Residente há dois anos em Portugal, a viver em Vila Nova de Gaia, a moçambicana Ana Carimo elogia Portugal e a capacidade de integração das comunidades lusófonas no país. Sonha com dedicar-se à sua grande paixão no nosso país: a arte das capulanas.
O Jornal Comunidades Lusófonas falou com Ana Carimo, esta moçambicana, que tem uma ligação às capulanas, já que as confecionava no país natal, deseja desenvolver essa arte maior do artesanato moçambicano no nosso país.
As capulanas
A capulana é o nome que se dá a um pano que é, tradicionalmente usado pelas mulheres para cingir o corpo. Tem vários usos: são usadas como saia ou lenço para cobrir o corpo como proteção ou vestimenta, servem para carregar crianças, trouxas e outros objetos, e são utilizadas em cerimónias importantes como casamentos, funerais e rituais de iniciação
Uma História rica e complexa
As capulanas, com a sua variedade de tecidos, tiveram origem na Ásia e, com as trocas comerciais, vieram para África. Fruto do colonialismo, esta peça de artesanato começou a ser comercializada pela Empresa holandesa Vlisco, inaugurada em 1846, trabalhando em cooperação com designers africanos.
Com a independência das colónias africanas de língua oficial portuguesa, o tecido tornou-se um símbolo de identidade e, com Samora Machel, uma expressão maior do que é ser moçambicano.
Capulanas em Portugal, o novo desafio
Os moçambicanos, em Portugal, ambicionam trazer esta técnica de artesanato para cá. Ana Carimo falou com o Jornal Comunidades Lusófonas, é uma artesã moçambicana que vive entre nós, e que aspira a confecionar as capulanas em terras lusas.
Jornal Comunidades Lusófonas – Como foi a sua integração no nosso país ?
Ana Carimo – Vivo há dois anos para Portugal. Cheguei em Outubro de 2023 e posso testemunhar que, após um breve período em que me senti um “peixe fora da água” , adaptei-me bem.
Já tinha uma relação boa com os portugueses, tinha estado em férias aqui, mas quando vim integrei-me, tive a ajuda do Consulado de Moçambique, estou inscrita na comunidade e temos um grupo do Whatshap “ Grupo da Comunidade Moçambicana em Portugal”, que também é um bom suporte para a nossa vida.
Jornal Comunidades Lusófonas – E a relação com outras comunidades lusófonas. É positiva ?
Ana Carimo – É muito positiva. Reunimo-nos para várias iniciativas, a semana passada, por exemplo, assisti a um jogo entre angolanos e guineenses.
São iniciativas que mostram que temos uma relação forte e que gostamos de estar juntos.
Jornal Comunidades Lusófonas – É artesã das capulanas, um símbolo maior de Moçambique, que confecionava no seu país natal. Mas deseja trazer essa arte para Portugal ?
Ana Carimo – Sim. As capulanas têm uma grande variedade de usos: servem como vestuário, toalhas de mesa, carteiras, quadros, e fazem parte dos rituais dos moçambicanos.
Eu pretendo abrir um espaço comercial, em Portugal, para explorar esse lado criativo e mostrar aos portugueses essa arte.
Jornal Comunidades Lusófonas – Como olha para Moçambique?
Ana Carimo – Moçambique é um país cheio de potencialidades, que tem todas as condições para se desenvolver.
Jornal das Comunidades Lusófonas – Que mensagem envia para o espaço da Lusofonia e para os leitores do nosso Jornal?
Ana Carimo – Que temos de interagir cada vez mais, de estar juntos, porque assim vamos ser mais fortes.
Rui Marques




