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Sexta-feira - 1 Março 2024

Dos Açores aos Estados Unidos, unidos por um laço de amor

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Márcia Sousa, disse ao Jornal Comunidades que o que a fez emigrar, foi o amor. Conheceu o seu atual marido e já estão juntos há 15 anos. Com dois filhos estão bem instalados em Providence nos Estados Unidos, é Consultora do seu próprio negócio, esteve a trabalhar sete anos no Consulado de Providence onde quatro foram dedicados como Vice-Cônsul.

Estavam num dilema e numa indecisão, em 2007: se uma açoriana iria viver para os estados Unidos, ou um americano iria para S. Miguel, nos Açores!

E a decisão foi “virmos para o Providence”, nos Estados Unidos. “Já se passaram mais de quinze anos e cá estou”. Claro que “todos os dias dá aquela vontade de regressar, mas cá estou, e a vida leva-nos por caminhos que temos que seguir em frente”, refere Márcia.

Entretanto “vêm os filhos, as responsabilidades, vêm outros compromissos que nos obrigam a não ter que pensar nisso por agora”. Há sempre uma vontade que fica para o futuro.

Tenho dois filhos, de doze e de catorze anos respetivamente, falar português com eles é a minha luta diária, e cada vez é mais difícil, os amigos são americanos, o que torna ainda mais difícil falar em português, e estão naquela fase em que falo em português e respondem-me em inglês.

Nos meus primeiros dois anos quando cheguei aos Estados Unidos fiquei em casa, fui mãe. Depois abriu uma vaga para o Consulado de Providence, uma vaga para assistente administrativo, e trabalhei no Consulado durante sete anos, até ser nomeada Vice-Cônsul, uma nomeação política.

Em 2014 estive a desempenhar o cargo durante quatro anos, e há relativamente pouco tempo, desvinculei-me do Ministério dos Negócios Estrangeiros, e estou a trabalhar por minha conta. Tenho um pequeno escritório de prestação de serviços, onde desempenho a função de consultora. Fazemos um bocadinho de tudo. Sou licenciada em Gestão de Empresas, associada às funções que eu desempenhava no Ministério, e também por conhecer a realidade da nossa comunidade decidi iniciar esse escritório.

É apenas um escritório que serve de intermediário da nossa comunidade que pretendem ver alguns assuntos resolvidos em Portugal, e foi no sentido de elo de ligação que nós abrimos este escritório, que eu apelidei de “Portugal Solutions”. Porque era mesmo nesse sentido, apoiar a nossa comunidade em todos os assuntos que possam ter haver com Portugal. Eu gosto de dizer que não estou com este escritório, para sobrepor o Consulado, pois temos as nossas representações consulares, e estão direcionadas e vocacionadas para fazer muitas coisas. Nós não competimos em nenhum aspeto, nós apenas complementamos. Há muitos anos havia aqui agências de viagens que faziam procurações, traduções, preenchimento dos formulários, mas as agências deixaram de o fazer.

O nosso escritório foi um pouco isso, juntar o meu conhecimento e a minha experiência, tanto em Portugal como nos Estados-Unidos. Agora desempenho a função de consultora, mas nós fazemos um pouco de tudo.

Abrimos o consultório há cerca de um ano, foi quando me desvinculei do Consulado, e focamo-nos muito em várias as áreas, o nosso projeto também está vocacionado para o curso para a cidadania, ajudamo-los a explicar a história Americana, para obterem o cartão de cidadão Americano. Para se sentirem mais integrados aqui nos Estados Unidos.

Temos tido muita procura, estamos localizados em Rhode Island, mas também apoiamos pessoas de outros Estados. Também fazemos muitas consultas online, via Zoom. Para além disso estamos a ajudar pessoas da segunda e terceira geração, damos aconselhamento em determinadas áreas, neste campo também temos tido alguma procura. E apoiamos a nossa comunidade a serem encaminhados para os serviços Consulares, quando têm marcações on-line, quando têm de obter determinados documentos, que só os Consulados podem dar e fazer.

Ajudamo-los a facilitar o trabalho até chegarem ao Consulado, para que as coisas já vão mais facilitadas. Apoiamos aqui as duas partes.

Mas também há espaço para o lazer. As festas do divino espírito Santo, também se realiza aqui. Apoio a minha comunidade quando posso, “também sou a comunidade”, é muito diferente vir cá de visita apoiar a comunidade, do que quando se vive na comunidade. Também tive a felicidade de vir viver para um Estado, que é pequeno, tem uma grande percentagem de comunidade portuguesa, e temos um pouco de Portugal aqui, desde as vivências, a culinária, culminando com as tradições.

Somos portugueses, mas com características Açorianas. E duas palavras que definem os Estados Unidos: Oportunidade e Integração.

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