Luís Portela Presidente da Fundação Bial
O Jornal Comunidades Lusófonas esteve à fala com o Presidente da Fundação Bial, Luís Portela, que está à frente desde a sua constituição, fez 30 anos em 2024. A Fundação tem Bolsas de investigação disponíveis todos os anos, onde os portugueses podem candidatar-se. Trabalham com vários países e contam no Conselho Científico, presidido por um português de renome, António Damásio. A Fundação pode ser mais um polo de atração de cientistas portugueses onde podem fazer investigação, e há áreas inovadoras como a Psicofisiologia e a Parapsicologia.

Jornal Comunidades Lusófonas: Em primeiro lugar, gostaria de saber qual é o objetivo da Fundação Bial?
Luís Portela: A Fundação BIAL é uma instituição sem fins lucrativos e de utilidade pública que tem como missão incentivar o estudo científico do ser humano, tanto do ponto de vista físico como espiritual. O seu objetivo é estimular descobertas que beneficiem as pessoas, proporcionando mais saúde e permitindo alcançar novos patamares no conhecimento.
Ao longo de 30 anos, a Fundação BIAL tem vindo a distinguir, apoiar e promover aqueles que procuram trilhar novos passos no caminho da investigação, da ciência e do conhecimento, em Portugal e no mundo. É atualmente uma instituição de referência, particularmente no âmbito da investigação em Neurociências e Parapsicologia.
JCL: Há quantos anos é Presidente, Luís Portela, e qual é o seu âmbito?
LP: Estive na génese da constituição da Fundação BIAL em 1994 e presido ao Conselho de Administração e à Comissão Executiva desde essa data. Além de mim, integram o Conselho de Administração Daniel Bessa, Nuno Sousa (também membros da Comissão Executiva), Miguel Portela e Patrícia Teixeira Lopes.
Além do Conselho de Administração e da Comissão Executiva, destaco o Conselho Científico, presidido por António Damásio, e constituído por 59 académicos de prestígio internacional, a maioria deles neurocientistas.
JCL: Há quantos anos existe e a quem se destina?
LP: A Fundação BIAL celebrou 30 anos em 2024. Foi constituída em 1994 pelos Laboratórios BIAL, em conjunto com o Conselho de Reitores das Universidade Portuguesas, sendo gerida por representantes das duas instituições. Conta com o Alto Patrocínio do Presidente da República, e os patrocínios do Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas e da Ordem dos Médicos.
Entre as suas atividades, destaca-se a atribuição de prémios científicos no âmbito das ciências da saúde e um programa de Apoios a Projetos de Investigação Científica, orientado para o estudo neurofisiológico e mental do ser humano. Pode então dizer-se que os destinatários ou beneficiários dos Apoios e Prémios atribuídos pela Fundação BIAL são investigadores das áreas das Ciências da Saúde.

JCL: Que tipo de apoios a Fundação abraça, de carácter científico, social, ou na sociedade civil?
A Fundação BIAL atribui três prémios científicos no âmbito das Ciências da Saúde:
LP: O Prémio BIAL de Medicina Clínica, com o valor global de 120 mil euros, visa galardoar uma obra intelectual, original, de índole médica, com tema livre e dirigida à prática clínica, que represente um trabalho com resultados de grande qualidade e relevância.
O BIAL Award in Biomedicine, com o valor de 350 mil euros, e nomeações atualmente abertas até 30 de junho, destina-se a galardoar uma obra publicada nos últimos dez anos, de índole biomédica, que traduza um trabalho com resultados de excecional qualidade e relevância científica. Este é um dos maiores prémios europeus na área da saúde.
O Prémio Maria de Sousa, promovido pela Ordem dos Médicos e pela Fundação BIAL, visa galardoar e apoiar jovens investigadores portugueses, até aos 35 anos, em projetos de investigação científica na área das Ciências da Saúde, incluindo obrigatoriamente um estágio num centro internacional de excelência. Com um valor global até 150 mil euros, este Prémio tem atualmente candidaturas abertas até 31 de maio.
