O Jornal Comunidades Lusófonas esteve em direto com o Embaixador de Portugal em Paris, Francisco Ribeiro de Menezes. Durante a entrevista foram abordados vários temas, referente às comunidades portuguesas quer seja em Paris, ou no resto de França. Este país foi sempre um destino muito procurado pelos nossos emigrantes, para fugir à fome e à miséria que o regime alimentava nas décadas de 50/60/70. Os portugueses foram saindo de Portugal para outros países e continentes. França foi sempre um destino devido a vários fatores: Como proximidade isenção de contratos, facilidade da aprendizagem do idioma, etc.
Em terras de Astérix e Óbelix, Portugal nunca representou uma preocupação a estas duas figuras míticas da história da França. Os portugueses encontraram em terras Gaulesas, o sustento e muito trabalho, algo que escasseava por terras lusas.
Sempre fomos bem-vistos e quando a saudade invadia a memória, rapidamente a resguardavam junto ao coração, para quando houvesse uma oportunidade de irem a Portugal, visitarem a família ou levarem consigo os que tinham deixado para trás.
O país da: Igualdade, Liberdade e Fraternidade, também era um país de oportunidades. Fazem e fizeram vingar a vida de muitos emigrantes, que conseguiram que a deusa da fortuna oferecesse sucesso. Motivo de orgulho, para quem é português, e os embaixadores bem sabem dessas histórias de conquista, que são muitas vezes congratulados pelos seus homólogos nos países onde se encontram a trabalhar a representar o país.
O nosso representante máximo da diplomacia, o Embaixador Francisco Menezes, falou-nos sobre a importância das comunidades Portuguesas em Paris, e não só. “Somos um povo muito trabalhador e honesto” e sempre que há efemérides no calendário, também ele aproveita para estar junto dos seus.
Segundo informações obtidas em Portugal, foi-nos facultada a notícia de que muitos portugueses estariam a ir outra vez para França. Mas o Embaixador Francisco Menezes, ainda não dispõe desses dados.
Questionamos o Embaixador, que tipo de emigração se faz na atualidade, quer para França ou para outros países, e a resposta tem vindo a ser a mesma: os portugueses estão mais letrados, não emigram só pela cor do dinheiro, muitos fazem por descoberta, conhecer outras culturas, e frequentarem estudos académicos. Existe uma série de fatores para que haja ondas migratórias, afinal, são movimentos e impulsos naturais do ser humano.
O atual embaixador em Paris, veio de outra missão da Europa, mais concretamente da Alemanha, onde exerceu funções diplomáticas durante 5 anos. São realidades um pouco diferentes, “a realidade da dimensão e da natureza da comunidade portuguesa, nomeadamente as portuguesas em França é muito especial”. Salienta o Embaixador.
A comunidade portuguesa em França é extraordinariamente extensa, são mais de um milhão e duzentos mil portugueses registados na nossa rede consular, que é uma rede muito grande, com 5 consulados gerais e em breve mais um. É um conjunto de Comunidades que em muitos casos familiares já vai na terceira geração, e mesmo na quarta geração.
Hoje verifica-se uma facilidade de integração maior do que a que existia aquando da primeira vaga da emigração portuguesa. Também se registam situações de casamentos com duas nacionalidades. Os mais jovens usufruem do seu direito de livre de circulação pelo espaço da União Europeia e do direito de estabelecimento. A circulam sem exigência de registado nos consulados, dificulta de aferir um número exato, se há mais portugueses do que a média habitual.
A Comunidade portuguesa em França e a Comunidade luso-descendente neste país tem uma dimensão única no mundo. É uma das comunidades estrangeiras mais extensas.
O perfil da emigração portuguesa atual
Ao longo do tempo aumentou o número de qualificados. Facto que resultou da diferença da primeira geração, dedicada ao trabalho, e a segunda geração, a quem os pais pretenderam oferecer melhores vidas.
