22.1 C
Vila Nova de Gaia
Sexta-feira - 12 Junho 2026
No menu items!

DESTAQUE: Conselho da Diáspora – mais de 1500 pessoas, Presidente de Angola João Lourenço e Marcelo Rebelo de Sousa estiveram presentes

Destaques

A manhã começou bem cedo e a temperatura já se fazia sentir lá fora, os 30 graus prometidos ultrapassaram num abrir e fechar de olhos, a praia era já li ao lado, mas eramos “empurrados” para o Salão de Congressos da NOVA SBE, em Carcavelos, estava repleto. Nem os corredores escaparam para ouvir os mais entendidos sobre as mais diversificadas matérias, investimento em África, importância da transição Energética, dentre outros temas que ressaltam nas agendas dos países interessados.

Presidente do Conselho da Diáspora Portuguesa António Calçada de Sá

África o continente mais jovem, podia ser a parangona usada. Muitas das atenções já estão viradas para lá, mas falta a concretização das palavras às ações com muitos recursos à disposição, Embaixadores, Ministros, Responsáveis de organismos, públicos e privados, empresários, executivos, investigadores, um conjunto de pessoas ao mais alto nível, que deixaram o seu contributo para um planeta mais sustentável. Mas um dos momentos muito desejados, conduzido por a Jornalista Joana Petiz, foi a conversa entre o Presidente da República Portuguesa, Marcelo Rebelo de Sousa e de Angola o Presidente João Lourenço, no fim da oitava edição do Eurafrican .

Foram dois dias (25 e 26 de julho) de grandes debates e temas a abordar, estavam na sala mais de 500 pessoas por dia, totalizando mais de 1500 pessoas e 20 órgãos de Comunicação Social.

O presidente do Conselho da Diáspora, António Calçada de Sá, fez as honras da casa, e deu início aos trabalhos.

Nuno Piteira Lopes, Vice-Presidente da Câmara de Cascais deixou uma palavra e agradecimento, ao Conselho da Diáspora Portuguesa, por ser Cascais mais uma vez o palco de tão elevado número de pessoas vindas de 44 países diferentes. Das suas palavras saíram compromissos sérios entre a Europa e África. É preciso investir mais naquele que é e será o continente mais densamente povoado, e mais jovem do planeta. Lembrou a importância de intercâmbios académicos. “Os jovens não podem ser negligenciados”, referiu o Nuno Lopes.

Relembrou aos presentes que Cascais para o ano que vem vai ser a “Capital Europeia da Cidadania”, também é necessário trazer África para o centro do debate, e que contem com Cascais.

Paulo Rangel Ministro dos Negócios Estrangeiros

Durão Barroso deixou a sua mensagem em vídeo, dizendo que a agenda 2063 é uma meta muito ambiciosa, mas necessária. Falou da importância da energia, dos financiamentos das instituições, que África é o ator principal, neste guião ao nível internacional. E termina dizendo que “há uma necessidade urgente de criar pontes entre os continentes para a sustentabilidade e crescimento.”

O Ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, fez questão de falar em português. Orientou a sua intervenção dando ênfase na questão da paz para um crescimento real, sem paz não há desenvolvimento, pois traz morte, atraso e instabilidade política e social. Falou no caso de Gaza, mas também não se esqueceu da Somália, Ruanda, República Democrática do Congo, entre outros. Estes países vivem em guerras constantes há décadas. Referiu também que a Europa é rica, mas velha, e África é pobre mas jovem. Deixando no ar estes dois factos.

Durão Barroso em video

Nuno Rangel, foi um pouco mais longe, dizendo mesmo que “África não é o futuro, é o hoje”. Segundo ele tem de haver investimentos massivos, para alavancar as economias dos países africanos, já Sara Antunes, Climate Representative para Marrocos, há muita falta de regulamentação em África e até usou uma situação um pouco caricata: A África do Sul importa galinhas do Brasil, quando podia importar de outros países africanos.

O Ministro do Estado e das Finanças, Joaquim Miranda falou que é necessário que haja um desbloqueamento e financiamento, no clima e segurança. Fazerem mais parcerias, apostar nas energias renováveis, e que é necessário a conversão de investimento em economia verde.

Todos estão alinhados para que haja um combate às assimetrias da energia, que haja uma maior descarbonização e investir cada vez mais nas energias limpas. Tema em que todos acordaram ser importante, para que haja um desenvolvimento sustável.

