Jorge Meneses, jornalista de profissão, vai vivendo entre Portugal e África há pelo menos vinte cinco anos. Tem uma larga experiência no mundo lusófono, mais concretamente na Guiné-Bissau.
Tem uma paixão pela televisão, dos momentos em que fez trabalhos para a Rádio Televisão Portuguesa, e verificou que havia poucas produtoras audiovisuais no norte. Lançou o seu próprio projeto televisivo. A Zoom Video, que foi criada no início de 2000, no Porto. “Fiquei fascinado pela televisão, quando estive na RTP”. E o bichinho ficou-lhe na cabeça e já no século XXI conseguiu levar avante o seu projeto.
Começou a sua própria empresa a fazer programas de televisão para a RTP, TVI, e não só. Também se lançou com os seus programas de televisão, onde desenvolveram outras atividades na área do audiovisual, com vídeos promocionais, vídeos para empresas, vídeos sobre regiões, uma vasta área de trabalhos, como por exemplo, as cimeiras da CPLP. O mundo lusófono é muito extenso, e com a “abertura” do mercado da CPLP, proporcionou-lhe, desenvolver um vasto leque de trabalhos audiovisuais.
Quando lhe perguntamos sobre a mão de obra portuguesa qualificada que está a sair do país e muita dela vai para os países da CPLP, e com a sua experiência de vinte cinco anos, nos países da lusofonia, o jornalista revelou-nos que os portugueses que se encontram nesses países, são muito valorizados, quer em termos monetários e profissionais. Da sua “especialidade” e experiência tem verificado, que estes se encontram nas mais diversificadas áreas, como por exemplo, na energia, construção civil, eletricidade, quer seja através de empresas portuguesas ou estrangeiras na área Petrolífera.
O que tem assistido e visto, são pessoas que têm uma mais-valia muito grande, “são bem remunerados lá fora”. Em Portugal, o caso é diferente, e até um pouco mais complicado. Os portugueses, nos países onde estão a trabalhar, encontram-se bem enquadrados, e muito bem inseridos, e têm um nível de vida muito bom. “Que se calhar em Portugal seria muito mais complicado,” observa o Jornalista.
A emigração portuguesa ao longo dos últimos anos
A problemática da emigração com mão de obra qualificada e altamente qualificada deve-se, resumidamente, aos magros salários que se praticam em Portugal. Jorge Menezes dá o seu ponto de vista, e remete esse tema de Portugal não poder acompanhar outros países. O Jornalista, referiu que esta é uma questão muito complicada. Porquê? “Porque não conseguimos ter o mesmo nível de remunerações em Portugal, embora lá fora, trabalhem muito mais. Mas são compensados.” Diz o jornalista.
Em Portugal, o valor médio salarial, nos quadros médios, rondam entre os 1500 e os 2000 euros. Lá fora ganha-se entre os seis, sete mil euros, por isso “não temos condições para assegurar essa gente em termos remuneratórios.” A questão salarial pesa muito “na hora de emigrar ou não, e a regra é emigrar”.
Vinte cinco anos de lusofonia
Em alguns países da CPLP, mais concretamente nos países Africanos, independentemente da questão de turbulência política que há, “nomeadamente Moçambique e Guiné-Bissau,” os Portugueses sempre estiveram lá. Os que lá ficaram, resguardaram-se, e a situação começa agora a estabilizar e voltar à normalidade. Segundo o jornalista, e da experiência de muitos anos, conta que os portugueses nesses países estão bem e “felizes por estarem lá e não querem regressar ao país.” Alguns vieram por uma questão de medo, “mas a grande maioria esta lá.”
“Os nossos quadros ajudam a colmatar a falta de mão de obra especializada nos países da CPLP”
Segundo Jorge Menezes, considera que as pessoas que vivem na sua maioria nos países da CPLP, mais concretamente em África, não têm pessoas com mão de obra qualificada. “Não têm pessoas com um espírito tão empreendedor como nós”, diz com algum desprendimento ou vaidade, o jornalista.
Continuam a achar que precisam dos portugueses, independentemente do passado colonialista que tivemos. E há várias ordens de razão. Os portugueses habitualmente quando são contratados, vão para lugares de chefia, e isso só denota que são valorizados. “São bem avaliados e muito queridos por essas pessoas”.
É natural que depois os trabalhadores desses países que lá estão a trabalhar, vão tendo alguma aprendizagem. “Vão percebendo como é que as coisas se fazem, e como os portugueses trabalham. E é uma forma de aprenderem com os portugueses e o que vão ensinando”.
Os portugueses são muito acarinhados, a situação evolui porque os portugueses estão lá e vão transmitindo, vão fazendo e percebendo que são uma mais valia para determinada empresa, e por arrasto para o país.
Já há alguns casos de sucesso de africanos, quer sejam angolanos, ou guineenses, que tenham assimilado os conhecimentos que os portugueses levam daqui, mas também há quem se acomode e deixam as coisas “rolarem” sem se esforçarem muito.
“Eu costumo dizer, que deviam ter um espírito como os chineses. Os chineses aprendem, copiam e depois fazem melhor. Não é por acaso que se estão a tornar na potência que são hoje. Coisa que nos países da CPLP isso não tem acontecido, não tem havido esse espírito.”
Esta mentalidade do “deixa andar” é por vezes visível, e há alguns exemplos notórios.
Algumas cidades como Maputo, ou Luanda, ao nível de urbanismo, das cidades, aquilo que os portugueses deixaram há 50 anos, continua, “não foi criado nem feito nada de novo, na sua maioria. E isso denota que não tiveram um espírito empreendedor, não tiveram capacidade para fazer.”
Uma pequena mensagem da sua experiência nos países da CPLP
“Não é fácil! Eu acho que é importante cada vez mais ajudarmos. Aliás, os países da CPLP se forem ajudados e dermos formação, a grande maioria deles, conseguem. Não direi que são todos”, “mas conseguem ter um caminho, e ganhar uma força própria para vencer e caminhar sozinhos, “mas isso é um processo que demora algum tempo.”