Devido a esse espírito e a essa dedicação que encontramos os portugueses em todas as áreas e profissões: políticos, a nível local e nacional, Professores universitários, investigadores, músicos, compositores, escritores, engenheiros, responsáveis por áreas de imensa responsabilidade e instituições financeiras bancárias.
Assim como há muitos portugueses que desenvolveram o seu próprio negócio, ou na área da construção, ou na área da prestação de vários tipos de serviços. Evidentemente nem todos se transformaram em empresários. O elevado número continua a trabalhar por conta de outrem. Como embaixador em França realça: “Posso garantir que a comunidade portuguesa é apreciada e respeitada. Seus anfitriões, sublinham o contributo contributo para o desenvolvimento e o bem-estar e o desenvolvimento do país. Por virtude da sua nacionalidade portuguesa, nacionalidade Europeia, significa um grau de integração de afinidade. São portugueses e portuguesas que nunca esqueceram o seu país, mantêm a relação franco-portuguesa num nível muito elevado.
As celebrações das Efemérides
As comunidades portuguesa em França estão muito ligadas ao movimento associativo. É uma comunidade que nunca esquece os dias e as efemérides importantes da nossa história. No caso da Embaixada e dos consulados, que, para além de organizarem e promoverem os eventos das Comunidades, também elaboram a programação, à altura desses acontecimentos.
Recentemente realizou-se o mundial da língua portuguesa, que foi celebrada em Paris, com uma reunião em que assistiram representantes diplomáticos de outros países de língua portuguesa. Foi um formato organizado, pela Embaixada do Brasil e Embaixada de Portugal, onde discutimos os temas relacionados à educação e ao ensino do português em França.
Quando chega a altura do 10 de junho, na embaixada celebra-se com a comunidade portuguesa, com os franceses, o corpo diplomático e os representantes de outros países, a festiva data.
O ano passado não aconteceu, a título excecional, mas aparecem também membros do Governo português que vêm aqui para acompanhar esse dia. Festa e convívio, são denominadores comuns.
Em 2024, foi um ano muito especial. Foi um ano em que festejamos os 50 anos de revolução de 25 de abril. “Na altura estava em Berlim. Com o apoio dos nossos amigos alemães, organizámos, uma cerimónia que juntou centenas de pessoas em torno desse tema.
Quais são as perguntas mais frequentes que fazem ao senhor Embaixador?
O embaixador revelou: que dirige a atenção de temas de nível diplomático, cultural e de educação. Outro tema é a questão das visitas oficiais entre Portugal e França. De relevância é também a comunicação entre a embaixada e os consulados: com questões burocráticas e administrativas. Afirmam a importância do diálogo entre os representantes diplomáticos e a diáspora.
O Senhor Presidente da República vai a Paris?
“O Senhor Presidente da República quer visitar França e quer vir a Paris. E estamos em diálogo com os nossos colaboradores franceses, atendendo que precisamos de cumprir os devidos protocolos, dado que os calendários internacionais são sempre muito intensos.
E esperamos que se consiga encontrar uma data oficial adequada à agenda do Presidente da República e do seu Homólogo Francês. Este ano, o 10 de junho celebra-se em Luxemburgo com a comunidade portuguesa e os representantes do país de acolhimento.
Uma mensagem que queira dar aos portugueses que emigraram e àqueles que pretendam emigrar
Aos que emigraram: “Nós Consulados, estamos aqui para ajudar, para apoiar, para explicar as especificidades da vida que enfrentam e também para garantir que não há discriminação pelo facto de se tratar de cidadãos portugueses.”
As comunidades estão perfeitamente absorvidas pelo ciclo social em França. Estamos a falar de um país amigo. Nós respeitamos as intenções de cada português, e de cada agregado familiar. Independentemente onde pretendem fazer a sua vida, em Portugal ou em França. A ambição da pátria é assegurar o forte laço entre Portugal e a sua diáspora. Uma realidade muito visível aqui em França. E esperamos que continue.




