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Sexta-feira - 1 Março 2024

Entrevista com Paulo Cafôfo “As nossas comunidades são uma extensão de vida e apaixonada por Portugal”

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Estivemos à fala com o Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, numa entrevista reveladora de uma proximidade entre Portugal e os Portugueses emigrantes, que sempre que alguém aparece nos países de acolhimento, é como se Portugal estivesse presente. Assim como os portugueses continuam a investir em áreas estratégicas em Portugal, chegando as remessas dos emigrantes aos 3.9 mil milhões de euros.

Começa por dizer que “as nossas comunidades são uma extensão de vida e apaixonada por Portugal, e quando visito as nossas comunidades e tenho visitado no âmbito do roteiro que desde a legislatura tenho realizado, o roteiro: Portugal do Mundo: O caminho para a valorização das Comunidades Portuguesas, é precisamente nesse ponto de valorização das comunidades que sinto a minha presença (que é a presença do Governo Português)”.

É reconhecida, “não só porque o país se interessa e está atento, este ativo estratégico que é a nossa diáspora”, acima de tudo é uma oportunidade de poder enunciar as políticas que o governo tem para a nossa diáspora e há sempre um momento muito sentido dos afetos, do carinho, da forma como somos abraçados, que é o abraço da Portugalidade.

Um abraço de quem nunca esqueceu Portugal, e por isso o governo tem esta responsabilidade, “diria mesmo o dever de não esquecer aqueles que estando a residir no estrangeiro, ou mesmo tendo nascido no estrangeiro mas sendo portugueses”, acabam por ter neste ativo estratégico, uma importância fundamental.” E não só, e “dou exemplos claros e concretos. A questão da língua e da cultura portuguesa. As nossas comunidades são um motor da nossa língua e da nossa cultura porque são embaixadores desta forma de ser português, e de uma língua que é globalmente falada neste momento por 260 milhões de pessoas. Uma língua que está em expansão e crescimento e que tem nas nossas comunidades a melhor forma de promoção.

Portugal posiciona-se também internacionalmente através da nossa diáspora. Há países que temos um bom relacionamento bilateral porque temos comunidade portuguesa, essa nossa comunidade acaba por ser o elo de ligação com os governos desses países é através deles que Portugal acaba por adquirir importância que doutra forma não tinha. “Também é um objetivo estratégico, em termos do uso e investimentos, tenho tido oportunidade de citar empresários e portugueses e lusodescendentes, que nos países onde residem têm grandes negócios”. Contribuem de forma decisiva para a riqueza, para o desenvolvimento económico dos países onde vivem, mas são pessoas que também querem e têm investido no nosso país, é este ativo que seja, do ponto da ação e da promoção, e do ponto de vista político, a ligação de outros países, seja através da língua seja da cultura, da promoção e captação de investimento. É um ativo que Portugal não pode desperdiçar, antes pelo contrario, tem que potenciar e valorizar.

A missão do Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas

É uma experiência muito gratificante, para quem está num cargo destes, tem de gostar de pessoas, de conhecer pessoas e de estar com pessoas. Eu gosto muito dessa proximidade, e tenho tido sorte de tanto carinho que tenho recebido por parte destes nossos compatriotas. É uma responsabilidade para mim, que assumo, porque estamos a falar de portugueses que não estando em Portugal fazem parte do nosso país. Esta experiência de poder ajudar aos outros, que tenho tido essa oportunidade, porque nós temos programas de ajuda, seja através do apoio aos idosos carenciados, ou do apoio aos emigrantes carenciados, do apoio às Associações e aos Clubes, o apoio financeiro que atribuímos a determinados projetos. É muito gratificante poder ajudar pessoas, individualmente, quando necessitam, poder ajudar a valorizar outras, como é o caso de empresários, ou ajudar a promover associações portuguesas que difundem a nossa cultura lá fora, e isto é uma experiência rica e enriquecedora, que tenho muito gosto e paixão naquilo que faço. E por isso este trabalho, que gosto de fazer e que muito me apraz, tem sido uma experiência do ponto de vista pessoal muito enriquecedora.

Quem está na política deve ter esta função de servir os outros, eu sinto-me muito bem a ajudar os nossos compatriotas no estrangeiro.

Setores de maior investimento

O investimento dos nossos compatriotas em Portugal, com um programa nacional de apoio da Diáspora, é conhecido pelo PNAID (Programa Nacional de Apoio ao Investimento da Diáspora). Temos mais de 257 investidores com o estatuto de investidor da diáspora, contando já 130 milhões de euros em investimento. Esse investimento acontece nas áreas do imobiliário, da construção, do turismo. E em algumas áreas industriais, onde alguns destes portugueses e portuguesas investem, é um investimento que habitualmente acontece nos territórios de onde são originários. Há uma ligação direta muito umbilical entre estes investimentos. E não só em territórios de baixa densidade e despovoados, portanto isto tem um efeito multiplicador na economia, porque para alem das remessas, o ano passado batemos um recorde de remessas dos emigrantes, foram 3.9 mil milhões de euros, mas além disso há cada vez maior investimento na criação de empresas, nomeadamente nestas áreas que aqui referenciei que criam emprego. Geram riqueza e transformam os territórios, que bem precisam de investimento e de gente. Com este investimento, a promover a coesão territorial e que acabará com algumas desigualdades territoriais que Portugal tem.

