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Sexta-feira - 1 Março 2024

Em missão na Somália: A Viseense do Programa Alimentar Mundial (World Food Programme)

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Oficial Sénior de Programas e Políticas com a pasta de sistemas alimentários e mudança climática, no Programa Alimentar Mundial (WFP), é este o cargo que Andreia Fausto ocupa na Somália. Natural de Trevões, São João da Pesqueira, Distrito de Viseu, estudou nos Açores e continuou os seus estudos em Saúde pública Veterinária, na Universidade de Glasgow, na Escócia, Reino Unido. A vontade de trabalhar no âmbito internacional estava ali ao lado.

Começou a trabalhar em 2009, em regime de estágio no DFID (agora FCDO) Departamento, Internacional do Governo Britânico, enquanto dava aulas de portugues a estrangeiros e fazia o mestrado- foi assim que deu um salto para a carreira internacional.

Do Reino Unido foi para o Malawi, na África Austral, onde esteve a trabalhar com algumas Organizações Não Governamentais e com a embaixada do Brasil em Lilongwe. Foi, depois disso, trabalhar para o Programa Alimentar Mundial em Maputo, Moçambique onde coordenou um programa de acesso a mercados, e pequenos produtores, e depois tinha o futuro traçado ir para um nível mais elevado, numa área mais político-estratégica, em São Tomé e Principe, no ano de 2017.

Depois de escrever o plano estratégico do país do WFP, foi para o Sudão, durante três anos e pouco, onde esteve na área de emergência, em que era responsável pelos planos distribuição de comida e transferências monetárias à população mais vulnerável. Esteve baseada em Cartum, a capital do Sudão, tendo assistido ao primeiro golpe militar de 2019, onde caiu Omar Al-bashir. Posterior a isso, e várias missoes depois, aterrou na Guatemala como chefe de programas em 2021, onde ajudou o WFP a implementar os projectos desde emergência a protecção social, passando por resiliência comunitária e apoio a politicas públicas governamentais. Em Outubro de 2023, chegou a Mogadíscio, Somália.- “aqui sou responsável também com o Programa Alimentar Mundial, e tudo que diz respeito a sistemas de alimentação, Clima e Mudança Climática, tendo a meu cargo uma equipa de trabalho que ajuda o governo da Somália, a passar de “uma ajuda humanitária” a “ajuda ao desenvolvimento”, é “esta a minha agenda”. Revelou-nos Andreia.

Como chegam os apoios às populações

Ao destacar a abordagem do WFP na Somália, Andreia enfatiza a importância da parceria com líderes comunitários, líderes religiosos e outras agências da ONU para avaliar as necessidades das comunidades afetadas por diferentes desafios, como conflitos armados e desastres causados por eventos climaticos. A Andreia descreve as negociações delicadas com várias partes envolvidas para garantir a entrega eficaz de ajuda humanitária às pessoas mais carenciadas, incluindo alimentos e transferências monetárias.

Neste contexto, “o nosso principal objetivo é assegurar que a ajuda humanitária”, seja ela em forma de alimentos, transferências monetárias ou outros recursos, alcance diretamente as pessoas mais carenciadas e que se encontram em maior necessidade. Portanto, “buscamos implementar medidas de mitigação e realizar negociações com todas as partes envolvidas que visa garantir que a população mais vulnerável possa receber de maneira eficaz aquilo de que necessita.”

No entanto, é fundamental destacar que “empregamos sistemas de monitorização rigorosos para assegurar que as comunidades corretas sejam beneficiadas tanto com os alimentos quanto com as transferências monetárias”. Além disso, é relevante mencionar que dispõem de metodologias e ferramentas específicas (SCOPE) que nos permitem registrar apenas as pessoas mais necessitadas. Quando essas pessoas se dirigem a uma agência bancária para receber a transferência monetária ou quando recebem alimentos, o processo envolve a utilização de impressões digitais. Dessa forma, apenas a pessoa devidamente registrada pode receber essa assistência, garantindo maior segurança e eficácia no direcionamento dos recursos.

Temos um condomínio onde vivemos”

O WFP mantém uma estrutura física própria na Somália. Devido ao elevado risco de segurança no país, caracterizado por ataques suicidas praticamente diários e pela presença do grupo Shabab, que realiza diversos ataques semanalmente, as precauções são extremamente rigorosas. A circulação fora das instalações é restrita, sendo que o ambiente de trabalho e residência está concentrado no mesmo complexo.

Para se deslocar até o aeroporto, “vamos em convoy e veículos blindado”, etc. garantindo assim a segurança da equipe. Durante todas as missões realizadas em áreas mais remotas, os procedimentos são minuciosamente examinados, e é obrigatório o uso de coletes à prova de balas, capacetes, além da constante presença de colegas de segurança para mitigar quaisquer riscos potenciais e garantir a segurança de todos. O contingente do WFP na Somália compreende mais de 600 pessoas, distribuídas não apenas na capital, Mogadíscio, mas em toda a extensão do território somali. Andreia diz: “tem sido uma grande aventura, mas como tudo na vida, das mais surpreendentes e motivadoras!”

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