Berlim, – 1963 – Fotografia Wolfgang Schubert, Número de Inventário: F-020571, Fonte: Stiftung Berliner Mauer
De Lisboa para Berlim – No contexto da cultura dedicada ao “Dia Mundial da Poesia”, a Caminhada de associação de temas quase fez lembrar uma viagem semelhante à do Expresso do Oriente Paris – Istambul. Um conto sobre um trevo de arte, poesia, história e uma heroína com pantufas e bailarinas a refletirem sobre a vida entre sonhos e realidade – ou para o dia de hoje entre Direito Positivo e Justiça, que nem sempre tocam a mesma melodia – por vezes duas composições: uma em Maior e a outra em Menor. Semelhante a uma viagem, que se imagina, mas a vida escreve.
Pantufas de Meia-Noite e sabrinas da poética Heroína chegaram com o restante trio do trevo a Berlim. A Poesia verificando a minha surpreendente fascinação disse: “A Magia do Sonho não conhece a limitação do relógio.” Olhei à minha volta e reparei, que era dia 13 de Agosto de 1961. Ouvi uma pessoa ao meu lado dizer: “Mas … não podem aprisionar um país, um povo inteiro.” No entanto, foi o que aconteceu.
“Willy Brandt, que entre 1957 e 1966 foi Prefeito de Berlim e mais tarde Chanceler da Alemanha Ocidental, criou a expressão do “Muro da Vergonha”. Foi sempre um defensor dos Direitos Humanos contra o Muro do Medo”, escrevia a Heroína enquanto a História se encontrava no seu Elemento. “A construção do Muro contradisse a frase: “Ninguém tem a intenção de construir um muro!” (Walter Ulbricht). Na Madrugada de 13 de Agosto de 1961 todo o trânsito para o Mundo Ocidental foi bloqueado e um Muro mais a faixa da morte construído. A Contestação foi enfrentada com o Argumento, que seria “Muro de Proteção Antifascista”. A Realidade era bem diferente.
A RDA pretendia por fim ao Êxodo dos seus Cidadãos para a RFA, assim como impedir a “Fuga de Cérebros”. Bloqueio que, para além de poucas exceções, durou até ao dia 9 de Novembro de 1989.”
Parei somente um pequeno momento com a escrita, porque surgiu o pensamento como entrelaçar o escuro da História do Muro com a Poesia: “Normalmente associamos a poesia a um contexto de alegria. Porém – quando à prosa faltam palavras para descrever o abstrato de sentimentos como desespero, tristeza, amargura, luto etc. encontra-se por vezes no Mundo da Poesia e da música uma fonte de concretizar, o que nem sempre palavras conseguem definir. A Poesia de certa forma é o elo entre prosa e música. Enquanto a prosa é na regra concreta e a música quase abstrata, a poesia conjuga os dois mundos. Nem sempre é fácil.
O Muro não é poético da perspetiva positiva. Mas deu origem a poemas, que descreveram, a escuridão que trouxe ao mundo destruição de famílias, sonhos, ideologias opostas … . Foi a oposição entre ideologias transferidas para sistemas governamentais, que causou a transgressão dos Direitos Humanos. A Liberdade não se deixa encarcerar. E a Fantasia da humanidade elaborava caminhos para ultrapassar o Muro: dos túneis aos balões, até aviões sequestrados como um caso que foi filmado: “Julgamento em Berlim” – Um sequestro, que foi parar perante um Tribunal dos aliados, que precisaram de decidir, se o desejo de liberdade estava/está acima do Direito Internacional.”
“A Fórmula de Radbruch” – Um Princípio Filosófico-Jurídico. E como todos os princípios filosóficos nem sempre existe unanimidade.” Acordei dos meus pensamentos ao ouvir a voz da história. O trio que se encontrava por trás de mim, estava a ler os meus raciocínios.
“Gesetzliches Unrecht” – Expressão, que significa “Injustiça Legal” ou “Injustiça estatutária”. Gustav Radbruch, um jurista alemão, procurou conciliar a segurança jurídica, obediência à existente lei, com a justiça. Pretende proteger a primazia do Direito Positivo, que não nega, perante Injustiça Legal, o que é o caso nas ditaduras.
Quer dizer: Se as promulgadas leis, se revelarem tão injustas, que não se conseguem suportar, não devem ser consideradas Direito, mas deve prevalecer a justiça, a fim de salvaguardar a perspetiva da Humanidade – da defesa dos Direitos fundamentais. Um tema muito sofisticado e sensível. Porque onde termina a resistência da Humanidade e começa a ilegalidade contra os Direitos?”. Deixei a pergunta no ar. “O Muro de Berlim foi um Símbolo de Injustiça, por conseguinte a resistência durante todos os anos não baixou a voz”, realcei quase em uníssono com a História. Como vi, que estava ansiosa por continuar com o seu saber, entreguei a Palavra:
Para continuar ….
Isalita Pereira




