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Sexta-feira - 19 Abril 2024

EXCLUSIVO: Bem-Vindos ao Mundo das Novas Tecnologias: A Nanotecnologia é um mundo onde ainda há muito por descobrir

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Eng. António Braz Costa, Diretor-Geral do CeNTI.

Em entrevista ao CeNTI, Centro de Tecnologia e Inovação (CTI), o seu Diretor-Geral fez uma abordagem detalhada sobre o que é que o Centro Tecnológico é capaz de fazer no mundo das tecnologias, e da Nanotecnologia. “Devemos considerar também as outras “Key Enabling Technologies” (ou Tecnologias de largo espetro), refere António Braz. A introdução de materiais avançados e nanomateriais, sistemas inteligentes, digitalização de processos e, ou produtos, revalorização de recursos ou maior eficiência energética. Defendem que a investigação e inovação “não é apenas desvendar os mistérios da Ciência, mas também tornar a sua aplicação e compreensão a nível industrial, e consequentemente na oferta de produtos que melhorem e facilitem o nosso quotidiano”. Ao nível da saúde pretende-se a reabilitação de doenças e outras condições médicas, sobretudo de natureza crónica e ou ligadas ao envelhecimento, incluindo doenças neurológicas, cardiorrespiratórias, osteoarticulares e diabetes. Eis a fantástica realidade da Tecnologia.

“O CeNTI é um Centro de Tecnologia e Inovação (CTI) reconhecido pela ANI – Agência Nacional de Inovação, privado sem fins lucrativos, de orientação multissetorial e multidisciplinar”, começa assim o seu Diretor-Geral, António Braz.

Está equipado com a mais avançada tecnologia e conta com uma equipa multifacetada, para desenvolver atividades de Investigação e Desenvolvimento (I&D) aplicada, visando a endogeneização industrial de tecnologias disruptivas, nos domínios da Nanotecnologia, Materiais Avançados e Sistemas Inteligentes, engenharia de produto e transferência de tecnologia para as empresas, recorrendo a uma abordagem B2B.

“A missão e atividade do CeNTI” tem-se destacado pelo dinamismo e apoio de proximidade aos sectores industriais, tanto a nível nacional como internacional, com o intuito de desenvolver e validar novos materiais e tecnologias de elevado valor acrescentado e/ou a sua incorporação em produtos e mercados tradicionais, efetuando a transferência de conhecimento e tecnologia em áreas multissectoriais, com enfoque em: Automóvel e Aeronáutica, Construção, Arquitetura e Espaços Inteligentes, Saúde, Proteção e Bem-Estar, e Energia.

Fundado em 2006, e a visão que conduziu à sua criação compreendia uma abordagem assente na exploração de novas tecnologias nas áreas da nanotecnologia e materiais inteligentes, com o foco na integração de novas soluções para o mercado.

Esta abordagem nasceu também “da necessidade de criar competências tecnológicas em Portugal que permitissem o foco na área do desenvolvimento de novos materiais avançados para a indústria de forma transversal e multissectorial, permitindo criar competências e conhecimento de forma horizontal a várias áreas de atividade, que posteriormente permitissem a sua transferência para processos industriais de forma mais vertical, derivando a tecnologia em novos produtos e processos para o mercado, conduzindo ao aumento da competitividade e diferenciação das empresas nacionais.”

O conselho de administração do CeNTI inclui três universidades – Aveiro, Minho e Porto – e quatro CTIs reconhecidos, nomeadamente o CITEVE – Centro Tecnológico das Indústrias Têxtil e do Vestuário de Portugal, o CTIC – Centro Tecnológico das Indústrias do Couro, o CEIIA – Centro para a Excelência e Inovação na Indústria Automóvel, e mais recentemente a associação Bikinnov – Bike Value Innovation.

Esta estrutura de associados reflete a necessidade de conjugar conhecimento científico e tecnológico com competências ao nível da engenharia de produto e processo, com know-how industrial e de mercado.

Neste momento, a equipa CeNTI tem quase 200 pessoas a tempo inteiro, contando com dois países, Portugal e Brasil.

O papel do CeNTI é o de “facilitador tecnológico central para uma ampla gama de setores industriais que procuram inovação disruptiva através do desenvolvimento e introdução de materiais avançados e nanomateriais, sistemas inteligentes, digitalização de processos e/ou produtos, revalorização de recursos ou maior eficiência energética.”

O CeNTI tem as capacidades tecnológicas (desde o laboratório à escala piloto), know-how e infraestruturas que permitem auxiliar os parceiros e clientes industriais, provenientes de uma ampla gama de setores, que compartilham a necessidade de integrar inovação disruptiva e mais valor acrescentado aos seus produtos, alavancando a sua competitividade e dando resposta às metas e objetivos estabelecidos atualmente exigidos. Como? Através da integração de novas tecnologias, materiais funcionais e inteligentes em diferentes substratos/estruturas, e soluções no ciclo produtivo e tecnologias de produção pré-existentes na linha de fabrico industrial das empresas, e/ou o desenvolvimento de novos processos e soluções de fabrico à escala semi-industrial e industrial de forma a viabilizar a integração de novas tecnologias e materiais no processo produtivo.

