Virgílio Nunes Santos, chegou ao Quebeque nos anos 80 do século passado. Durante quatro anos nunca frequentou a APC (Associação Portuguesa do Canadá). Não conhecia nada em Montreal e vivia numa cidadezinha, a Sul, mais ou menos a 20 quilómetros do centro de Montreal. O irmão levou-o a conhecer a Associação, e começou a frequentá-la às sextas-feiras. “Foi-me “empurrando”, mas nunca quis entrar numa direção” revela Virgílio. Mas com o passar do tempo acabou por aceitar e já está como Presidente há 16 anos, apesar da sua mulher lhe dizer para não ir, porque lhe ocupa muito tempo da sua vida, mas Virgílio já não consegue estar ausente da Associação.
Vive-se num ambiente português do qual o Presidente admira muito. É uma das Associações mais antigas do Canadá. O período mais difícil foi durante a Pandemia, pois não se podia fazer nada na Associação, mas Virgílio nunca a abandonou.
Enfrentou também um incêndio antes do Covid, em fevereiro, lançaram um cocktail molotov numa janela, sem saber porque motivo o fariam.
A Associação é um lugar de paz e convívio, trazem muitos artistas de Portugal e dos Estados Unidos. Estiveram fechado quase 3 anos, mas o Presidente nunca abandonou a Associação.
Preside a Associação desde os anos noventa, está com esse cargo, com alguns interregnos, já lá vão 16 anos.
A Associação promove muita atividade cultural portuguesa para que não se percam os laços e raízes de Portugal. À sexta-feira, têm folclore e na sala de cima Flamengo, onde fazem os ensaios às sextas-feiras.
A Associação é grande, tem 3 andares, e tentam fazer de tudo um pouco, também há noites de fado. Querem terminar o ano com uma noite de fado, possivelmente trazer um grande artista de Toronto, o senhor Hernâni. E também um artista de Portugal, Luís Portela, que lhe telefona com bastante frequência, e provavelmente o leve lá. Já levou Paulo Ribeiro e outros artistas portugueses.
Quantos Associados tem a Associação?
Depois que entrou, Virgílio Nunes Santos, contam com 350 associados, com cotas em dia.
Por motivos pessoais manteve-se fora da Associação durante algum tempo, sentia-se zangado consigo próprio, mas os amigos, que desde sempre trabalharam consigo, pensaram que não era altura de desistir e deram-lhe uns “empurrões” para que voltasse à Presidência. “Eu gostei do empurrão que me deram, fiquei muito feliz por voltar”, revela.
Os portugueses que frequentam a Associação variam muito nas idades, a pessoa com mais idade tem 80 e tal anos e o mais novo tem 17 anos. Há pessoas que vão à Associação e levam os filhos, estão a tentar conquistar a juventude, trazê-los para a Associação para darem continuidade ao Associativismo e à cultura portuguesa.
Esta juventude, “vamos tentar puxá-los para cá de alguma maneira”, argumenta o Presidente.
Têm ligação com outras associações?
“Sou convidado para ir a muitos sítios. Na direção há quem toque instrumentos musicais, aliás, eu fui músico e tenho grandes amigos músicos, e vão para Toronto, para os Estados Unidos, enfim, para muito sítios.” Afirma. Quando o convidam vai quando é possível representar a Associação Portuguesa do Canadá.
Uma Mensagem aos emigrantes portugueses espalhados pelo mundo, e aos portugueses que pretendam emigrar?
A mensagem que pretende dar aos jovens que queiram emigrar apela: falem sempre a língua portuguesa, é muito importante. Devem transmitir, que seja qual for a língua oficial desse país, não deixem de falar português, ensinem o português e façam o que as associações e todos os clubes fazem, “para que nunca morra a nossa identidade, a nossa cultura, a nossa língua, as nossas raízes, pois são muito importantes, e a mensagem para os mais velhos é que transmitam os valores culturais de Portugal, e a sua importância na transmissão da mesma”. Atesta o Presidente.
Mensagem para os Associados da APC e o futuro?
O futuro dos associados o presidente, deseja que seja tudo aquilo que eles desejam da Associação Portuguesa do Canadá é que: “estarei sempre atento a tudo o que for preciso para que nunca morra e preciso da ajuda deles, se eles não comparecerem, sozinho, não posso trabalhar. Eu e a minha direção, somos muito importantes, não é apenas o Presidente. Se não tivermos ajuda, será impossível nós trabalharmos.” Termina o Presidente.



