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Sexta-feira - 17 Abril 2026

ESPECIAL: De Fall River à Califónia, o que as une e as separa

Destaques

Dos invernos rigorosos de Fall River aos montes e vales soalheiros da Califórnia, – históricos cantinhos do mundo onde a emigração portuguesa deixou e deixa pegadas lusitanas. Quase como em Fall River, mais de 300 mil e seus descendentes vivem na Califórnia. Um local fértil, onde se encontra quase um equilíbrio entre vinhas e desertos, praias e montanhas, sendo também a mais densamente populosa dos Estados Unidos, e se encontram as comunidades portuguesas dispersas pela vastidão da região do Oeste. A leste contamos com Fall River, ponto de atração por parte dos portugueses em meados do século XIX, inícios de XX devido à pesca da Baleia e do Atum, e reforçado pela indústria têxtil.

A cidade tornou-se um dos principais destinos para emigrantes, especialmente açorianos, devido à procura de mão-de-obra, laços familiares e à criação de uma rede de apoio comunitário forte. Semelhante aconteceu nas extensas áreas da Califórnia, onde o clima ajudou a fixar os portugueses com temperaturas amenas, o rigor do inverno só se encontra a duas, três horas de distância da Califórnia.

Estivemos à fala com dois portugueses que vivem precisamente nestes dois polos, o Sr. João Dias, na Califórnia desde 1975, e o senhor Benjamin Moniz, em Fall River, desde 1966, quando tinha apenas 16 anos. Dois portugueses, duas experiências, o mesmo sentimento.

Fall River

A forte presença portuguesa em Fall River, em Massachusetts, deve-se a um processo histórico iniciado no século XIX, impulsionado pela pesca da baleia passando pela indústria têxtil.

É um dos principais centros da comunidade luso-americana nos EUA, com uma forte presença açoriana. Embora não haja um número exato recente na cidade, a área de Massachusetts concentra cerca de 279.722 pessoas de origem portuguesa, com uma alta densidade na região de Fall River / New Bedford. A cidade é conhecida por ser um dos “corações” da emigração portuguesa e açoriana.

Os principais motivos que os levaram a emigrar foi: a Indústria da Pesca da Baleia, no Século XIX, inicialmente, navios baleeiros saíam de New Bedford e Fall River paravam nos Açores para abastecer e recrutavam tripulantes locais. Muitos destes açorianos decidiram estabelecer-se na zona.

Nos dias de hoje a cidade mantém uma das maiores concentrações de descendentes de portugueses nos Estados Unidos. A comunidade é expressiva, com muitos residentes de primeira, segunda e terceira geração.

Califórnia, “el sueño dorado”

Na Califórnia, reina o bom tempo, temperaturas amenas, “os invernos não são rigorosos e é raro cair de neve e a proximidade do Silicon Valley, que é praticamente o coração de toda a tecnologia, na área da Baía de São Francisco”, salienta o Sr João Dias.

Atraiu, empregou e emprega muitos portugueses. “Tudo o que diz respeito a semicondutores, chips para os computadores e toda a tecnologia, e chegando à inteligência artificial, tem sido o motor de ignição para os portugueses virem para cá, pelo menos os mais escolarizados.” Salientou o Senhor português que conhece a Califórnia quase como a palma das mãos.

Devido à sua enorme dimensão na Califórnia os portugueses atuais e os mais antigos, encontraram terras férteis para a agricultura, lacticínios, o Vale de São Joaquim, ou para o centro da Califórnia, onde se pode explorar também leitarias, os portugueses tomaram praticamente conta da indústria de laticínios. Ainda hoje existem várias leitarias que continuam a marcar uma presença enorme no que diz respeito ao fabrico do leite. O vinho, na área de Napa, também existe, mas são poucas.

Nesta região, o Sr João Dias tem visto empresas de cortiça portuguesa. E os portugueses foram para lá porque podiam e podem trabalhar na agricultura e até criar grandes empresas ligadas ao setor primário.

A Califórnia, comparando com os outros Estados e segundo as estatísticas de 2025 há 300 mil portugueses na Califórnia, dispersos quer na área de São Francisco, no Vale São Joaquim, em Los Angeles e em São Diego, os portugueses que vieram para San Diego foi por causa da pesca do atum e da baleia.

No século XIX a exploração do ouro também atraiu muitos portugueses que se aproveitaram dessa situação.

Presentemente, a razão principal da ida dos Portugueses para a Califórnia tem a ver com as oportunidades de trabalho que oferece aliado ao fator clima. “O tempo aqui é extraordinário”, diz o Senhor João Manuel Dias. É raro vermos neve no inverno. “E estamos numa área, em que se quisermos ir fazer Ski estamos praticamente a duas, três horas de distância, a localização também é boa”. Salienta.

João Manuel Dias, é natural de Angola e foi para a Califórnia em 1975 depois da descolonização. Neste momento está reformado e é o presidente da Diáspora Media Group, uma empresa de comunicação social. Faz trabalho por amor à camisola, porque não há comércio português que possa suportar uma estação de televisão, salienta, ou uma estação de rádio. A estação de rádio é online, só na internet. que vai servindo a comunidade e também têm um canal no YouTube, que é a Televisão Portuguesa da Califórnia. Fazem várias reportagens e põem no YouTube.

No que toca matar as saudades, o Sr João vai a Portugal todos os anos, com o coração carregado, porque gosta muito do país. Tem família em Portugal e aproveita as férias para estar “no nosso lindo Portugal!”. Finaliza.

Lígia Mourão
FonteArquivo
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