Da pequena localidade perto de Coimbra vem o artista compositor e músico Tiago Pereira. Iniciou os seus estudos académicos na cidade dos estudantes, na Escola Superior de Educação, para frequentar o curso de Música, mas no segundo ano apercebeu-se que não era bem o curso que pretendia especializar-se, porque era mais direcionado para a vertente da educação. Decidiu ir para Manchester tentar a sua sorte na música, foi continuar os seus estudos aos 27 anos em Song Writing, no curso de Artes da Universidade de Manchester.

“Definitivamente não foi por causa do tempo, porque aqui só chove, inicia a conversa ao Jornal Comunidades Lusófonas Tiago Pereira, um profissional da música.
Desde muito cedo que percebeu que queria seguir música. E teve os seus projetos em Portugal até aos seus 27 anos, e depois decidiu emigrar.
Na universidade em Coimbra, na Escola Superior de Educação, frequentou o curso de Música, mas depois, quando chegou ao segundo ano, percebeu que não era bem aquilo que queria porque era um curso mais direcionado para a vertente da educação.
Chegou à conclusão que queria emigrar e tentar sair um bocado da sua zona conforto, procurar outras influências e experiências que o pudessem mudar como pessoa, artista e músico.

Foi para Manchester em 2018. Com o objetivo de conseguir de concluir os estudos, “tirar um curso que fosse ao encontro da sua medida, que correspondesse ao que há em Portugal de composição Musical, estudou Song Writing na universidade em Manchester, durante três anos em Artes.
Proveniente da zona de Coimbra, tendo lá nascido, viveu grande parte da sua vida em Lousã, que fica relativamente perto. A família também é grande, parte dela vive em Lousã e na Serra da Estrela. “Foi uma mudança um bocado drástica vir de uma vila bastante pequena para uma cidade como Manchester”. Destaca Tiago. Com tudo que possa haver de bom e de mau numa cidade grande.
Demorou algum tempo em adaptar-se, porque apesar da experiência em música, teve os seus projetos com bandas em Portugal. Mas quando foi para Manchester teve um período de adaptação. Teve que fazer outras coisas que não estava habituado, “porque a minha experiência em Portugal era muito mais direcionada para música e quando vim para cá, tive que arranjar outros empregos para me adaptar.” Revela o músico.
Trabalhou muito na indústria da moda, em lojas de roupa, para conseguir pagar as contas e subsistir. Quando acabou o curso, e ao longo do tempo e experiência, arranjou mais oportunidades dentro da indústria da música, que “ é o que faço neste momento, faço alguns trabalhos diferentes.” Menciona Tiago.
Vai tentando tirar o máximo de proveito deles. Quer em termos de experiência, quer em termos de remuneração. Para conseguir estar numa situação melhor do que estaria em Portugal. Neste momento está a trabalhar como freelancer na área da música.
Faz sessões de som na Universidade, onde estudou, como engenheiro de som, e também trabalha com outros artistas e bandas. Muitas vezes faz misturas de temas de bandas de artistas, e produz música para um artista no Reino Unido. Bem como dá aulas, remotamente, para uma escola de Londres.
Toca vários instrumentos ou é só vocalização e instrumentalização?
Com os ensinamentos das Universidades Portuguesas e Britânicas proporcionou-lhe experiência e conhecimentos vários, e toca, vários instrumentos, como guitarra, bateria, baixo, piano e também canto.
Alguns dos conhecimentos já os trazia na bagagem de Portugal. Depois a parte que desenvolveu no curso em Manchester foi a parte da composição, conseguiu atingir outros patamares.
Também na parte de produção, era uma parte que tinha desenvolvido em terras lusas, mas depois em Manchester com o curso de composição, teve algumas cadeiras que lhe deram também ajuda na parte de produção de música, que lhe é bastante útil, porque trabalha com algumas pessoas que não têm bem noção de como querem que a música delas se oiça. “E é nessa parte que eu às vezes entro, ajudo a conseguirem chegar ao sítio, ao género e ao estilo musical que querem, através das minhas competências”. Revela o músico.