No âmbito do programa de Apoios a Projetos de Investigação Científica, orientado para o estudo neurofisiológico e mental do ser humano, nas áreas da Psicofisiologia e da Parapsicologia, a Fundação BIAL tem financiado estudos de cientistas de algumas das mais reconhecidas universidades a nível mundial, tendo aprovado para financiamento, até ao momento, um total de 946 projetos, de cerca de 1900 investigadores, de 31 países.
Para reunir os diversos investigadores que tem apoiado e a elite científica internacional nas áreas das Neurociências e da Parapsicologia, a Fundação BIAL organiza, de dois em dois anos, na Casa do Médico, no Porto, os Simpósios “Aquém e Além do Cérebro”.
JCL: Qual é o “lema” da Fundação Bial?
LP: Chamamos-lhe missão, em vez de lema. Como referi, a missão da Fundação BIAL é incentivar o estudo científico do ser humano, tanto do ponto de vista físico como espiritual. Assim, continuaremos a promover a investigação e a estimular descobertas que contribuam para o esclarecimento da humanidade, e permitam ao ser humano viver melhor, na utilização de todas as suas potencialidades e no respeito pelas Leis Universais.
JCL: O trabalho da Fundação restringe-se a Portugal ou estão presentes noutros países, e quais?
LP: Ao longo dos anos, a Fundação BIAL tem desenvolvido uma relação de proximidade com a comunidade científica, primeiro em Portugal e, depois, no mundo. A Fundação BIAL é, assim, uma instituição de alcance internacional.
No âmbito dos Apoios a Projetos de Investigação Científica, a Fundação BIAL tem financiado estudos de cientistas de algumas das mais reconhecidas universidades a nível mundial, tendo apoiado cerca de 1900 investigadores, de 31 países. Entre os investigadores apoiados pela Fundação destacam-se prestigiados cientistas de algumas das mais notáveis universidades europeias, norte-americanas, australianas, russas e japonesas.
Também o BIAL Award in Biomedicine foi criado com o intuito de alargar o âmbito de atuação da Fundação BIAL além-fronteiras e reconhecer o que de mais notável e relevante tem sido descoberto na área biomédica em todo o mundo. Nas três edições realizadas até à data, foram nomeados artigos de cerca de 2340 investigadores de 21 países.
De destacar ainda as 14 edições dos Simpósios “Aquém e Além do Cérebro” realizados até à data, em que participaram várias centenas de investigadores de diversos países.
JCL: Oferecem bolsas de estudo para investigação, tendo em conta que Portugal tem vários profissionais na área da investigação, mas vão para o estrangeiro porque não encontram no país o apoio devido das instituições públicas e privadas, o que tem a dizer aos nossos cientistas para permanecerem e fazerem mais investigação em Portugal?
LP: Portugal tem tradicionalmente na área das Ciências da Saúde uma investigação de base muito forte, que em muitas áreas compara com o que de melhor se faz na Europa e no mundo. Os nossos Prémios estão acessíveis aos investigadores portugueses que trabalham nesta área.
Quanto aos Apoios a Projetos de Investigação Científica, a Fundação BIAL é a única em Portugal e uma das poucas no mundo a oferecer Bolsas nas áreas da Psicofisiologia e da Parapsicologia.
A nossa mensagem para os investigadores portugueses é convidá-los a candidatarem-se aos nossos Prémios e Bolsas, mostrando o seu talento. Da nossa parte, procuramos apoiar e incentivar a produção científica, reforçando a qualidade da ciência que apoiamos e que distinguimos, de forma a cada vez melhor contribuirmos para o esclarecimento e o bem-estar da humanidade.
JCL: Qual foi a bolsa de investigação mais elevada que atribuíram, e se nos pode dizer o valor, quanto foi? E qual foi o projeto?
LP: As candidaturas aprovadas em cada programa de Apoios a Projetos de Investigação Científica beneficiam de financiamento até ao montante máximo de 60 mil euros, determinado, em função das características de cada projeto, pelos membros do Conselho Científico, a quem cabe analisá-las. 946 projetos já beneficiaram de apoio até 60 mil euros.




