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Quinta-feira - 5 Março 2026

EXCLUSIVO: A AILD presta serviço às comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo

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A AILD, (Associação Internacional dos Lusodescendentes) nasceu em finais de 2019, em plena pandemia, com um grupo de seis pessoas. Perceberam que havia uma lacuna na área dos lusodescendentes e das comunidades portuguesas, e entenderam que havia um espaço de intervenção nessa área, sobretudo na promoção da língua e cultura portuguesa, mas também do apoio aos lusodescendentes, quer os que estão nos países de acolhimento, quer os que entretanto regressaram.

“Sou um dos fundadores da associação, começa desta forma Jorge Governo, e, para além disso, sou Diretor Executivo da AILD. Era na anterior direção e continuo a ser também nesta nova Direção”.

Os emigrantes e lusodescendentes são os embaixadores de Portugal no mundo. As comunidades portuguesas, nomeadamente através das associações, fazem um papel importante, permite que esta associação possa apoiar, promover neste contexto na promoção da língua, da cultura portuguesa, nomeadamente em primeira linha falar português.

No fundo também em dar algum apoio à internacionalização das empresas portuguesas, colocando-as em contacto e criando uma rede com as comunidades.  Estes eram os primeiros desafios da criação da AILD. Começaram com seis, hoje são muitos, no futuro, serão muitos mais. Ao fim destes 5 anos de existência, outros desafios também se agregaram, nomeadamente a área social.

A área das empresas e do contacto com estas também foi ganhando alguma dimensão. Mas sobretudo uma coisa extremamente importante desta associação é que é uma associação sempre com as portas abertas para receber toda a gente, porque têm por princípio que “sozinhos podemos ir mais depressa, mas acompanhados vamos seguramente mais longe”, e por isso privilegiam as parcerias, a cooperação entre instituições, entre empresas, e privados. E é interessante ver que todos os meses têm uma reunião, que religiosamente acontece Online, todas as primeiras terças-feiras de cada mês.

Todos os meses aparece gente nova das comunidades em vários países do mundo a aderir e a participar nas reuniões, é uma associação com uma grande dinâmica, com muitos projetos, muito vida, porque tem pensamentos de diferentes áreas, de diferentes países, e que enriquece  a Associação e permite crescer da forma como “temos crescido e mantermos esta dinâmica e motivação. “Que começou no ano de 2019 e continua em 2025 e por aí afora.” Explica Jorge Governo.

Pode-nos revelar em concreto qual é o projeto que fazem e a quem se destina?

Um exemplo muito concreto, foi, no dia de Portugal, de Camões e das Comunidades portuguesas, “lançámos dois projetos, exaltação à língua portuguesa no mundo. Um deles tem a ver com um projeto que vem desde o início, que é a revista “Descendências Magazine”, é uma revista de grande referência nas comunidades portuguesas”. Refere Jorge Governo. E que tem tido bastante impacto, precisamente porque é diferente, no sentido em que promovem as pessoas das Comunidades, as Associações, nas diferentes áreas de intervenção.

“Estamos muito atentos  às nossas comunidades e aos nossos emigrantes e lusodescendentes, e também procuramos promover o espaço de Portugal lá fora”. E esta é uma revista online, e no dia 10 de Junho “tivemos uma ideia, passar também do online e do digital para o papel, temos, e tivemos o apoio e a parceria do Instituto Diplomático. Gostaram da ideia e  perceberam que poderá ser interessante do ponto de vista do  trabalho diplomático, pode ser uma referência. “Apoiaram e, gostaram da ideia e lançamos precisamente no dia 10 de Junho, a revista imprensa no Brasil.” Referiu Jorge Governo.

De acordo com a parceria com o Instituto Diplomático, para este ano, o desafio foi no sentido de termos duas revistas impressas, e por sugestão, do mesmo Instituto, o país que eles sugeriram foi o Brasil. Tendo sido  lançado no dia de Portugal, das Comunidades e de Camões, e foi um grande sucesso, tendo marcado também uma edição impressa nos Estados Unidos, envolvendo as comunidades portuguesas nesse país.

