Da Justiça e Direito para a rebeldia da liberdade, porque Berlim mesmo no silêncio falou em voz alta para o mundo. A viagem em Berlim ao longo da história do muro, que dividiu a antiga dama Germânica, leva o trevo e os leitores ao encontro de personalidades, que escolheram a rebeldia da liberdade contra a injustiça legal – o ser das ditaduras. Apresenta como palavras conseguem fazer a diferença, quando armas perdem o seu valor e se acendem velas para a paz prevalecer. Caiu um muro – mas a memória luta contra o esquecimento. Eis o valor dos dias dedicados à Cultura e sua História da Humanidade.

F-021900, Fonte: Stiftung Berliner Mauer
“Na luta contra a existência e persistência do muro aconteceram muitas “Reais Histórias” e pronunciaram-se Palavras, que ficaram para sempre na Memória. Porque, como compreender a injustiça abstrata e concreta?
A tristeza do descrito capítulo da história da humanidade poetizou e pintou o que por vezes sufocava alma, coração e mente, que a prosa, dado a emocionalidade, não conseguia / nem sempre consegue concretizar. Mas muitas vezes soaram Palavras que deram a Volta ao Mundo.
A 26 de Junho de 1963, em Berlim Ocidental, durante a Guerra Fria, John Fitzgerald Kennedy pronunciou no seu notável discurso as palavras: “Ich bin ein Berliner” (“Eu sou um berlinense”). Uma exclamação como mensagem de coragem contra o muro de Berlim.
Anos mais tarde, 12 de Junho de 1987, quando Berlim festejou seu 750.º Aniversário, Ronald Reagan, na altura Presidente dos Estados Unidos, solicitou no seu discurso ao líder da União Soviética, Mikhail Gorbatchov: “Mr. Gorbachev, open this gate. Mr. Gorbachev, tear down this wall!”
Levou tempo – vidas perdidas e destruídas, um País que sofreu a divisão, uma guerra fria, leis injustas, vítimas da ditadura e do muro… um capítulo que conta de Sofrimento, Tristeza e desespero, mas também de resistência, coragem, força, esperança e fé, que um dia o Muro seria destruído.
A 9 de Novembro de 1989 começou uma Nova Era – o que parecia impossível, aconteceu, mas o Passado deixou suas Pegadas. As novas gerações não conseguem imaginar, o que significa a existência de um muro, onde a Força da segurança estava em poder da ordem de fogo contra quem escolhia a liberdade. Mas ir ver a East Side Gallery é ver o Muro e seu passado, que jamais deve ser esquecido, para não ser novamente vivido.” Quase como um Plaidoyer a história finalizou o seu discurso.
Acabei de fazer os últimos apontamentos, quando reparei, que a Arte, como sempre, estava a olhar para o relógio. Sem demora continuou a viagem. Porém – somente no tempo e não no espaço. 2026 – Novamente perante o Muro, mas sem a Faixa da Morte e Ordem de Fogo: East Side Gallery.
Muro sem Perdão contra Rebeldia da Liberdade
Escrever sobre o Muro de Berlim
é preencher Páginas sem fim.
Mundos separou.
Vidas acabou.
Triste Biografia.
Para sempre na História.
Aço e Pedras.
Arames e Minas.
Ordem para atirar.
Liberdade a implorar.
Injustiça Estatutária.
Justiça reivindica Vitória.
Contra a Humanidade.
Fronteira sem Fraternidade.
Uma Vela se acendeu.
A Esperança nasceu.
O Olhar para trás.
A Pensar na Paz.
A Revolta de 1953 na Memória.
Não ofereceu Glória.
1989 –
Bater de Corações –
No centro das Manifestações.
Tanques de Guerra preparados.
Ao Silêncio condenados.
Conferência de Imprensa
Para o Muro a Sentença.
O Muro caiu.
Liberdade se sentiu.
Uma Nova Era começou.
O Passado ficou.
Sua História contou –
Nova Vida desejou.
Anos passaram –
Pegadas –
Nas históricas Páginas revelaram.
A Liberdade –
Não se consegue aprisionar.
Com a Mente consegue voar.
Para o outro lado voou.
A Ditadura no fim recuou.
Grandes Palavras entoaram.
Contra Ordem de Fogo ganharam.
Resistente a Coragem.
Rebelde a Mensagem.
O Mal nem sempre consegue vencer.
Porque a Bem não se deixa dissolver.
Fim
Isalita Pereira
Historiadora-Poeta