Faz composições, escreve música ou só letra?
Segundo Tiago, tenho a minha própria carreira como músico, uma das razões para vir para cá. Eu lanço música, crio música e escrevo música, como artista, sobre o nome de Pear Cliché.
Lança música sob os auspícios desse nome e faz as suas coisas quando trabalha com outras pessoas. Não é tanto para escrever as letras, mas a parte instrumental.
No passado, as suas origens em Portugal eram muito mais assentes no Pop e no Rock, mas depois de ter vindo para o Reino Unido, é mais mais direcionada para R&B, e um pouco de Hip Hop.
Tenta ser ao mesmo tempo o mais abrangente possível, “tento ter a minha própria identidade”, faz música para as pessoas, “e para mim próprio, tento fazer música que em primeiro me faça sentir feliz. E ao mesmo tempo também que comunique e diga algo às pessoas.” Revela o artista.
Para que qualquer artista tenha sucesso há sempre por trás a promoção da sua obra, e como recente artista também Tiago enfrenta esse dilema: A promoção é o seu principal calcanhar de Aquiles. Muitas das vezes, quando faz os seus próprios trabalhos, torna-se um pouco desafiante fazê-lo sozinho, ou seja, desde criar a música, misturá-la, produzi-la, depois lançá-la e promovê-la.
Às vezes, torna-se um bocadinho difícil de fazer tudo. “Eu tento ser o mais abrangente possível. Uso o Instagram, o YouTube, LinkedIn, mas mais para a minha parte profissional, não da parte artística. Tento usar as plataformas sociais para tirar o melhor partido delas, sei que agora, principalmente daqui para a frente, vou começar a lançar mais música e a levar as coisas um bocadinho mais a sério, vou ter que me habituar à ideia de usar as redes sociais o mais frequentemente possível, mas também ao mesmo tempo, com as pessoas que tenho à minha volta.” Diz o músico
Nunca foi convidado pelos media?
Fez alguma publicidade, quando estava no final da universidade. Foi uma das músicas que lançou onde fez o trabalho escrito e depois, também o trabalho prático. Foi o lançamento dessa música, na altura contactou algumas rádios. Foi a vários sítios para conseguir ter maior abrangência. Mas só apenas uma rádio Internacional passou “o meu trabalho”.
“Houve algumas rádios que passaram a minha música na altura e algumas das músicas que lancei, mas foi, um pouco nas rádios mais independentes. Não ao nível da BBC. Que, apesar de também ter contatado, ainda não conseguiu obter espaço com eles, mas continua na lista para o futuro, é algo que vai continuar insistentemente a tentar.
O mercado Português é “pequeno”
Teve a experiência em Portugal, durante praticamente seis anos. Conseguiram atingir algumas coisas interessantes dentro “do nosso panorama”. Mas crê que neste momento, isso foi uma das razões, que o fez sair. O mercado da música em Portugal é um mercado bastante pequeno. Somos 11 milhões de habitantes, e é um bocadinho difícil uma pessoa conseguir subsistir fazendo apenas música em Portugal. A não ser que se viva nos grandes centros, Porto e Lisboa. E mesmo assim é um mercado extremamente, curto e restrito.
E também muito competitivo e em termos criativos acha que precisava de experienciar coisas que em Portugal não iria experienciar para poder mudar a sua identidade da qual não iria acontecer se ficasse na terra natal.
“Foi uma das razões de ter ido para o estrangeiro. Foi para mudar como pessoa e como artista”, mencionou o artista.
Para Tiago acredita que há sempre espaço para fazer música em Portugal. Se uma pessoa quiser fazer vida da música e ao mesmo tempo querer ter a sua própria identidade e fazer aquilo que bem lhe apetece dentro de músicas, é um bocadinho mais complicado.
É um mercado em que “temos artistas excelentes no país, temos música muito boa em Portugal, mas acho que no aspeto de fazer música livremente é muito difícil de poder fazer neste momento.” Revela Tiago.




