A APCS (Associação Portuguesa Cultural e Social) de Pontault Combault, região de Paris, comemorou 50 Anos num jantar com dezenas de colaboradores do dia a dia e da grande Festa Portuguesa Anual.

“50 anos de Portugal em França, 50 anos de trabalho e de luta”, revelou ao Jornal Comunidades Lusófonas o presidente da direção Cipriano Rodrigues, com muita emoção e orgulho na voz. Uma emoção que o fez pausar várias vezes o discurso oficial perante uma plateia que integrava representantes das mais altas instâncias de França e Portugal. Sempre disponível, continuou afirmando, “mas foi uma luta que deu os seus frutos. Começámos do nada, quando não havia Associações nem ajudas. Ajudávamo-nos uns aos outros, e hoje, temos uma Associação com este valor, reconhecida pelas autoridades portuguesas e francesas. Para nós é uma vitória! -Tem medo do futuro? Tenho uma boa equipa atrás de mim, por vezes tenho medo porque o mundo muda, as mentalidades mudam, as pessoas não têm tempo disponível e esta Associação requer muito empenho e muito trabalho. A APCS foi criada para ajudar os portugueses a ter uma vida mais correta, uma casa, direitos no trabalho e criámos a escola de português logo em 1979. Acreditámos sempre neste projeto de defender a língua de Camões, de ensinar a nossa língua aos nossos filhos, aos nossos netos, é isso que me segura na Associação.”

O anterior presidente, Mário Castilho, também participou no evento, “não acredito nestes 50 anos e que chegámos a 2025. A nossa responsabilidade nos anos 70 foi responder ás necessidades da comunidade em França. Lutámos pelo reconhecimento de que havia quatro mil portugueses a residir em Pontault Combault, pelo alojamento, melhores condições de trabalho na construção civil. Outra preocupação foi o ensino do português, talvez o grande sucesso que tive o prazer de criar na APCS com o Joaquim Pires. Foi formidável o trabalho que desenvolvemos”, relatou à nossa reportagem.

À entrada da sala de festas Jacques Brel foi colocada uma exposição fotográfica com as inúmeras valências desenvolvidas pela APCS ao longo de cinco décadas, visitada demoradamente pela Cônsul Geral de Portugal em Paris, Mónica Lisboa, que nos confidenciou, “é para todos nós um orgulho e uma honra festejar as bodas de ouro duma Associação como esta, que se tem dedicado a transmitir valores, identidade, a língua, cultura, memória, solidariedade e afetos. Dizer parabéns a todos os que a fundaram e a todos estes voluntários que a mantêm viva. É esse espírito de entreajuda que caracteriza a nossa comunidade portuguesa em França. São instituições que fazem muito no terreno, pelos portugueses e por outros que as procuram.”

A Associação Portuguesa Cultural e Social desempenha um papel importante na distribuição da solidariedade, tal como referiu Ilda Nunes, provedora da Santa Casa da Misericórdia de Paris, “é fantástica, não só porque divulga a língua portuguesa como ajuda as pessoas que estão com dificuldades, assim como a santa casa. Aceitam guardar os alimentos das recolhas que levamos a cabo, e procedem à distribuição de acordo com o nosso plano solidário. No entanto, estou confiante que brevemente a Santa Casa da Misericórdia de Paris possa ter instalações próprias para efetuar o armazenamento e a distribuição diretamente.”
Perguntámos que significado têm estas comemorações a Pedro Pacheco, adido da Segurança Social em Paris, “significa que é uma Associação com permanência, num país como a França, já bastante alongada. Não é todos os dias que se faz 50 anos. É sinal de muita maturidade, crescimento, resiliência, de conseguir encontrar o seu espaço aqui em França junto dos franceses e também junto da comunidade portuguesa. É por isso que a APCS está de Parabéns.”
A Confederação das Coletividades Portuguesas em França tem por missão agregar todas essas instituições e promover o desenvolvimento de atividades setoriais dirigidas especificamente ao público da área geográfica em que cada associação se situa. Procurámos saber a opinião do dirigente da CCPF, António Oliveira, “são poucas as associações que chegam aos 50 Anos, muitas infelizmente já ficaram pelo caminho, sobretudo com a Covid. Têm todos mérito, são pessoas que vieram já nos anos 70, logo no início da grande vaga da emigração portuguesa, fundaram e souberam conservar, que é o mais difícil. “
O Jornal das Comunidades também ouviu quem deu o litro para se chegar até a esta data histórica. “Há muito trabalho por trás disto tudo com algumas horas sem dormir, mas é de boa vontade”, contou divertida a septuagenária Lucinda Marques. Para Filomena Frazão, “É um prazer e uma honra, trabalhei com eles a fazer comer e a servir à mesa, foi formidável!”
Eduardo Lino, outubro 2025




