Horácio Carvalho foi para Londres com 18 anos, em 1964, e é natural da Covilhã. O seu pai tinha uma garagem chamada São João, e à época não concordava com as guerras no ultramar. Achou por bem, e a conselho de um amigo, enviar o seu filho para Inglaterra, com o dinheiro das suas poupanças. Horácio frequentou três universidades na área da Engenharia e Economia. Casou-se com uma cidadã inglesa, e voltou para Portugal trabalhar com o seu pai, entre 1970 até 78/79, mas chegaram à conclusão que o seu sonho não era o do seu pai, e em 1979 deixou Covilhã, e rumou até Lisboa.

Ganhou o primeiro concurso, como empreendedor, “entrepreneur”, da movimentação de carvão na central térmica de Sines, em 1980/81. A família mudou-se com ele para o Estoril, tem três filhos casados, e netos, que vivem na Inglaterra.
Em 2003, regressou a Londres, “a minha mulher e eu tínhamos um acordo, que passados 20, 25 anos, regressávamos para Londres, Inglaterra”.
Quando vivia em Portugal, naquele interregno, nunca deixou de ver a família da sua mulher, todos os anos, uma ou duas vezes por ano, iam a Londres para visitar a família. Passou a ter casa em Londres a partir de 1983. Viveu em Londres quase toda a sua vida. Mas no período que esteve na Covilhã, nos anos setenta, foi obrigado a ir à tropa, e em 1974, apanhou a revolução.

Formou-se em Engenharia Mecânica em Londres, no Chelsea College, depois foi para o Lewisham College e também esteve na Imperial College. Andou “a saltitar” de um lado para o outro, em Engenharia Mecânica, e Economia, pretendia ser: “my own boss”, um empreendedor.
Em Portugal, fez algumas coisas importantes, introduziu gás natural no país. Foi o “pai” da Turbogás, que é a central a gás natural em Portugal. Fez o pipeline da fronteira, o chamado high pressure, com a Pipeline Engineering, PLE, que é uma subsidiária da Ruber Gas.

O Engenheiro Mira Amaral, era na altura o Ministro da Energia, “e o nosso parceiro era a Siemens, e o grupo Quintas, o Quintas & Quintas do norte.” Fez várias coisas em Portugal, como por exemplo a introdução de água potável em concessões, a primeira foi em Mafra. Também “ganharam” o Hospital Amadora Sintra, com o grupo Mello. “Geríamos o Hospital, os médicos, as enfermeiras, e fizemos um consórcio com o Grupo Mello.”
As novas tecnologias
Em 2003 fundou uma empresa chamada Carbon Capital Market, em Londres, era um trader de emissões de Carbono. Seguiam o protocolo de Quioto, e a CDM, Clean Develop Mechanism, que era o mecanismo do protocolo daquela cidade japonesa.

