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Terça-feira - 20 Janeiro 2026

EXCLUSIVO: Cantou na Praça Luís de Camões para os soldados que libertaram o país das amarras do fascismo

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Marya Santos foi ao encontro do mundo novo em outubro de 1974, seis meses depois da alvorada do 25 de abril, tinha apenas 10 anos de idade. O pai já tinha recebido uma “carta de chamada” da sua tia para se juntar a ela, e foi dessa forma que foi para o Quebeque, a província escolhida no Canadá, onde se fala o Francês. Os bancos da escola também tinham o mesmo sotaque, pois era para lá que iam todos os emigrantes. Marya não tinha os avós ou familiares na escola inglesa, e levava para o mundo novo, um sonho, ser cantora, mas o seu pai não permitiu. Outros desígnios a chamaram, da Banca à Assessoria, tem andado nos últimos anos, mas o que mais lhe enche o coração e a alma é a música, de Maria passou a chamar-se Marya, é mais sonante, coisas de artista!

Antes da jornada artística, no Quebeque, licenciou-se em Comunicação e trabalhou nessa área 22 anos, foi Assistente pessoal do Presidente de um Banco francês, o “Société Générale ” que é conhecido no mundo inteiro.

Nunca fez a sexta classe no Canadá, fez todos os testes incluindo os de matemática e avançou um ano. Entrou para a universidade com 17 anos. “Era muito novinha, não sabia o que queria”, refere Marya.

Era para ir para tradução, mas não gostou, e deixou os estudos académicos e foi trabalhar para a Universidade de Montreal para o Departamento de Medicina dentária.

Trabalhava com os dentistas. Esteve vários anos com eles, gostou muito até pensou seguir medicina, mas depois não seguiu.

Mas mais tarde, quando foi trabalhar para finanças, para o Banco “Société Générale ”, regressou à universidade. Estudou Comunicação, e como era responsável do departamento da Comunicação, foi Assistente de vários Presidentes, porque a cada dois, três anos mudava a Presidência. Trabalhou lá até chegar o COVID 19.

Mas Marya sempre gostou muito de cantar, na escola fazia parte de um grupo de música. Teve aulas de música no ciclo. Muito nova, ainda uma criança, em Portugal, cantou na Praça Luís de Camões para os soldados que libertaram o país das amarras do fascismo. Marya confessa que na altura estava cheia de medo, mas cantou, como solista da sua turma. Receava as tropas. Mas agora, adulta, olha para trás e está consciente da sorte que teve, naquele dia do 25 de Abril, “nunca me vou esquecer desse dia”! Afirma.

De onde vem a música?

Parece que a veia de artista é uma herança familiar, porque o seu pai adorava cantar e tocar realejo, no geral gostava muito de música, e incentivou Marya e o seu irmão aprender a tocar acordeão. Foram aprender, “eu aprendi muito rapidamente, mas não gostei muito e depois comecei a cantar no grupo folclórico português, e foi assim que comecei a minha carreira de canto na Comunidade portuguesa”, refere Marya.

Começou a cantar Folclore, e quando tinha 15 anos, estreou-se na música mais POP, no tempo da Linda de Sousa. “Foi assim que comecei, tive um pouco de sucesso e o meu pai não me deixou prosseguir nessa vida de artista.” Refere a mesma.

Continuou com os estudos, mas sempre que podia cantar, cantava. Teve aulas de canto com uma professora francesa, que era pianista de uma artista do Quebeque muito conhecida.

Nos anos 90 Marya foi cantar à Televisão a Rádio Canadá, que é como a RTP. Um programa que se chamava “Estrela de uma noite”, um programa muito conhecido no Quebeque.

Mas depois deixou a sua carreira de parte, casou-se e teve os filhos. Agora sente que é o momento de voltar à carreira de artista e recomeçar a cantar. A família dá-lhe muito apoio, apesar de não o fazer a tempo integral porque tem um part-time, como Assessora de uma pessoa que lida com VIP do mundo inteiro.