As remessas são muito importantes, significa que continua haver uma ligação a Portugal, que continua haver uma confiança no nosso país, porque acreditar em trazer o que ganham para o nosso país, à confiança no futuro, o valor é bastante significativo.

A nova geração de emigrantes

Temos que entender que estamos num mundo global, onde a mobilidade de pessoas nunca se fez tanto nem mobilizou tantas pessoas como hoje em dia. A economia global, o conceito da própria globalização acaba por deslocalizar empresas. As pessoas têm aspirações profissionais e desempenhem funções nos mais diversos países, e nas mais longínquas geografias. Mas é preciso olhar para a emigração – e no relatório de emigração que temos -, relativamente ao ano 2021 que saíram de Portugal cerca de 60 000, mas para termos números, iguais a esse, temos que recuar até 2003, significa que não estão a sair em massa portugueses como nos anos 2003 o nosso território, “como saíram nos anos 2011 e 2015”.

Portanto para irmos aos números de 2021, teríamos de recuar até 2003, por isso não se está a assistir a uma saída de portugueses tão expressiva como nos anos 2011/2015. Aliás Portugal tem e teve no primeiro trimestre deste ano o maior crescimento da zona euro. O desemprego é baixo e mesmo residual, e temos tido a preocupação do regresso. Existe o Programa Regressar, que já abrangeu cerca de 18 000 portugueses, com apoios na criação de emprego, linhas de crédito, benefícios fiscais, e curiosamente os que têm regressado são pessoas jovens. Foram aquelas que saíram no período da Troika, e que já regressaram. São pessoas qualificadas e jovens, isto significa que o governo está interessado em que quem sair possa regressar. Isso tem sido conseguido e temos tido essa preocupação e dado esses incentivos. É verdade que alguns saem, e que são qualificados, mas isso faz parte de um movimento global em que este novo tipo de emigração, que não acontece só no nosso pais. Se formos olhar para os Estados Unidos, a Alemanha, e para França, isto acontece também nesses países, que à partida pensamos pagam melhor, mas temos estes cidadãos do mundo que se aventuram nestas experiências.

Aquilo que nos importa é criar condições para que os portugueses fiquem no nosso país, também temos muitos jovens imigrantes estrangeiros a trabalhar em Portugal, está muito em voga os “nómadas digitais”, o nosso país tem acesso à Internet e de capacidade nas novas tecnologias. Lisboa, a capital da WebSummit. De um Portugal moderno, que muitos países mais desenvolvidos que nós não estão nestas matérias, e temos muitos estrangeiros que gostam muito de viver no nosso país, muitos “nómadas digitais”, trabalham que podem trabalhar em qualquer parte do mundo, mas encontram-se aqui e vivem aqui em Portugal.

É óbvio que o que nós esperamos é que os nossos jovens fiquem aqui a trabalhar e que aqui permaneçam, e que um menor número saia, o país precisa de gente jovem. A importância demográfica é muito importante, mas além da questão demográfica desejamos que os nossos talentos não saiam, e que ajudem a engrandecer o país. Um país moderno, desenvolvido e um país, que gosta de ter aqui os seus, porque os Portugueses, naquilo que fazem são mesmo bons, e ter esta geração aqui, se assim o desejarem, queremos que fiquem a contribuírem com o crescimento da nossa economia.

Como são vistos os emigrantes lá fora

São pessoas que têm qualidades humanas extraordinárias, “isso não sou eu que eu reconheço”, os portugueses dão-se bem em qualquer país e povos, gostam fazer amigos, serem tolerantes com culturas diferentes da nossa, e por isso integram-se muito bem, e somos bem vistos. Também somos muito empreendedores. Os portugueses gostam de inovar, arriscar, construir e isso vê-se com as empresas e os negócios, os trabalhos onde estão, e nota-se a proatividade.

Além das qualidades humanas do empreendedorismo e da inovação são pessoas que são de uma enorme coragem, a coragem também faz parte do carácter porque é preciso começar de novo. “Está no nosso sangue”. Os portugueses começaram a expansão marítima, “demos novos mundos ao mundo”, fomos “nós que começamos a globalização, e continuamos a fazê-lo, estamos espalhados pelo mundo. A afirmar a nossa identidade”.

Para terminar o Secretário confidenciou-nos “tenho sentido o carinho o afeto por parte dos portugueses lá fora”. As pessoas que vivem “fora de Portugal amam mais o país do que os que vivem cá”. A nossa presença lá, “é como se fosse Portugal chegasse ao pé das pessoas, e isso vê-se nos sentimentos que têm pelo país, esses sentimentos também nós recebemos, e sempre que estou com eles, nos países onde vivem”.

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