No continente africano, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe, são dois países onde se usa mais energias renováveis, e não são países ricos, também enfrentam as suas necessidades.

Isabel da Aler, concorda, que a transição energética tem de ser feita a um ritmo mais acelerado. Segundo a mesma há várias transições energéticas.

Para João Gomes, da Imperial College, há 600 milhões de pessoas que não têm acesso à energia, em África, e considera a Nigéria como uma potência global, “há que saber tirar proveito” salienta João.

O Ministro dos Transportes de Angola, Ricardo Viegas, defende o conhecimento na ciência e no progresso de Angola.

No entender da Embaixadora Rita Laranjinha, relembrou que a primeira conferência entre Angola e a EU foi há 25 anos, é muito tempo, e refere em inglês que “The peace factor is the key”, que em tradução livre quer dizer “A paz é o fator chave”.

No final destes debates chegou a hora mais esperada do Fórum, a conversa entre o Presidente de Angola João Lourenço, e de Portugal o Presidente Marcelo Rebelo de Sousa.

A entrada no auditório foi de pompa e circunstância, o protocolo não foi alterado, a primeira Dama de Angola estava presente, e o casal estava muito bem disposto.

Não houve nada de relatar, apenas a vontade em ouvir o que os dois líderes destes dois países tinham a dizer sobre a atualidade.

Joana Petiz moderou o debate ao mais alto nível. E lançou os temas que são atualmente recorrentes, África, ou melhor há várias Áfricas, e continua na sua senda, a escassez de alimentos em muitas regiões e países africanos.

João Lourenço começou por dizer que a língua portuguesa tem as mesmas nuances, e Marcelo Rebelo de Sousa relembrou o pós 25 de abril, a independência e vinte e tal anos depois surge a necessidade da criação da CPLP. A tecla da juventude foi mais uma vez tocada, África é um continente jovem com muito para dar. Nas palavras de Marcelo Rebelo de Sousa, o potencial humano é o mais importante, pois são os jovens de hoje, os líderes de amanhã.

João Lourenço, conta com a europa há mais de cinco séculos. Angola precisa de ser fortemente investido, ou com capital e empresas públicas ou privadas e os setores mais críticos são, as infraestruturas, nas pontes, estradas, hospitais, escolas, energia, um conjunto de áreas que estão indissociáveis para o desenvolvimento, sem investimento e dar-lhes prioridade não há crescimento.

Marcelo Rebelo de Sousa, concorda com o eu o seu homólogo referiu, e adiantou que a Europa é comercialmente muito forte e pode dar o empurrão certo a este país irmão.

A importância da União Europeia e a União Africana

João Lourenço salientou que África e a União Africana precisam que a União Europeia passe das palavras às ações, ao terreno, contruir hospitais, escolas, estradas, linhas de ferro para facilitar a comunicação, o uso de energias limpas com o aceleramento da transição energética. “Angola é um país rico em matérias-primas”, e precisa de mais infraestruturas que a coloca acima ou abaixo do desenvolvimento.

Revela também que o mercado é aberto e está à disposição de quem queira investir nele, sem o desfigurar, ou descaracterizar. Pois sem infraestruturas não há desenvolvimento, e a economia fica estanque.

João Lourenço disse também que o seu continente é rico em água, em recursos hídricos e que já estão a ser feitas barragens em alguns países africanos, na captação da água para a produção de energia elétrica, falou também dos Grandes Lagos, e do Corredor do Lobito, um corredor muito importante para Angola e não só.

O Presidente no final deixou uma mensagem: “Conseguir o financiamento através da União Europeia, o problema da imigração ilegal a partir de África, a partir no Norte daquele continente, e que África encontre forma de garantir emprego aos cidadãos dos seus países, e que não tenham que se expor a viagens perigosas.

Marcelo Rebelo de Sousa está confiante no alinhamento europeu, na Cimeira em Luanda com a União Europeia e a União Africana em novembro.

Foram dois dias cheios de muito boas ideias, alguma ambiciosas, mas que deixaram os presentes otimistas.

Lígia Mourão
Ver Também

AILD propõe a criação do Dia do Lusodescendente e pede audiências no Parlamento

A Associação Internacional dos Lusodescendentes (AILD) anunciou no dia 5 de junho, uma iniciativa para instituir oficialmente o Dia do...