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Sexta-feira - 17 Abril 2026

ESPECIAL DESTAQUE: O Muro de Berlim no “East Side Gallery”, a visão de uma artista plástica portuguesa

Destaques

Desespero da poesia à memória contra o esquecimento

Do Muro de Berlim para a East Side Gallery – soa um pouco estranho, dado que a Galeria é uma nuance do Muro. Com 1,3 Km de comprimento é no mundo considerada a maior Galeria ao ar livre. Metros e metros de pedra foram pintados e transformados em “Quadros”. Nasceu um inédito e singular projeto, que saiu do papel para o Muro. Um “Museu” ao sol, vento, calor, frio e chuva – sem proteção e seguranças. No entanto protegido por intermédio da Fundação do Muro de Berlim, que procura preservar a Memória do Passado por intermédio da Arte. Arte – Palavra-Chave que dirige para a obra da Artista Ana Leonor Madeira Rodrigues, Professora Catedrática na Universidade de Lisboa – Faculdade de Arquitetura.


“Berlim – Antiga Dama e capital da Alemanha. Durante muitos anos cidade dividida e cercada com um perigoso muro”, discursava a História. Sem demora compreendi, que as Sabrinas iam ser a minha “Salvação do Cansaço”, quando vi, onde o nosso trevo se encontrava. A arte que ao longo da viagem sempre se apresentou um pouco silenciosa, somente guardiã do tempo, solicitou à História a palavra. A História com um ar de saber cedeu, dado que a alegria da arte falar do seu mundo, não conseguiu esconder. E assim se revelou uma excecional guia em Berlim. Estava nas suas 7 quintas e contava com Entusiamo e Sabedoria:

East Side Gallery –

Um nome que ao primeiro ouvir ou ler dá origem a perguntas. A Resposta é uma Viagem no Tempo, que começou a 13 de Agosto de 1961 com um escuro Capítulo da História da Humanidade, conheceu um Histórico auge a 9 de novembro de 1989 e continua a viajar na direção do Futuro.

1961 – Fotografia Karsten Sroka, Número de Inventário F-030856, Fonte ELAB,
Arquivo da Comunidade da Reconciliação do Arquivo Regional da Igreja de Berlim-Brandenburgo-Silésia Alta Lusácia

Um Muro que escreveu tristes Páginas na História da Humanidade.

1963 – Número de Inventário F- 030745, Fonte ELAB, Arquivo da Comunidade da Reconciliação do Arquivo Regional da Igreja de Berlim-Brandenburgo-Silésia Alta Lusácia

Medo e morte regiam o muro. A Liberdade era uma palavra doce e amarga: saudade e aprisionamento. Isolamento a ouvir “Ich bin ein Berliner!” e “Mr. Gorbachev, open this gate. Mr. Gorbachev, tear down this wall!” – A Esperança sonhava passar a Fronteira. Nem com Asas de Avião era possível.

1971 – Número de Inventário F-021374, Fonte Stiftung Berliner Mauer, Foto Albrecht Roos.

Ao longo do tempo o muro apresentava-se com um perigo cada vez mais sofisticado, para impedir os cidadãos de usufruírem dos mais modestos Direitos fundamentais: A livre circulação, a própria decisão / autonomia etc. Liberdade somente existia na mente, arte, música, poesia e prosa – Porém, relembrar a palavra: “Cuidado!”, porque a censura não dormia. O Perigo de ser descoberta era iminente. Permanecia em segredo e quem a conhecia dizia: “Não fales muito alto, porque o Inimigo pode estar a ouvir.”

Número de Inventário F-015421, Fonte Stiftung Berliner Mauer, Foto Edmund Kasperski

E quanto mais ouvia falar de Liberdade, mais se fechava. Checkpoint Charlie – uma famosa Passagem, que conheceu celebridade do Filme às Tentativas de Fuga. Nem sempre bem sucedidas. Charlie – significa a 3 palavra do alfabeto fonético da OTAN.

Porém – o que hoje é possível visitar, é somente uma Réplica da Cabine de Guarda. Existiam mais dois Pontos de Controle Alpha e Bravo. “Pontos”, porque os aliados não consideravam a divisão como fronteira legítima destinada consoante o Direito Internacional – somente era interpretada como física.

O Portão de Brandemburgo, inaugurada em 1791, conhecia solidão e triste contemplava a sua cidade, que outrora apresentava um espírito de inovação e mundialização. A “Cortina de Ferro” caiu e a Vida parou.

1988 – Número de Inventário F-023642, Fonte Stiftung Berliner Mauer, Foto Lothar Kruse


Assim permaneceu até ao Dia 9 de Novembro de 1989. Com a Queda o Muro perdeu a razão para a sua existência deixando espaço para a discussão, o que fazer com o muro: Ficar como memorial contra o esquecimento ou remover e dar vida à liberdade? Pergunta, que deu origem ao “Nascimento da Galeria”. 118 Artistas de 21 Países participaram no descrito Projeto e pintaram os seus “Quadros” ao longo de 1,3 quilómetros.

Entre os designados nomes do Mundo da Arte também se verifica o da célebre Artista Portuguesa Ana Leonor Madeira Rodrigues. Licenciou-se na Escola Superior de Belas Artes em Lisboa. Foi bolseira da Fundação Calouste Gulbenkian. Viveu e estudou em Munique (Akademie der Bildenden Künste) e em Berlim (Hochschule der Künste TU).

Hoje é Professora Associada na Universidade de Lisboa – Faculdade de Arquitetura. Artista Académica de renome, onde constam Publicações e exposições, assim como o entrelaçamento com a dedicação ao ensinamento de dar aulas. O sua Obra no muro não apresenta título – mas apresenta uma composição de pensamentos entre arte e ciência, dado que faz referência ao acidente nuclear de Chernobyl.

Revela a Inspiração na Vida e ao mesmo tempo uma visão Apocalíptica.

É uma artista que pinta caminhando no esfera do excecional talento, que a vida ofereceu e oferece. Realçou, que “Desenhar é perceber como se vê. E o Desenho é uma boa ferramenta.” “Olhar à sua Volta e aprender a Liberdade do Traço”. Interessante a Perspetiva, que a “Pessoa se define mais por o que não gosta”, assim como por intermédio da “Investigação e prática artística ao virar para si próprio – ser Contemporâneo.”


“Ser Contemporâneo” – repetiu a arte e parou perante um quadro, que reflete a imagem de uma escada. “A Vida por vezes é como uma escada. Subimos procurando realizar os objetivos. Descemos quando a Vida nos obriga a recuar e procurar Novos Caminhos, quando os escolhidos se revelam sem Saída. Subir nem sempre é fácil. Descer!? – Existe o antigo Ditado: “Para baixo todos os Anjos ajudam.” Mas subir na vida requer muito trabalho e esforço. Creio, que a última imagem da presente viagem e uma boa visão para se contemplar e ver o que acontece à nossa volta, a fim de se conseguir decidir com saber e prudência.”

Com palavras de sabedoria olhou para mim, que segurava uma caneta pena quase a “arder” de tanto escrever e sorriu: “Creio, que precisamos todos de um pouco de descanso. Não esquecendo de comer, assim como beber menos espiritual e mais material.” Sem demora a viagem continuou. Estranho – … Coimbra – soava mais a mais escrita para o espírito e menos materialista. No entanto deixei-me surpreender ….

Para continuar ….

Isalita Pereira

Historiadora – Poeta



Isalita Pereira
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