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Terça-feira - 13 Janeiro 2026

EXCLUSIVO: A Engenharia e Arquitetura duas paixões e uma visão mais integracionista sobre o espaço

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Manuel Da Costa, emigrou para o Canadá em 1970, era ainda um jovem com catorze anos. O seu pai emigrou pela primeira vez para a França, mas estava clandestino, desde 1958 até 1967, ano em que decidiu ir para outras paragens e rumou para outro continente, Canadá foi o destino. Havia várias hipóteses e emigrar para outros países, como a Austrália, Brasil, Estados Unidos, Canadá, França etc. Mas foi em 1970 que o seu pai já instalado no Canadá chamou o resto da família. “O país era mais frio”, revela Manuel, “mas uma pessoa habitua-se”.

Frequentava o sexto ano em Portugal e quando chegou ao Canadá, fui para o liceu e mais tarde para a Universidade Ryverson, atual TMU (Toronto Metropolitan University), onde frequentou Engenharia e Arquitetura.

Trabalhou em engenharia oito anos, como consultor de inspeções em prédios e foi aí que ganhou amor pela arquitetura. Começou a estudar à noite, onde esteve 5 anos a frequentar Arquitetura, e durante o dia trabalhava como Engenheiro.

Começou a praticar arquitetura durante algum tempo, e como não gostava de trabalhar para outros, pois sempre se considerou uma pessoa muito independente e autónoma, surgiu a oportunidade de se aventurar sozinho.

Deixou o trabalho que tinha, uma empresa de engenharia, e no momento certo criou a sua própria empresa, a Viana Roofing, já lá vão 43 anos.

Depois disso, abriu várias outras empresas que ainda continuam ativas, mas a principal, é a Viana Roofing.

Em que é que se inspira?

A inspiração, “é sempre fazer algo diferente, marcar pela diferença”, refere Manuel. A Viana Roofing também recebe muitos pedidos de outras empresas. Neste momento tem estado mais envolvido na área da imobiliária.

Confessa que o seu movimento arquitetónico favorito é o contemporâneo. E que infelizmente o Canadá, por ser um país novo, tem muito pouca arquitetura antiga com predominância mais atual. Não se pode comparar a arquitetura de um país, como Portugal, com a sua Arquitetura com várias influências, a Arquitetura de um país como o Canadá, com uma história de 160 e tal anos, não tem muita história para contar, mas também tem o seu encanto.

O Engenheiro e Arquiteto tem uma predileção por Siza Vieira, “é um homem que sempre admirei muito e tive o prazer de entrevistar para os nossos programas televisivos no Canadá. É um Homem com uma energia incrível, mesmo com idade avançada, faz com amor o seu trabalho que é inconfundível. Sempre o admirei, bem como também admiro muito Frank Lloyd Wright.

Que países considera terem uma arquitetura mais mais bonita, quer seja contemporânea ou não?

Nos dias que correm faz-se mais arquitetura de conveniência, em que os prédios são feitos para armazenar pessoas, de uma forma muito impessoal, eu tenho pena, porque aqui no Canadá tem havido uma explosão de construção de condomínios e casas. Revela o Arquiteto.

Adora Nova Iorque e a arquitetura que fazem lá é complementar, os prédios em si e a qualidade visual que tentam fazer é claramente de grandes arquitetos, e gosta muito de passear pelas ruas de Nova Iorque, ver e comparar o mais antigo, com o mais moderno, “que lhe dá um certo charme”, observa o Arquiteto.

Qual é a sua avaliação neste momento sobre a arquitetura em Portugal?

A Arquitetura em Portugal, por causa das barreiras que são impostas aos arquitetos e aos construtores, com licenciamentos e burocracias, pensa que podia ser melhor. Acha que prédios que são construídos têm uma arquitetura bonita, muito bem desenhada, e os arquitetos que temos em Portugal são muito bons.

Souto Mauro, Siza Vieira e outros. Gosta da forma que a casa moderna está a ser desenhada, com espaços, que usam muito a luz natural, e ele admira bastante essa forma de construção, por outro lado, o menos positivo é a falta de mão de obra suficiente na construção de prédios de grande grande envergadura. Porque não há gente para o fazer.

Pensa que muito do trabalho, a qualidade, não é boa, e por vezes não está bem feita, comprometendo a construção na sua generalidade. O fato também de não haver manutenção e a grande parte desses prédios novos dali a um ano ou dois já apresentam alguma degradação.

Este é o reparo que faz da situação em Portugal. Como Engenheiro e Arquiteto avançou que o edifício mais alto que construiu foi um prédio de seis andares. “Eu nunca quis construir prédios com muitos andares.” Prefere os mais baixos e com qualidade.

Perguntamos ao Engenheiro/Arquiteto, qual é a ligação que tem presentemente com Portugal, ao que nos revelou que saiu muito jovem do país e nunca experienciou a democracia em Portugal, porque foi para o Canadá em 1970.

“Levei muito anos a reintegrar a cultura e hoje venho muitas mais vezes a Portugal, mas sinceramente devido às burocracias – eu tenho aí alguns negócios, – em Portugal, uma licença para construir pode demorar quatro anos! Decidi que não ia fazer grandes construções no país, devido a esse fato,” diz o Arquiteto.

Mensagem aos arquitetos portugueses

“Eu quero encorajar os arquitetos para não armazenarem as pessoas em espaços que não possam respirar, eu sei financeiramente, que num prédio há uma necessidade para fazer divisões, mas Portugal é muito rico em sol, e que deve aproveitar mais o espaço, incorporar mais o ambiente na construção de casas ou prédios e que se integrem mais no espaço”, é com este pensamento e sugestão que nos deixa Manuel da Costa, o Arquiteto que também é Engenheiro.

Lígia Mourão
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