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EXCLUSIVO: A vida de emigrante é um constante desafio – entre Bélgica e França, Nações Unidas é o escopo

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Richard Tavares nasceu na Venezuela e é filho de pais portugueses, veio para Portugal com dois anos e meio e fez todos os estudos até o final do secundário em Salreu, Estarreja, no Distrito de Aveiro, prosseguindo os estudos na Universidade naquela cidade. Gostou tanto da região que ficou por lá até ter terminado a licenciatura em Engenharia do Ambiente, durante o período do pré-Bolonha, cinco anos. Teve muita “sorte” e várias ofertas na Universidade de Aveiro, para seguir o doutoramento em diferentes áreas e optou por seguir na área Ciências Aplicadas ao Ambiente, com a especialização em Acidentes Industriais e Poluição do Ar, com o desenvolvimento de um software ou modelo de simulação.

A sua vida tem sido um saltimbanco e deixa-se levar pelas oportunidades que lhe vão surgindo, ou pelas motivações profissionais que lhe oferecem ou realização profissional que o guiam a atingir o topo da carreira.

Tem feito um pouco de tudo na sua área de formação académica, viveu entre França e Bélgica, mais concretamente em Bruxelas na Comissão Europeia. É um profissional muito exigente e retira de si o esforço de conseguir atingir mais e mais.

Fez Doutoramento em Ciências Aplicadas ao Ambiente, no Departamento de Ambiente e Ordenamento, e desenvolveu trabalho de investigação, no Grupo de Modulação, Emissões e Alterações Climáticas que era coordenado pelo professor Carlos Borrego, tendo sido Ministro do Ambiente na década de 90 e esse foi o seu percurso académico.

Mas ainda tem o sonho que o leva a querer mais, inicialmente, depois de ter acabado o doutoramento em 2011, teve um convite em 2012, para fazer um pós-doutoramento em França, na École Centrale de Nantes, dentro da mesma área em que estava a desenvolver em Portugal e aceitou.

De malas aviadas seguiu até Nantes, no final de 2012 e permaneceu lá até inícios de 2015. Depois de vários contratos anuais de pós-doutoramento, pensou em dar o passo, deixar a investigação, de investigador passou para o lado de financiamento e de suporte à gestão da investigação.

Em 2015 teve um convite para ir para Bruxelas fazer a gestão do acesso aos supercomputadores europeus, em todas as áreas de investigação, para uma associação que estava ligada à Comissão Europeia, o PRACE (Partnership for Advanced Computing in Europe), com sede em Bruxelas onde esteve envolvido na gestão do acesso de projetos europeus para terem acesso aos supercomputadores. Eram cinco centros de supercomputação na Europa e esteve lá a trabalhar até 2017.

Nesse mesmo ano, entre diferentes encontros, eventos e conferências, teve um convite do Observatório de Paris para fazer a coordenação de um projeto europeu que ia começar em 2017.

A sua responsabilidade seria lançar todo o projeto, definir o plano de atividades, as ferramentas de coordenação, para iniciarem as atividades.

Três meses depois surgiu um outro convite da Agência Nacional de Investigação Francesa, o equivalente à FCT (Fundação para a Ciência e a Tecnologia). A Agence Nationale de la Recherche, na qual teve também o convite para coordenar uma iniciativa europeia de investigação e apoio às políticas na área da água. Integrou a equipa da ANR e esteve a fazer a coordenação e gestão no Joint Program Initiative in Water ou Water JPI, onde trabalhou até 2020.

Mas apesar de adorar o trabalho, surgiu mais uma oportunidade, abriu uma vaga na sua área de investigação e de trabalho: ambiente, alterações climáticas e modelos, modelação, na Agência Executiva Europeia para as Pequenas e Médias Empresas. Candidatou-se e submeteu-se a todo o processo desde os testes até à fase das entrevistas e em 2020 teve o convite para ir para Bruxelas desempenhar as funções de Project Advisor para fazer a gestão de tudo o que é projetos europeus referentes ao Horizonte 2020 presentemente designado de Horizonte Europa, mas na Agência Executiva Europeia para as Pequenas e Médias Empresas no seio das Instituições Europeias.

No ano de 2021, com a reestruturação da Comissão e das diferentes entidades, a sua equipa das Climáticas que passou para a CINEA, a Agência Executiva Europeia para o Clima, Infraestruturas e Ambiente, onde esteve até praticamente há dois meses, tendo-se mudado para a Agência Europeia Executiva para a Investigação (REA).

Toda a sua carreira tem-se pautado por estas circunstâncias e desafios, sempre com o foco de se candidatar a lugares onde o trabalhos é exigente e desafiante com progressão na carreira.

Neste momento continua como Project Advisor, Conselheiro de Projetos. Coordena e faz a gestão de todo o processo de avaliação de propostas, de projetos europeus, que são preparados e submetidos ao Programa Europeu, Horizonte Europa, numa área muito específica: biodiversidade, ambiente, poluição e economia circular.

E neste processo todo faz a gestão e avaliação dos projetos, preparar relatórios, ter reuniões e depois fazer o ranking, a lista das propostas a serem recomendadas a financiamento.

Richard é o responsável da componente administrativa, assinar e preparar o contrato entre a instituição coordenadora e a Comissão Europeia.

Esta é a responsabilidade de um Project Advisor, refere Richard e continua a fazer o seu trabalho e se houver outras oportunidades de promoção na carreira, quer seja em concurso para funcionários da Comissão ou de outra entidade Internacional, vai continuar a arriscar, sobretudo nas grandes organizações, como por exemplo a UNESCO, ou as Nações Unidas, porque está mais ou menos no mesmo contexto que a Comissão Europeia.

“É tudo uma questão de arriscar e ver novas oportunidades na minha área, do ambiente e alterações climáticas.” Finaliza Richard Tavares. Os desafios continuam…um dia destes ainda vamos continuar a falar deste emigrante e da sua carreira profissional.

Lígia Mourão
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