Ao longo dos seus quase 18 anos de atividade, o CeNTI “tem conseguido com bastante sucesso evoluir e consolidar as suas capacidades tecnológicas em termos de infraestrutura e de recursos humanos, dando resposta aos constantes desafios e necessidades competitivas das empresas, com particular enfoque nas indústrias de transformação de materiais nas áreas de nanotecnologia, materiais e sistemas inteligentes, engenharia de superfícies, novas fibras, digitalização e automação de processos, economia circular e reciclagem.” Afirma António Braz.

Não é só através da nanotecnologia, que o CeNTI faz inovação. “Devemos considerar também as outras “Key Enabling Technologies” (ou Tecnologias de largo espetro), como a micro e nanoeletrónica, biotecnologia industrial, materiais avançados, fotónica e tecnologias de produção avançadas.” É com este conjunto de tecnologias disruptivas que a inovação e evolução científica e tecnológica se torna possível, culminando na criação de novos produtos e processos, ou na melhoria dos existentes.

Por exemplo, a eletrónica impressa e flexível tem um potencial de aplicação enorme, e apresenta inúmeras vantagens técnicas, económicas e ambientais promissoras, pois permite desenvolver novos dispositivos eletrónicos em diferentes substratos tradicionais, como têxtil, couro, plástico, madeira, betão, cerâmica, entre outros, sem comprometer as suas propriedades intrínsecas e criando interações integradas e seamless desde iluminação, aquecimento, feedback háptico, a geração e armazenamento de energia.

“A investigação e inovação não é apenas desvendar os mistérios da Ciência, mas também tornar a sua aplicação e compreensão a nível industrial, e consequentemente na oferta de produtos que melhorem e facilitem o nosso quotidiano.”

O CeNTI atua em diferentes setores, sendo um deles a Saúde e Bem-Estar. O objetivo não é atuar na cura ou erradicação de doenças, mas desenvolver soluções avançadas e tecnológicas para capacitar as empresas que atuam nos mercados relacionados com a saúde, permitindo as mesmas de terem produtos e soluções inovadoras que possam promover uma melhoria do quotidiano e estilo de vida dos consumidores/utilizadores.

Por exemplo, “estivemos envolvidos num projeto, o ActiVas, que pretendeu dar resposta aos desafios endereçados pelo envelhecimento da população, nomeadamente ao nível do ambiente e espaços construídos. Neste projeto foi desenvolvido um conjunto de soluções tecnológicas e multidisciplinares, desde a arquitetura aos materiais, à domótica e sensorização responsiva, que, no seu todo e individualmente, dinamizam e otimizam um novo conceito de habitat, senior-friendly, dotando os utilizadores de autonomia e segurança para melhorar a sua qualidade de vida.” Explica o Diretor-Geral, António Braz.

Outro exemplo, o projeto SmartHealth4All, que visou a investigação e de desenvolvimento de tecnologias médicas de Smart Health, envolvendo tecnologias de informação, comunicação e eletrónica (TICE), e tecnologias futuras e emergentes (FET). As várias soluções desenvolvidas podem ser aplicadas quer no contexto de prestação formal de cuidados de saúde, quer no dia-a-dia de um vasto universo de utilizadores/pacientes, incidindo na prevenção, diagnóstico, monitorização e tratamento e/ou reabilitação de doenças e outras condições médicas, sobretudo de natureza crónica e/ou ligadas ao envelhecimento, incluindo doenças neurológicas, cardiorrespiratórias, osteoarticulares e diabetes.

As maiores conquistas prendem-se com a evolução e crescimento da instituição CeNTI, quer em termos de infraestrutura e tecnologias, quer em termos de recursos humanos, bem como dos próprios parceiros e clientes que têm vindo a capacitar-se e a diferenciar-se nos mercados em que atuam.

O percurso do CeNTI, e a sua intensa atividade de investigação pré-competitiva, demonstrada pelo vasto portefólio de projetos e de ofertas tecnológicas, permite validar o posicionamento deste Centro de Tecnologia e Inovação como infraestrutura tecnológica nacional com projeção internacional, “focada no desenvolvimento de nanotecnologia, materiais avançados e sistemas inteligentes para o mercado.”

Os desafios emergentes ao nível da energia, sustentabilidade, acesso a novas fontes de matérias-primas e redução da pegada de carbono em todos os setores empresariais, exigem que novas soluções e tecnologias em larga escala sejam desenvolvidas para permitir o cumprimento das metas de sustentabilidade e novos paradigmas de gestão e eficiência energética atualmente exigidos.

Estes desafios de médio e longo prazo colocados à indústria são também os desafios colocados ao CeNTI pelos seus parceiros e clientes. Por isso, “temos vindo a reforçar e a ampliar a oferta tecnológica, através da instalação de um conjunto de tecnologias disruptivas, para responder a uma série de fatores críticos e falhas do mercado, e assim aumentar a capacidade efetiva de resposta aos desafios. Com a adoção de novas capacidades científicas e tecnológicas, e atualização dos meios tecnológicos já instalados, estamos confiantes que será possível mobilizar e promover a investigação e inovação disruptiva, para capacitar a nossa indústria, por criação de novas cadeias de valor e de valor económico pela oferta de produtos ou serviços de alto valor acrescentado.”

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