“É sempre um prazer poder partilhar a minha história para que possa inspirar outras jovens e mulheres,” inicia desta forma Roselyn Silva. Nasceu em São-Tomé e Príncipe, mas vive em Portugal desde os 4 anos. É mãe, esposa e empresária. A sua área de formação é Engenharia Civil e licenciou-se em Engenharia de Segurança do Trabalho. Toda a sua formação e educação foi feita em Portugal. “Mantenho sempre as minhas relações com São-Tomé, com a família e desde que abracei o projeto da moda, vou lá com mais frequência” acrescenta a Engenheira que agora é Estilista.
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Estudou no ISEL e no ISEC, Instituto Superior de Ciências e Educação em Lisboa. Desde criança sempre foi muito extrovertida, dinâmica e muito curiosa, reveladora de uma personalidade muito resiliente. “Sempre fui aquela aluna que se senta na carteira da frente, gosta de responder a tudo.” Diz com risinhos.
Desde os seis anos de idade até aos 18 anos esteve sempre ligada ao desporto. Foi atleta do Sporting Clube Portugal, federada de atletismo meio fundo e treinou com o professor Aniceto Simões e toda a família e amigos perspetivavam de que um dia se tornasse numa atleta olímpica, ou seguisse o caminho do desporto.

Mas desde sempre teve um bichinho pela moda, desejo que alimentava sozinha e apenas a família sabia que havia ali uma veia artística a revelar-se. Mas lembra-se que no 12º quando escolheu geometria descritiva e teve 20 valores, apercebeu-se que estava enganada todo aquele tempo. Aos 18 anos teve de abandonar o atletismo porque teve uma lesão e ficou parada um ano e a partir dessa lesão nunca mais conseguiu almejar os objetivos no desporto, tendo emocionalmente ido abaixo, porque desde muito cedo que praticava desporto. Acabou por abandonar o atletismo, mas como é uma pessoa muito resiliente outras oportunidades surgiram, pois o seu gosto pelas artes levou-a a outras corridas.
O que a levou a ser estilista?

Trabalhou durante 5 anos numa empresa de engenharia e as suas amigas notavam que Roselyn tinha um dom para as artes, desenho e moda. Nunca foi muito chegada à costura, mas aprendeu o básico. Costuma dizer que “não escolhi moda, a moda escolheu-me”! A sua veia artística estava mais conectada com a criação, havia uma costureira na rua onde morava, a Dona Cristina, “a quem eu pedia para me fazer as “coisas””.
Fazia criações para ela e para as suas amigas e os olhares de atenção e gosto eram manifestados quando ia a caminhar pela rua, apreciavam a sua indumentária, era uma constante, nunca passava despercebida.
Quando tinha por volta de 12 anos, já se questionava porque razão não se vestia da maneira como se vestem no seu país de origem e a sua mãe respondia-lhe que estavam na Europa e as pessoas se vestem de uma maneira diferente. Mas Roselyn nunca se deixou “contagiar” com essa resposta.

Quando começou a criar peças para ela ou para as amigas, usava sempre tecidos africanos. E sempre teve um olhar tático de muita valorização. Olhava para os tecidos e via a alta costura.
“O que é que isso quer dizer?” Questiona Roselyn. Via os tecidos em peças muito sofisticadas, elegantes, muito chiques como as grandes marcas internacionais, francesas, italianas… era dessa forma que idealizava as peças feitas com tecidos africanos, não ao ritmo tradicional africano, aos nossos trajes, peças mais simples”, mas costura diferenciada e muito apreciada ao nível global.
As peças de Roselyn começaram a dar nas vistas, nada era como antes, a sua vida deu grandes voltas, como nas grandes competições, o mundo da moda é muito exigente e competitivo, mas o que a “salvava” eram os seus tecidos e moldes arrojados e elegantes, e como dizem por aí, muito chiques!

