Nasci numa família de músicos, tanto da parte do meu pai como da minha mãe, inicia desta forma em entrevista ao Jornal Comunidades Lusófonas, Inês Fonseca. A música vem-lhe no sangue, não fosse ela descendente e rodeada de músicos, incluindo o padrasto, Carlos Alberto Moniz, onde a vara do violino desliza e atraiu a pequena Inês. A música “persegue-a” mas a sabedoria dos mais entendidos, como foi o caso da mãe, alertou Inês de que devia “jogar” pelo seguro e formar-se também noutra área.
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Estudou música clássica 20 anos, guitarra e piano. Depois de muitas dúvidas, e dilemas fez a candidatura para o ISCTE, onde frequentou Marketing, que lhe parecia uma área em que podia combinar os dois lados do seu cérebro.
Desde pequena sempre gostou da parte mais criativa e literária, mas a música vinha sempre como uma clave de sol.
Também gostava de matemática daí ter escolhido marketing. Quando já estava a aproximar-se do fim da licenciatura, apareceu a primeira oportunidade de um estágio na Coca-Cola em Portugal, tendo sido uma boa experiência, que foi feita durante um ano.

Depois fez outro estágio na Central de Cervejas e também trabalhou na Nobre, salsichas e fiambres onde foi “bastante feliz”, revela Inês. Desempenhava a função de gestora de produto.
A emigração
Começou a trabalhar em 2007 e foi para Espanha em 2012. A emigração apareceu na sua vida, não pela razão, mas sim pelo coração, apaixonou-se por um espanhol e decidiu deixar Portugal e rumar para Espanha, mais concretamente para Madrid, onde se encontra até hoje.
Na altura ainda ponderou, mas o amor move montanhas. Ponderou bastante esta decisão pois algo de menos bom poderia acontecer, mas deixou-se levar pelos sentimentos.
Como não queria depender de ninguém começou à procura de emprego e começou a trabalhar na Lego, uma empresa multinacional.
Passados estes anos todos teve várias experiências profissionais, trabalhou na Lego, na McDonald’s, no Subway e agora no mundo dos whiskys com JB e com a Johnnie Walker, no departamento de Marketing.
Tem sempre o coração em casa. “A minha raiz é sempre Portugal e gostava de voltar, mas também já fiz tanta vida adulta aqui, 14 anos, que veremos o que é que o futuro nos reserva.” Salienta.
Onde é que se encaixa agora a música?

Segundo Inês, a música representa duas coisas: por um lado, a identidade, não consegue dissociar a sua identidade até porque segue a paixão dos país. “É a minha maneira de interagir com o mundo e por outro lado, tambem é um o ofício, que foi descobrindo ao longo destes dezoito anos de carreira em marketing.
Para esta profissioinal, tem sido uma viagem de descobrir qual é a combinação que pode fazer entre os dois ofícios. Sempre trabalhou na música, fez locuções desde muito pequenina. Não era só um hobby, nem um ofício e isso também carrega em si uma dedicação.
Hoje em dia desenvolve duas profissões. “Tenho discos gravados que se podem ouvir no Spotify e noutras plataformas. Está agora a gravar um disco novo em Espanha, com um produtor naquele país. Faz concertos de vez em quando, continua a desenvolver essa atividade combinada com a sua atividade no marketing. Às vezes grava locuções. É uma vida um pouco sacrificada e acaba por vezes penalizar um bocadinho a vida pessoal, porque o tempo não é infinito, mas não saberia viver de outra maneira, ajuda muito ter amigos que entendam e apoiam. Ter um namorado também ajuda muito e entende esta vida, cheia de coisas e assim “combino e desenvolvo as duas atividades profissionais ao mesmo tempo.” Salienta. Neste momento está numa empresa que se chama DIAGEO, onde é Diretora pelas marcas de whisky na Europa, tipo Johnnie Walker e uma série de marcas de whisky.
Musicalmente, qual é o instrumento que toca e com que frequência faz esse tipo de trabalho?
“Sou compositora e cantora e toco guitarra e piano. Embora tenha estudado guitarra clássica muitos anos, aquilo que faço é mesmo como canto-autora, compositora e cantora e também toco, neste momento estou a gravar também com outros músicos, com um produtor espanhol que eu admiro há imensos anos e que quis trabalhar comigo. Sobretudo como compositora e cantora. Mas também toco guitarra e piano.
Nunca fez um concerto em salas conceituadas, mas ainda há muito chão pela frente. Neste momento faz mais concertos intimistas, com pequenos públicos, mas não menos importantes.
Recorda e tem um carinho especial de dois concertos que fez num bar, há dois anos. “Um bar muito intimista. Seriam uns 50 lugares e fiz duas noites seguidas. E tenho uma grande recordação desses dias, porque foi um concerto em que eu pude estar muito mais próxima das pessoas, e que esteve presente gente que conhecia e que não conhecia.
O meu pai veio de Portugal e tocou também comigo, juntamente também com a minha mãe, até colegas da indústria do marketing, cantores que eu admiro imenso, vieram ver o formato. Já toquei em diferentes formatos, em auditórios grandes, com mais ou menos distância. Mas tocar em formato tão próximo e tão cru, sente-se as pessoas mais de perto, como se interagissem. “É uma sensação super vulnerável, mas isso também faz um tipo de concerto muito mais bonito, mais honesto e à flor da pele.” Exemplifica Inês.
Sítios em termos de referência
Como referenciado anteriormente, Inês Fonseca, não é uma artista de tocar em grandes palcos internacionais. Toca em bares pequenos. Madrid é uma cidade muito agitada, há sempre coisas para ver por exemplo, o Auditório Nacional de Música em Espanha.Nunca tocou lá, toca mais em concertos intimistas, que vai entre a guitarra e o piano, para além de cantar.
Mensagem aos emigrantes portugueses que estão no mundo e àqueles que pretendem emigrar?
“Há uma coisa que gostava de dizer e que fazemos fora, não só os portugueses, mas que não gosto muito, é a separação de se dizer: eu não sou imigrante, eu sou expatriado!
É importante termos noção que cada emigrante em cada país, seja estar a servir à mesa, ou ser diretora de marketing numa das maiores marcas do mundo, como é o meu caso, somos todos portugueses que emigraram, que têm saudades da sua terra e que estamos a fazer uma vida digna fora de Portugal.
E a minha palavra para toda a gente que está fora, é uma palavra de empatia,
é uma sensação agridoce, estarmos fora do nosso cantinho e termos feito uma vida fora, mas ao mesmo tempo termos essa dorzinha de barriga com o que deixámos para trás.
Também há outra sensação: regressar ao nosso país e deixarmos outras coisas para trás!
Acho que é importante abraçarmos todos, simbolicamente, os emigrantes que estamos fora e entender-nos e transmitir muito amor, porque realmente a vida de emigrante tem muitas coisas boas, mas é uma vida carregada de pequenos vazios e de pequenas lutas, que quem não fez, se calhar, não imagina, ou romantiza um pouco.
A minha mensagem para quem pretenda emigrar, diria que cada pessoa faça aquilo que achar que tem de fazer e o que é melhor para si. Ninguém é mais válido por ter emigrado ou não. É verdade que é um processo duro, mas também tem a sua beleza e tem muitas coisas maravilhosas. E que cada um faça aquilo que for melhor para si!” Termina Inês Fonseca.