Quando o protocolo terminou em 2012, veio o Acordo de Paris, a partir de 2013 começou a introduzir a sério em Portugal algumas mini hídricas, e nesse ano a entrar a sério nas energias limpas, vento, solar, e alguma biomassa.
“Fizemos o primeiro grande projeto no Brasil de 220 megawatts, que dá para “alimentar” milhares e milhares de casas, tudo a partir da Inglaterra.”
Tem uma empresa que se chama Climate Change Ventures. Fazem advisory, “damos aconselhamento a empresas que querem levantar dinheiro.” “Tudo na transição para o que nós chamamos Carbon Zero”. As empresas que têm tecnologias que ajudam a mitigar o carbono, “prestamos aconselhamento a várias empresas nos Estados Unidos, nomeadamente na Califórnia, e também atuam em toda a Europa, com escritórios em Londres, na Alemanha, em Espanha e Hong Kong. E estamos a abrir uma sucursal em Nova Iorque.”
A empresa faz aconselhamento, mas também estão a levantar fundos para investir ou em empresas ou projetos de tecnologias limpas. “Já estruturámos o fundo em Luxemburgo, de 500 milhões de euros, e estamos a levantar capitais que designam de Institutional Investor, investidores institucionais: Fundos de pensão, seguradoras, fundos que pensam a longo prazo, não a curto prazo.” Esses fundos vão investir em empresas ou em projetos de tecnologias limpas, Clean Teck.
Em Portugal e em Espanha estão a lançar uma empresa que se chama Solar To Go, que é uma empresa solar e baterias, neste momento, é isso.
“Estamos mais focados na Europa, na Holanda, porque temos uma empresa de geotermia que tem uma tecnologia que usa oil wells e gas wells, poços de gás ou de petróleo, desativados. Mas o furo continua lá, a empresa que nós assessoramos, chama-se Ceraphi, utiliza o furo do gás ou do petróleo, desativado, para fazer geotermia, gerar calor, ou eletricidade. Estamos muito ativos em Inglaterra e agora começamos a ter muita atividade na Holanda, focada só para Geotermia.”
Na Inglaterra, “faço parte do Conselho, de uma empresa que se chama Energy Pathways” – “que levei para a Bolsa LSE-London Stock Exchange – AIM Market em dezembro de 2023” -, que é dona de um poço de gás designada Marram. Depois de tirar o gás para armazenamento de hidrogénio verde. “Vai ser a maior armazenagem de hidrogénio verde no Reino Unido, que fica em Liverpool.”
A energia solar e outras energias limpas
Hoje a energia solar na Europa já é maior do que a energia de carvão, já ultrapassou em gigawatts. O velho continente para acabar com o carbono, tem que usar energias limpas. “E está, enveredar, e bem, pelo hidrogénio.” Há uma transição elétrica nos transportes, já há muitos carros e autocarros elétricos, “mas é uma solução intermédia.”
“A solução futura é o hidrogénio. O hidrogénio tem muito mais autonomia, é mais limpo, não tem o problema do lítio, de minerais,” explica o Engenheiro.
“A água tem dois elementos: o oxigénio (H2O) e o hidrogénio (H2), separa o oxigénio do hidrogénio na água, e produz-se hidrogénio.” Para “a água tem dois elementos: o oxigénio (O2) e o hidrogénio (H2), através da eletrólise separa-se o oxigénio do hidrogénio na água, e produz-se hidrogénio em gás.”
A Europa está a investir biliões na produção deste elemento e vai deixar de estar dependente do gás. Na Holanda, por exemplo, já é proibido, por lei, ligar gás nas casas. Quando se faz um prédio novo, já não se pode ligar gás, para aquecimento, mas sim através da geotermia, ou eletricidade. A eletricidade vem do solar, do vento, da hídrica, vem das fontes energéticas limpas.
A China hoje “está à frente da Europa e dos Estados Unidos na produção de energia térmica limpa”, ou através do solar, que é o maior produtor solar do mundo, ou do vento. Este país Asiático teve muito carvão, mas tem vindo a fechar essas centrais, está a investir no gás, porque tem que ter “o que chamamos de uma fonte energética constante”, e tanto o vento como o sol, são intermitentes, porque não há sol, não tem energia. Se não tem vento, não tem energia. Tem que se ter uma base load, que é uma base constante, e ou é gás ou carvão. A China está com hídricas, e vai construir a maior hídrica do mundo, já tem a maior, mas vai construir outra muito maior, no norte do país.
No futuro, o que vai também ter um grande impacto é o que se chama de SMRs, os Small Modular Reactors. É energia nuclear, mas em módulos pequenos. Os dois grandes problemas da terra são: um crescimento populacional, “em 2030 vamos ser 10 biliões”. Para 10 biliões tem que se ter muita energia, comida…etc. E depois tem o outro problema, que é o maior problema da humanidade: o “climate change“. Se ninguém fizer nada para reduzir o CO2, “os meus bisnetos, vão ter graves problemas.”
Aliás, “o mundo já está a ter, como é o caso do que aconteceu em Los Angeles, e em Valência, tudo isto são fatores de alterações climáticas, não podemos fechar os olhos ou meter a cabeça na areia como a avestruz.”
“Sou um grande defensor de energias limpas, de resolver o problema da humanidade”. Em relação à comida “vamos ter que criar mais vertical greenhouses”, é uma indústria que está a crescer exponencialmente. Tudo que é vegetais, tomates, pepinos, tudo que é vegetal e fruta vai passar a vir de vertical “green farms“.
Com a Inteligência artificial, vai ser necessária muita potência e essa só pode vir, e porque tem que ser verde, ou do vento ou de solar, mas o futuro passa pela energia nuclear. “que vai ser a solução para a inteligência artificial”. E a energia nuclear no futuro não é só urânio, há outras matérias-primas.