Mas também sabe construir um prêt à porter, uma calça clássica social ou com uns jeans, com blusas ou casacos com classe. Incluía no seu vestuário com padrões e despertava alguma curiosidade nas pessoas. Como perfeccionista que é fazia com que as peças fossem muito bem executadas e esse detalhe chamava a atenção, é o que distingue uma peça de luxo e milhares de peças à grande escala.
Acabou por ser a sua própria embaixadora. A viragem dá-se quando em 2014, quando uma amiga sua que é Chef de Cozinha em Londres lhe pede para fazer uma jaleca para um catering num hotel. Roselyn prontificou-se e fez a jaleca mas com alguns padrões e motivos africanos. O evento foi um sucesso e a Chef quando apareceu deram-lhe os parabéns.
Como há sempre alguém mais atento, como foi o caso de um senhor, foi ter com a Chef deu-lhe os parabéns e disse-lhe que gostava muito da sua jaleca. E a Chef, para ajudar a amiga deu-lhe o contacto.
Rosalyn tinha o hobby de criar, desenhar peças e expunha-as no facebook, para além de também fazer umas pesquisas sobre a área da moda.
Um belo dia, estava Roselyn no seu habitual, a fazer a sua vida, recebe uma chamada de um inglês, a contar-lhe que tinha ficado encantado com a jaleca da Chef e convidou-a para ir a Londres fazer um desfile.
Foi um turbilhão de emoções que lhe passaram pela cabeça, mas como é uma mulher habituada a grandes corridas, aceitou o convite e foi ter com a costureira, a Dona Cristina, e disse-lhe: “Vou a Londres fazer um desfile!”.
Uma vez que já tinha um elevado número de peças, mas não sabia como fazer um desfile de alta costura, agarrou-se ao computador como quem se agarra à vida e pesquisou tudo sobre como fazer um desfile daquele gabarito e com a sua costureira conseguiram construir uma história para a passarela em Londres. Foi um enorme sucesso e teve muitas solicitações das pessoas para comprarem as suas peças.
Voltou para Portugal para a sua vida normal. Nesse mesmo ano (2014), a SIC entrou em contacto com ela para ir a um programa de Júlia Pinheiro, dizendo-lhe que tinha muito talento e que o “meu molde” ainda iria ouvir muito falar dele.
Começou como autodidata, mas depois sentiu que tinha muito a aprender e foi estudar moda à noite, na Lisbon School Design, na LSD, e durante o dia trabalhava.
Em 2015 surge um programa em Portugal o Shark Tank, “os meus irmãos inscreveram-me porque achavam que eu tinha muito talento, lá fui ao Shark Tank e saí de lá com dois investidores, dois tubarões, o Tim Vieira e o Mário Ferreira, viram o meu trabalho, adoraram e decidiram que queriam apostar em mim. No fundo, eu fui lá dizer: olha, eu vou ser a primeira designer em Portugal a ter uma marca de luxo de inspiração africana.”
Deixou a engenharia e com o investimento dos 50 mil euros que o Shark Tank “investiu em mim, tendo em conta que sempre tive uma visão de posicionar o tecido africano no mercado de luxo. Dar-lhe valor e sofisticação, abri o meu primeiro atelier na rua Castilho, numa zona nobre e bem posicionada.”
Já vestiu várias personalidades, a fadista Mariza, Cláudia Vieira, diplomatas, presidentes e por aí fora. Com a publicidade do Shark Tank e todo o trabalho desenvolvido, a marca foi crescendo e tendo bastante prestígio, tornando-se uma marca de referência em Portugal, no que toca ao design africano.
Também tem um atelier na Avenida da Liberdade, atualmente. Continua com o segmento de alta costura, peças feitas por medida, peças exclusivas. “Somos um atelier muito de atendimento personalizado, mas a marca evoluiu”. Tem coleções e vende em Nova Iorque, no Porto, em Lisboa e em Cascais.
Também vende para multimarcas e no meio disto tudo, “a moda abriu-me portas para outras coisas, também fui fazendo formações e estudar na área da comunicação, que é uma área que eu também gosto muito.”
Já fiz um pouco de tudo, incluindo um programa de televisão na SIC Internacional, um TEDx, e vou fazer um summit este ano. Porquê? “Porque a minha história acabou por se tornar numa história diferente, inspiradora e eu trabalho muito com a Comunidade jovem na área de empreendedorismo. Dou formação nessa área para jovens que querem empreender nas mais diversificadas áreas e também estou muito ligada à área social, sou de São-Tomé e Príncipe, viajo muito porque também pretendo desenvolver lá projetos sociais.” Termina Roselyn Silva.