Nesta edição do Brasil, tivemos o apoio extraordinário da Embaixada de Portugal em  Brasil pelo Embaixador Luís Faro Ramos. Tivemos uma diretora da “Descendências Magazine”, que também é vice- Presidente da AILD, que se deslocou ao Brasil para esse importante evento, e foi um desafio importante, e um projeto bem concretizado, e que permitiu dar um upgrade à promoção da cultura, língua e às tradições portuguesas no brasil.

Um outro evento que lançaram no 10 de Junho, no dia de Portugal, Camões e das Comunidades Portuguesas, foi o lançamento da  plataforma Academia de língua portuguesa, língua viva, através da plataforma, falar português, será uma forma de aproximar a língua portuguesa, a um público global. Trata-se de um programa inovador o ensino online que permite flexibilidade, acessibilidade para alunos em qualquer parte do mundo, cursos adaptados a vários níveis com conteúdos curriculares ajustados aos vários  níveis. 

Os cursos têm um custo, mas a ideia é criar também bolsas de cursos gratuitos em que através de empresas e mecenas possam apadrinhar alunos e promoverem estas bolsas e financiar os Cursos, os candidatos interessados já podem aceder à plataforma que foi lançada no dia 10 de junho, designada de: falarportugues.pt e preencher o formulário e manifestar o interesse e verificar a disponibilidade de vagas.

Mas além destes dois projetos lançados no dia 10 de Junho, há muitos outros que estão neste momento em curso. Em planificação. “Mas há um para nós, que é particularmente muito importante. E já vai na sua quarta edição, que é o projeto obrigado e boa viagem.” Diz Jorge Governo.

Todos os anos, no mês de agosto, vão para a fronteira de Vilar Formoso. Quando partem  poder-lhes agradecer por terem passado as suas férias em Portugal e o impacto que isso tem em Portugal. Quer do ponto de vista social, económico, cultural e desejar-lhes uma boa viagem de regresso.

Mas quando partem é um momento difícil e “temos estado lá no mês de agosto, já contamos com a quarta edição e são sempre momentos muito emotivos. Nós acabamos por ser contagiados por essa mesma emoção.” E citava uma frase muito interessante, e que faz todo o sentido que é “os emigrantes quando partem, na verdade, não partem da sua Terra, eles levam a sua Terra consigo” é uma frase do José Saramago.

Oferecem um saquinho com algumas lembranças de produtos típicos portugueses, como o apoio de algumas empresas portuguesas e algumas mensagens.

Eles ficam muito sensibilizados por aquele momento. “Estamos a dar-lhe aquele miminho e a desejar lhes uma boa viagem e a fazê-los perceber o quão importante é eles virem a Portugal passar as Férias, e que aquela ideia que muitas vezes têm de serem portugueses de segunda, não corresponde à verdade, não são portugueses de segunda, são portugueses e merecem o nosso carinho, e a nossa atenção e o nosso reconhecimento, pela coragem de terem deixado o país à procura novos desafios, novas oportunidades. Hoje, a emigração é muitas vezes também um cariz diferente da emigração dos anos 60 e 70.” Esclarece Jorge Governo.

Uma mensagem da AILD  aos portugueses que estão no estrangeiro e aqueles que pretendam emigrar.

A Mensagem é para quem já está  fora de Portugal, nos países de acolhimento espalhados um bocadinho por todo o mundo. Mostra uma grande coragem do povo português, mas desejar-lhes muito sucesso e há muita gente que conquistou muito lá fora, em diferentes áreas da vida civil conseguiram muito sucesso, desejar-lhes a maior sorte para os desafios que encontram noutras geografias, e que Portugal reconhece o valor. E a importância que eles têm lá fora, como verdadeiros embaixadores de Portugal no mundo.

“E nós e a AILD estamos cá para ajudar naquilo que for possível da nossa parte, também para fazer pontes, para ser intermediários, se for o caso, como tantas vezes temos feito. E dizer que Portugal para quem tem dificuldades cá, se for um desafio profissional, uma estratégia de vida emigrar, acho que sim que devem ir”, revela Jorge Governo.

