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EXCLUSIVO – Bozes Boadoras do Bolhão: uma comunidade ao serviço da língua portuguesa

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É um dos eventos culturais mais inovadores da cidade do Porto. As Bozes Boadoras do Bolhão nasceram da vontade de um grupo de ativistas culturais promoverem novas vozes da poesia nacional. Um evento que tem crescido, e que convida também as vozes da Lusofonia a participarem.

O Jornal Comunidades Lusófonas falou com Teresa Almeida Pinto, Doutoranda em “ Educação para adultos” que, junto com Pedro Freitas Santos, gestor e poeta Pedro Freitas Santos, organiza o evento “Bozes Boadoras do Bolhão”. Refere que a sua participação neste projeto “nasceu do meu gosto pela poesia e pela facilidade que tenho para levantar um projeto de raiz, pois trabalho na Comissão Europeia na avaliação de projetos, aliada ao convite que o Pedro Freitas Santos recebeu para estruturar um projeto cultural para o espaço do Bolhão”.

Um nome apelativo que soa à Porto

O nome do evento “Bozes Boadoras” nasceu de uma conjugação de ideias já existentes. Por um lado, foi “uma homenagem a um livro da poetisa Ana Luísa Amaral “Vozes” e, por outro, porque o Pedro tem um lema “ pássaros com a mesma plumagem voam juntos”, assinala.

Plateia intergeracional aberta às vozes da Lusofonia

São várias gerações que se reúnem mensalmente, numa sala do Mercado do Bolhão, no segundo sábado de cada mês. O evento é um espaço onde os poetas menos conhecidos têm a oportunidade de divulgar poemas escritos por si ou ler poemas escritos por outros autores.

Realiza-se no Mercado do Bolhão, entre as 15h30 e as 17h00, mas existe uma certa flexibilidade, podendo o evento prolongar-se no tempo. O objetivo é “dar tempo para que as diferentes vozes se possam expressar, quer seja em nome próprio, quer através do uso de pseudónimos”, assevera Teresa Almeida Pinto.

A Lusofonia como espaço de interação também está presente. É comum “ouvirmos, por exemplo, um brasileiro a dizer um autor português e vice-versa, e esse ecletismo dinamiza o evento ”, salienta Teresa Almeida Pinto.

O evento tem “dois temas por sessão, um dedicado ao Porto e outro tema, um momento aberto à improvisação poética, e uma conversa com um autor num momento chamado “Poeta em Construção”, que já acolheu autores como André Domingues ou Marta Pais Oliveira, além de momentos musicais”, salienta

Jornal Comunidades Lusófonas – Este evento está intimamente ligado à figura da poetisa portuguesa, Ana Luísa Amaral. Qual a importância dela para terem nascido as “Bozes Boadoras do Bolhão”?

Teresa Almeida Pinto – Foi muito importante. Em 2008 frequentei com vários amigos um curso com a Ana Luísa Amaral, que se tornou um encontro literário e gastronómico, em que nos reuníamos nas casas uns dos outros para ler e escrever poesia, através dos desafios que ela nos lançava.

Esse encontro, aliado à minha experiência na avaliação de projetos e ao convite que foi feito ao Pedro Freitas Santos para organizar um projeto cultural no Bolhão. Essa abertura e conjugação de vontades levou a que, em Abril de 2025, arranca-se a primeira edição das “Bozes Boadoras do Bolhão”.

Jornal Comunidades Lusófonas – Que balanço faz do evento?

Teresa Almeida Pinto – Tem sido muito positivo. Temos conseguido que as pessoas tenham um espaço para expressar a sua voz e, além da poesia, conseguimos que outras artes como a música, com vários músicos que participam, tenham um palco para a sua arte.

Também tivemos algumas experiências diferentes. Numa das sessões pedimos aos participantes que transformassem um poema numa canção.

Jornal Comunidades Lusófonas – O que podemos esperar dos futuros eventos?

Teresa Almeida Pinto – Não posso revelar muitas novidades. O que posso dizer é que o evento se vai realizar até Dezembro de 2025, e que convidamos todos a participarem e a desengavetar os poemas que têm em casa e que venham lê-los ao Mercado do Bolhão.

Rui Marques

Eduardo Lino