Nome: Ana Catarina Silva
Idade: 46 anos.
Onde vive: Estocolmo
Há quanto tempo está fora de Portugal: 22 anos
Como é que faz para matar as saudades de Portugal: Vou dividir em dois, primeiro em Milão, num período da minha primeira mudança fora do país, não me trouxe essa saudade de Portugal trouxe-me uma sede de conhecer o mundo.
Até aos meus 30 anos, a fase dos 25 aos 30, era a fase em que eu queria conhecer o mundo. Não havia saudades porque também não considerava que iria ficar ali. Essa é uma primeira fase.
Entramos na fase de Estocolmo:
Trinta anos, em que me junto com uma pessoa, temos duas fases ao contrário de Milão, procurei uma comunidade portuguesa que encontrei aqui e tornei-me na altura comecei com um projeto chamado “brincar em português”, onde criei um projeto com atividades para famílias portuguesas.
Eu na altura não tinha filhos, onde juntamente com duas professoras, tínhamos 2 vezes por mês uma atividade onde celebrávamos e criávamos atividades relacionadas a Portugal.
Dia da Mãe, o Dia do Pai, os nossos Santos populares. Dia de Portugal, um projeto que me trouxe a comunidade portuguesa, criei amigos.
A Suécia, não sabendo sobre outros países tivemos sempre aqui uma grande, uma componente do Associativismo.
Tínhamos uma Federação das Associações na Suécia, que tínhamos um subsídio do Estado chamado FAPS. Eu tornei me Presidente da Associação de Portugueses em Estocolmo, chamada Lusitânia, foi Presidente talvez durante os 2, 3 anos.
E criei, essa primeira fase, entretanto tive o meu primeiro filho, e os meus primeiros 5 anos, 6 anos de Suécia, tínhamos uma comunidade portuguesa onde se realizava celebrações do dia de Portugal, o 25 de Abril.
Convivíamos, fizemos uma feira do Livro, uma amiga nossa criou um festival de cinema. Eu juntei-me à associação que já existia. A associação na altura tinha 45 anos. Agora deve estar com os 50 anos de existência. E essa Comunidade ajudou-me a matar saudades.
Criamos uma casa de fados, que ainda temos, porque a Lusitânia ainda existe. Agora o Presidente é é outra pessoa, um amigo meu. Começámos a realizar uma Casa de fados, normalmente na altura de Outubro , Novembro, que tem imensa adesão por parte dos Suecos, por incrível que pareça o Fado é bastante apreciado aqui. É adorado pelos suecos.
Tivemos o Festival de Cinema, atividade para crianças. Esses primeiros anos na Suécia, juntei-me e criei laços entre a Comunidade portuguesa, que aqui é forte, com um grau académico muito alto. Na altura tivemos alguns desafios, não tínhamos restaurantes, nem cafés que outras comunidades têm, mas do outro ponto de vista tínhamos uma comunidade com muitos profissionais ligados a informática e à biologia.
A segunda fase, quando já criei o meu segundo filho, já tinha criado esses laços, começámos a ter a nossa Comunidade, onde nós já não tínhamos que criar eventos para todos, mas começámos a fazer os eventos entre nós, e que mata saudades. Ir a Portugal com alguma frequência, não consumo muita televisão portuguesa, notícias, mas temos os nossos grupos de WhatsApp onde entre nós fazemos um bocadinho esta comunicação do que se passa em Portugal e falo com os meus pais todos os dias.
Neste momento não trabalho tanto no movimento associativo, no movimento de associações. A Lusitânia, ainda ajudei nesta última casa de fados, mas a Comunidade está a mudar. A Lusitânia mudou. O FAPS deixou de exercer a Federação, também mudou.
Esta comunidade portuguesa tem necessidades diferentes daquela que tínhamos.
Vamos fazer o lançamento de um livro, a história da FAPS da Federação. Também vai ser interessante contar a história, porque acho que aqui na Suécia tivemos um marco que faz sentido, fazer essa reportagem. O livro está para sair. Estamos em revisões.
Também fiz parte da Associação de portugueses, para mim foi muito importante. O meu marido aprendeu português, fala português.
Falamos os três português eu falo com o português, inglês e sueco. A minha filha, o meu filho tem necessidades especiais, portanto não fala, mas percebe as 3 línguas, o meu marido, fala sueco com os miúdos, e comigo fala sempre em inglês.
Mas mesmo eu também falo italiano, portanto, o meu marido também fala em italiano. Consegue perceber italiano. Mas prefiro comunicar com ele em inglês, mas consegue entrar numa conversa, comigo e com a minha filha em português, não tem qualquer tipo de problema, mas a minha filha fala as 3 línguas e tem 7 anos, dá alguns erros, nos verbos, mas é normal.