Se não for, acho que Portugal deve encontrar soluções e respostas para que as pessoas possam ficar em Portugal, no seu país, junto da sua família. Porque, a vida de emigrante não é fácil. “E nós  temos tido o testemunho de muitos emigrantes e lusodescendentes que entretanto regressaram, nós também somos lusodescendentes. E, portanto, sabemos, da dificuldade que é estar fora do nosso país.”

Mas para aqueles que lá estão, o “nosso reconhecimento e o nosso desejo que tudo corra pelo melhor e que sejam muito felizes, e que continuem a ser o povo que muito engrandece Portugal no mundo, por tudo aquilo que eles conseguem ser e pelo trabalho que fazem e por tudo aquilo que conseguem transformar, dando um enorme orgulho a Portugal.” Menciona Jorge Governo.

A nova Presidência

Presidente da AILD, Cristina Passas

A nova Presidente, Cristina Passas, tomou posse no dia que 7 de fevereiro de 2025, com a duração de cinco anos à frente da AILD (Associação Internacional dos Lusodescendentes).

Avançou ao Jornal Comunidades Lusófonas, que é um grande sentido de responsabilidade, no sentido que, sendo também uma pessoa lusodescendente, e que vem da Comunidade emigrante, sabe perfeitamente as necessidades que “as nossas comunidades sentem e naquilo em que podemos ser úteis”. Essa foi uma das razões pelas quais decidiu avançar com a candidatura. Unanimemente aceite por todos os colegas, abraçou uma missão, de estabelecer laços e  relações a vários níveis “com as nossas comunidades.” Revela a Presidente.

Vai obrigá-la a recolocar em várias geografias, porque a internacionalização é neste momento uma das maiores prioridades da AILD.  “Ir até às nossas comunidades”. É o que estão a fazer, juntamente com as delegações a abrir e reforçar, os laços, um dos projetos que já estava a ser planeada, e que está agora a ser concretizada é AILD Brasil.

Semelhança daquela que existe, em Portugal, e que trabalha juntamente,  na área da cultura, das empresas, na área  social, e na área de investigação e academia.

Esse fator acresce e muito a responsabilidade. Porque quando “nos responsabilizamos, em querer estreitar estes laços com as nossas comunidades, também estamos a abrir caminhos para levar soluções, que estão à espera que lhes possa proporcionar, trabalhar na Academia da Língua Portuguesa para implementar, no âmbito da AILD para nós é muito importante a academia de Língua Portuguesa. Porque ali a nossa língua, não só é uma pátria como todos nós sentimos, mas também é um instrumento de trabalho e de integração para muitas comunidades. Quer as que estão lá fora, quer algumas que queiram vir para Portugal trabalhar, e por se isso consideram que é um ativo que “nós devemos respeitar, valorizar e proporcionar melhor e mais possível a sua aprendizagem junto das nossas comunidades.” Menciona a Presidente.

Até mesmo perpetuar de geração em geração, “porque muitas dessas comunidades estão em locais que não têm acesso ao ensino, e hoje em dia, com as redes digitais, queremos colmatar essa lacuna,” exemplifica.

Dentro da promoção de eventos, dentro e fora de Portugal, e alguns dentro da área da gastronomia, da cultura, da investigação “somos uma equipa”, de forma que haja um intercâmbio de know how, que possam vir a valorizar estas relações que existe entre o que é ser ser português pelo mundo.

A AILD Brasil começou agora no mês de julho, com plano de atividades já estruturadas até meados de 2026, “estamos também já em contacto em estabelecer protocolos com várias Câmaras de Comércio, que nos vão permitir sermos um elo entre as comunidades que muitas vezes estão na Europa ou na Ásia.

As comunidades que estão na América do Norte ou na América do Sul muitas vezes, aproximam-se das outras comunidades e às vezes precisam de pontos de referências. E a AILD acaba por ser esse ponto de referência no sentido que permite fazer esta união e as pessoas chegarem muitas vezes mais rapidamente aos destinos que pretendem. Porque há aqui um parceiro de confiança e facilitador que ajude neste processo.

Lígia Mourão
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