Fernando Rio, nasceu em Viana do Castelo no ano de 1981. Fez todo o seu percurso académico em Portugal: estudou Engenharia Civil e do Ambiente no Politécnico de Viana e ao fim do terceiro ano foi para França, onde foi recebido por familiares. Mas aos 22 anos levava consigo a aventura da emigração e juntamente com o irmão no ramo de créditos à habitação, começou a trabalhar na respetiva área. Transformou-se em homem de negócios. Com os negócios a correrem bem tem a possibilidade de vir a Portugal entre quatro a cinco vezes por ano. Inicialmente, quando chegou a Paris, deparou-se com algumas dificuldades linguísticas, mas a necessidade fez com que se dedicasse à leitura. Conta, que realmente começou a ler muito. Desde 2001 encontra-se na terra do “queijo e da baguete” e muitas histórias de vida para contar.
Apesar da formação em Engenharia, é intermediário em crédito à habitação. O seu irmão criou a empresa há mais de 35/40 anos. Nem sabem ao certo quando foi. A empresa familiar é a Rio Conseils Crédits, criada nos anos 90. Fernando começou a trabalhar como empregado em 2003 e hoje é sócio. Em 2023 entraram numa rede chamada Crédit Courtier de France. Que trabalha em parceria com vários intermediários ligados por intermédio de Crédit Courtier de France. Reforçando e dando um novo ímpeto, assim como uma diferente postura ao negócio. A primeira empresa deve-se à mão do irmão de Fernando. Fernando deixou a engenharia para se dedicar aos negócios da família, que de certa forma não foge muito das regras da engenharia financeira, sendo que foi essa vertente que enveredou.
A primeira barreira foi o idioma. Não sabia falar francês, e o francês que aprendeu no secundário em Portugal, não foi o necessário. Mas como é um profissional que gosta de aprender começou a praticar. “E pedra mole em pedra dura, tanto bate até que fura”. Como diz o velho ditado, a aprendizagem foi relativamente rápida.
Em 2001 existiam menos redes sociais, obrigando-o a cortar durante algum tempo as relações com Portugal, o que o “forçou” a adaptar-se e a aprender rapidamente francês. Após muito esforço “aprendi”, revela orgulhoso Fernando Rio.
Engenharia Civil e do Ambiente era um projeto a terminar, ou está bem na pele que veste atualmente?
“Sim, tinha seguido para engenharia Civil e do Ambiente” conta. Frequentou os estudos secundários todos até ao 12 ano, e depois fez 3 anos da Engenharia como vários colegas seus da altura, e com quem ainda hoje mantém contacto. Estão a trabalhar em empresas, alguns em Portugal, outros também foram para o estrangeiro. Um até viajou e emigrou para Angola. Mas a maior parte ficou por Portugal, e ainda estão no ramo da engenharia.
“Penso que seria o meu caso se tivesse ficado por aí”, mas ir para França, também foi uma boa escolha. A área de estudos das engenharias tem sempre muita empregabilidade, e isso não seria um problema para Fernando. Mas agora está em França, e por lá vai-se mantendo.
Foi também pela experiência, sair de Portugal em 2001, conhecer novas oportunidades e ver a vida de outras perspetivas.
Já sentiu o apelo à terra que o viu nascer?
Fernando responde de imediato “Sim, ainda acabei por não fazer, mas informei-me várias vezes. É verdade que tinha essa ideia e para ser sincero, ainda hoje, faço formações, mas mais ligadas ao ramo, onde me encontro atualmente.” Destaca. Faz negociação de crédito imobiliário, mas também se especializou em seguros. Diversificou um bocado e continua a procurar outras possibilidades: “O problema é o tempo, ou melhor, a falta dele! E continuar com três frentes entre o trabalho, estudos e vida familiar, não é fácil!”
Quantas vezes vem a Portugal?
É um homem muito viajado e vem a Portugal umas quatro a cinco vezes por ano. Vai muitas vezes à Madeira, apesar de não ser natural de lá, mas gosta muito de visitar a ilha das flores. E como todo o bom português, dedica dois meses, Julho e Agosto, para passar umas merecidas férias na terra Natal.
Em 2001 ainda não havia tanto contacto como as redes sociais. Mas sente que agora as pessoas estão mais ligadas, o que por um lado é bom, mas também pode dificultar, por outro a adaptação ao novo país. É preciso saber estar no intermédio.
Verificou como emigrante, que os portugueses quando estão longe do país, vivem mais as suas origens, do que propriamente em Portugal. Vestem a camisola da seleção, literalmente, e sempre muito fervorosos por Portugal. Quando morava em Portugal nunca assisti à eufórica paixão de patriota português. Também conhece muitas associações portuguesas em França, que permitem uma proximidade ao que é luso, ao idioma e às tradições. E que ajudam muito a matar as saudades.
Sente-se realizado em França?
“Muito”, diz Fernando Rio, como toda a comunidade portuguesa, sente-se que cada vez mais uma vontade de voltar ao país, porque para ser realista, a economia portuguesa tem dado exemplo e desenvolvido bastante. Em França, a economia, as empresas, a construção, o transporte, atravessam de momento um período muito complicado. Portugal tem sabido dar a volta por cima, o que é positivo e até como um modelo de referência em França e não só.
Uma mensagem para os emigrantes ou os nacionais que pretendem emigrar
“Orgulho – não podemos impor a nossa cultura na casa dos outros, mas nunca me senti discriminado. Sou tratado de forma igualitária por quem está à nossa frente. É verdade que se verificam muitos estereótipos em relação à comunidade portuguesa e sente que muitas pessoas sofrem com o descrito. Precisamos de responder com inteligência: somos humanos e não somos perfeitos e existem pessoas boas e más. Simplesmente é a real verdade. E também nos podemos orgulhar de Portugal: está a ficar com muita boa imagem no estrangeiro. Vou várias vezes a Portugal com amigos franceses. E em Setembro vou com nove amigos, oito são franceses e vamos passar quatro dias em Portugal. Sempre que posso, vou a Portugal com amigos e mostrar o país e o melhor que tem a oferecer”. Arremata Fernando Rio! Só não entra golo porque já não tem “genica” para o futebol, mas a magia conta sua história!