Não vive da música, gostaria muito. Mas, por enquanto não é fácil, é um mundo de muita competição. “Mas continuo, sou a minha própria produtora. Eu é que faço e trato das minhas coisas.” Explica Marya.

Fez o primeiro CD, com onze temas originais e antes do Natal escreveu: “É tempo de alegria” em português, depois lançou um tema em francês “Te retrouve” que graças a essa música “fui posta na lista dos artistas emergentes no Palmarés l’ADISQ do Quebec.” Revela a artista.

E no fim do ano fazem um serão onde entregam prémios sobre as músicas mais badaladas, “eu estou com essa música.” Diz Marya.

Foi a primeira canção que escreveu quando tinha 20 anos, escreveu-a para a Guarda e para o seu avô. Escreveu em francês, é uma versão francesa que fala de amor, não é a mesma letra que em português, mas é uma canção de amor. Que pode ser visto em http://www.marayasantosofficial.com.pt:

Graças a essa canção, o seu nome, está como artista emergente no Palmarés, e quer continuar a escrever também em francês.

Também tem outra música em português que é: “Vem cantar vem Dançar” que escreveu para a tia, e outra com letra francesa “Aimer”, dedicada à sua mãe “Amar” que é a sua adaptação em português da canção francesa “Aimer” na qual inclui a guitarra portuguesa.

O seu primeiro CD tem letras da outra pessoa, que é uma jornalista e poetisa. “Os meus textos, decido fazer, agora eu canto e já tenho vários temas que lancei, são de minha autoria. São meus. Não vou cantar mais letras de outras pessoa. Porque é melhor do que estar a cantar a emoção de outra pessoa”. Explica a artista.

Ainda quer concretizar o seu sonho de viver da música?

A resposta não foi demorada. “Sim!. O meu sonho era viver da música!” Mas neste momento ainda está a trabalhar a tempo parcial com uma Senhora que também é pianista, e que trabalha em consultoria, é consultora para os VIPs, políticos no mundo inteiro. Mas ela é pianista, e gosta muito de música. Trabalha com ela como Assistente Pessoal e braço direito, mas a tempo parcial. E dessa forma aproveita para fazer a sua música, e trabalhar com ela a partir de qualquer país no mundo, de Portugal do Canadá, do mundo inteiro, porque ela também viaja por todos os lados.

Não está sempre no Canadá. “Ela sabe que eu gosto de fazer, e acompanha-me, porque também adora a música.” Revela Marya.

Ela faz parte de vários conselhos da administração de grandes grupos e, mesmo grupos musicais e conservatórios de música.

Por isso “ela vê com muito bons olhos o meu projeto e encoraja-me a seguir o meu sonho e assim que um dia viver da música, por enquanto é um pouco complicado. Os desafios que há nas comunidades portuguesas, ajudam os artistas lusófonos, mas muitas vezes é difícil para nós os artistas lusófonos, que temos a concorrência dos artistas portugueses que vêm de Portugal cantar por esse mundo fora é complicado para os artistas que vivem no estrangeiro.” Diz a artista.

O emigrante português sente-se mais perto do seu país quando tem um artista que vem de Portugal, do que um artista que está lá a viver. “Por isso é tão complicado, não só para mim, para todos os que estamos lá. Vou continuar em português, mas vou dedicar-me também mais à música em francês.” Acrescenta a artista.

Teve bons comentários com a sua canção em francês, na França, nos países onde se fala francês, muitas rádios tocam a sua música, em muitas rádios no mundo inteiro.

“Mas apesar da boa aceitação da minha música em francês, em alguns países francófonos, não significa que deixe de cantar em português, mas vou dedicar-me mais um pouco em francês, também dar uma chance à minha carreira e evoluir, não só na Comunidade Portuguesa, e no Canadá”, outros voos poderão surgir. Termina a cantora Marya.

Lígia Mourão
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