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Terça-feira - 19 Maio 2026

EXCLUSIVO: A paixão da Rádio leva-o a Paris

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Eduardo Lino, nutre desde muito cedo a paixão da rádio, começou com tenra idade nas ondas radiofónicas, com apenas 15 anos já andava envolvido em rádios piratas. A sua paixão teve de ser adiada, porque lhe faltava algo também importante, formação académica. Estudou até ao nono ano, e só mais tarde, em regime noturno, terminou o secundário. A sua vocação era comunicação, e foi como técnico de Juventude na Câmara Municipal da Marinha Grande. Com as reviravoltas da vida, foi um ano para a Alemanha. Também trabalhou como comercial numa empresa de papelaria na Marinha Grande. E por lá esteve quinze anos. E mais uma vez um sonho adiado.

Em 2008 entrou para a Universidade, onde frequentou o curso de Comunicação Social e Educação Multimédia, no Instituto Politécnico de Leiria, na Escola Superior de Educação de Leiria, tendo terminado a licenciatura em Jornalismo em 2011.

A crise de 2008, arrastou-se por uns anos, e também ele foi vítimas das ondulações da crise, com oito meses de salários em atraso, e com uma família para sustentar.

Com o curso terminado, deu o salto do Ipiranga, e rumou a Paris, em busca da sua sorte na Rádio Alfa, onde pretendia primeiro estagiar e mais tarde trabalhar.

Em Portugal ficou a esposa, mas logo de seguida foi ter com Eduardo a Paris, onde se encontram a viver e trabalhar até hoje.

Depois de Junho de 2011

A vida de um emigrante não é fácil no início de cada carreira profissional e até mesmo a adaptação. Eduardo Lino, não foi logo trabalhar para a Rádio Alfa, (como sonhara), apesar das suas investidas, no envio do seu currículo, e foram muitas, não tiveram sucesso. Até o seu tio se deslocava às instalações da Rádio, para entregar pessoalmente o currículo de Eduardo, mas nunca lhe deram uma resposta.

Quando já estava em Paris, começou por conduzir um camião. Já tinha experiência em Portugal, esteve nessa empresa nove anos.

Como ninguém da Rádio Alfa respondia aos vários currículos que enviava, começou a ir lá pessoalmente, para se aproximar das pessoas que lá trabalhavam.

Num almoço conheceu o jornalista da rádio Alfa, “ele estava lá a fazer reportagem”, diz Eduardo Lino. E pouco tempo depois disseram-lhe: “quando quiseres, vem visitar a rádio” e “eu aceitei o convite, fui visitar a rádio, conheci os jornalistas do desporto, que curiosamente são do distrito de Leiria. E também têm um animador que é de Vila de Rei, (Portugal), que fazia as tardes.” Refere Lino.

Até que um belo dia precisavam de uma pessoa, decorria o ano de 2014, “ligaram-me a perguntar se estava disponível?”

Foi uma espécie de luz ao fundo do túnel, e aceitou de imediato o convite.

Olharam para o seu currículo, e foi a partir desse momento, em 2015, que se encontra a colaborar com a rádio ALFA. Orgulhoso diz: Já fiz programa em emissão. Agora faço exteriores e reportagens,” conta, alegremente o jornalista.

Foi muito difícil chegar a Paris, pegar num camião… o que fazia concretamente?

Era nas obras, trabalhava com um camião das obras da construção civil. Íamos a uma obra, a um estaleiro, carregávamos areia e levávamos a carga para outro estaleiro onde se fazia a descarga, voltavam carregavam e descarregavam areia, um trabalho quase que automático, que não precisava de grandes pontos ou virgulas para compor a obra. Um trabalho ritmado, mas com muita responsabilidade, no qual Lino faz questão de fazer, sempre com muita dedicação e profissionalismo.

Quando começou a fazer a rádio, tinha dois trabalhos, durante o dia trabalhava com o camião e às seis horas tinha que estar na rádio para fazer o programa até às nove da noite. Todos os dias se levantava às 5 da manhã, e é com esse ritmo que continua, mas presentemente tem uma profissão mais leve, trabalha num escritório, e ao fim do dia vai para a Rádio.

O seu sonho de ser um profissional a tempo inteiro na rádio Alfa, ainda é uma miragem, mas sente-se feliz por fazer o que faz no momento, apesar de no seu discurso ainda se sentir que uma das asas para poder voar está quebradiça…falta algo para alimentar a mente na sua plenitude.

Faz jornalismo à noite e ao fim de semana e por vezes durante o dia, quando é preciso, “vou fazer as minhas reportagens”, diz com orgulho.

“Estou ligado à rádio ALFA, faço algumas peças quando o jornalista deles não pode, também vou para o LusoPress, onde faço reportagem de televisão. Faço reportagens quando não têm jornalista disponível.” A última que vez foi em Junho deste ano. “A próxima vou fazer no domingo de manhã, na rotunda da Linda de Suza. Quando o jornalista deles não pode pedem-me para fazer reportagem para a televisão,” refere.

Sente-se confortável? Sendo jornalista, não gostaria desempenhar a sua carreira a tempo inteiro?

“Eu gostava de fazer a tempo inteiro sim, mas como tenho estas oportunidades de continuar a fazer e também gosto muito daquilo que faço, estou muito bem. Estou confortável, porque tenho o meu trabalho que me dá o meu rendimento e depois tenho o meu prazer, que me proporciona rendimentos extra na área do jornalismo, em comunicação.” Explica Eduardo Lino, o sonho, permanece em stand by, talvez um dia lhe caia no regaço uma oferta que o preencha por completo.

Lígia Mourão
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