações. Da Poesia e Paz para a Guerra: 1963 é adicionada a homenagem às Forças Armadas Portuguesas, a fim de enaltecer o Poder Colonial. Em 1978 conheceu nova alteração, que persiste até aos dias de hoje. Resultado deriva da Revolução dos Cravos que ofereceu um novo Portugal à própria Nação Lusitana e à Europa.

Hoje é um dos principais feriados do calendário português festejado nos “Quatro cantos do Mundo”, como realça Sua Ex.ª, o Senhor Presidente, António José Seguro:

“Onde estiver um português está Portugal.”

Bom dia 10 de Junho, que continue a colecionar Histórias da Vida para a Humanidade.

Isalita Pereira

Historiadora-Investigadora

Isalita Pereira
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