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Sexta-feira - 1 Março 2024

Duarte Pinheiro: de Santo Tirso para a Califórnia

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O português, Adjunto da Coordenação do Ensino Português nos EUA, está naquele país há 10 anos. É Adjunto de Coordenação ao serviço do Camões, Instituto da Cooperação e da Língua, I.P., mas tem outras funções. Vive com a mulher e os seus dois filhos na Califórnia e ali se estabeleceu. Viveu noutros países, mas o amor levou-o até aos Estados Unidos.

É natural de Santo Tirso, estudou na Universidade de Coimbra, tendo cursado Línguas e Literaturas Modernas, variante Estudos Portugueses e Ingleses.

Fez Erasmus em Dublin, na University College Dublin, em 2002/2003 e, após terminado o curso, estagiou em Coimbra, na Escola Secundária Avelar Brotero. De seguida foi para a Itália, onde a sua ligação ao Camões I.P. começa de forma indireta, no ano letivo de 2006/2007.

Na altura foi como leitor, não do Camões, I.P., mas fruto de um protocolo de apoio à docência, entre o Camões, I.P. e a Universidade de L’Aquila e aí trabalhou até 2013.

Lecionou ainda na Universidade de Salerno, no Sul de Itália, perto de Nápoles, entre 2010 e 2013. Entretanto, em 2012 conheceu a sua atual esposa e mudou-se no ano seguinte para os Estados Unidos.

Por questões burocráticas que o impediram de trabalhar no imediato no ensino, Duarte Pinheiro explica “começo a ensinar numa escola comunitária na Califórnia, em 2015, na Escola Comunitária Portuguesa de Sausalito, que é a cidade geminada com Cascais.” É do outro lado da Ponte Golden Gate, a cidade a seguir à Golden Gate, “comecei a ensinar aí e, em julho desse mesmo ano, ainda ligado ao Instituto Camões, através de um protocolo ligado à docência, fui leitor em Berkeley durante cinco anos.”

Em 2019, começou a desempenhar as funções de Adjunto da Coordenação, que é composto por uma equipa de três pessoas para todos os Estados Unidos, nomeadamente o Coordenador do Ensino, João Caixinha, o seu colega adjunto José Carlos Adão, que está em Newark e “eu que estou na Califórnia.”

“A minha ligação às escolas, ao sistema de ensino, é abrangente, porque focamo-nos essencialmente no ensino pré-escolar, até ao ensino secundário, mas as nossas funções vão para lá do apoio a esses níveis de ensino, temos imensos raios de ação, que envolvem universidades, assinatura de protocolos, de memorandos, e ainda as funções de ponto de rede cultural para o Consulado-Geral de Portugal em São Francisco, entre outras.”

Em 2019 ficou de forma direta ligado ao Camões, I.P., através de uma comissão de serviço, estando a desempenhar as funções de Adjunto de Coordenação. “A nível da parte académica como referi anteriormente sou licenciado em Português e Inglês, fiz o meu doutoramento em 2010 na Universidade Fernando Pessoa no Porto. Doutoramento em Comunicação, mas mais especificamente em Literatura. “Fiz doutoramento sobre uma autora Madeirense, Ana Teresa Pereira, no Porto, na Universidade Fernando Pessoa. Uma das maiores autoras de Literatura Policial, a Professora Doutora Maria de Lurdes Rodrigues Sampaio, que é da Universidade do Porto e ainda a Professora Doutora Celina Silva, que é professora em Teoria da Literatura, também da Universidade do Porto, fizeram parte do júri do meu doutoramento, em 2010.”

Atualmente vive na Califórnia, é casado, e tem dois filhos, um com cinco e outro com nove anos, e trabalha junto do Consulado de São Francisco. Contudo, a maior parte “das nossas escolas aqui, na Califórnia, estão concentradas no Vale Central”, pois a maior parte da comunidade portuguesa se concentra também nesse Vale.

Geograficamente, há outras escolas no estado da Califórnia onde se ensina Português, desde Chico, a norte de São Francisco, a São Diego. Neste momento “a minha função passa por apoiar todos os programas com a ajuda do Camões I.P. Essa ajuda contempla, a título de exemplo, a oferta de manuais escolares e materiais didáticos às escolas comunitárias.” Duarte Pinheiro acrescenta que “está ainda a decorrer a digitalização do ensino português, que passa pelo empréstimo de equipamentos digitais, para que os alunos possam aprender português online, estamos nessa fase de modernizar, digitalizar o ensino português.” Incrementar e estimular os alunos a aprenderem português também faz parte das suas funções.

Neste momento são cerca de 1700 alunos a aprender português. O número tem vindo a aumentar, “quando entrei em 2019 não havia um número exato, porque a Califórnia é um Estado enorme, são 40 milhões. Por vezes é difícil mapear todas as escolas e programas de português. Esse mapeamento foi feito assim que entrei para o Instituto, em 2019. Atualmente são cerca de 1700 alunos a estudarem Português na Califórnia, desde o pré-escolar ao ensino secundário.

Em agosto de 2023 abriu um programa de português no ensino secundário privado em Stockton, numa escola católica. Não havia programas de português em escolas privadas, tendo a Saint Mary’ s High School sido primeira. É um caminho “que temos que fazer” neste âmbito.

No que diz respeito à cultura portuguesa, refere “temos esse acesso à cultura portuguesa mais no imediato. Compro livros de literatura, temos a televisão. Também há os clubes, as Associações que organizam imensos eventos e assim dá para mantermos ligados a Portugal”. E conclui “a Califórnia é muito dispersa, é cinco vezes maior, em termos de território do que Portugal e quase 40 milhões de habitantes”.

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