Em conversa com a Presidente da “Casa dos Açores”, Paula Ferreira, traçou um esboço sobre a “Casa dos Açores” no Quebeque e a comunidade portuguesa que ali vive. É Presidente desde 2023, foi vice-presidente antes de 2019 e em 2022 foi Secretária no Conselho de Administração, conhece a Casa como ninguém. Foi fundada em 1978, sendo a primeira a ser fundada no Canadá, situada na província que fala francês e a quarta Casa Membro do Conselho Mundial das Casas dos Açores, composta por 19 casas Membro, situadas um pouco pelo mundo, nomeadamente no Brasil, Bermudas, Uruguai, Portugal continental, Madeira, Estados Unidos, Canadá e Uruguai. Tem 47 anos e foi fundada a 18 de julho de 1978 e recheada de histórias para nos contar.

É um organismo sem fins lucrativos cujo objetivo na altura, era celebrar, partilhar a cultura do arquipélago dos Açores em Montreal na província de Quebeque. Esse objetivo tem-se cumprido, mas também é uma ponte entre os Açores e Montreal, no sentido que estão disponíveis para responder a qualquer questão e receber entidades dos Açores que vêm promover a Montreal.
Estão sempre abertos para acolher projetos: lançamentos de livros, exposições, tudo que seja cultura portuguesa.
Ao longo dos anos têm-se adaptado à nova realidade, os emigrantes que há 47 anos fundaram a casa, tinham uma visão, mas com a passagem do tempo, os filhos, os netos, não sentem as mesmas necessidades, porque para eles o Canadá é a sua terra. A missão vai mudando pouco a pouco. Mas os mais antigos continuam a celebrar, a divulgar a nossa cultura, mas os Quebequenses, Canadianos não. Por esse fato a missão da Casa, nos últimos 20 anos é a inclusão numa vertente social.
Têm um grupo de pessoas, cerca de 80 que se reúnem na Casa de duas em duas semanas e têm a oportunidade de conviver com outras pessoas, onde partilham os mesmos valores e a oportunidade de aprender coisas novas. Fazem trabalhos manuais e parte de um coral. São apoiados por onze especialista em geriatria e uma senhora que faz exercícios físicos com os mais idosos e não só. O dia é bem preenchido, com música, atividades, jogos e também têm a oportunidade de terem um almoço típico.

A Casa tem mantido a sua gastronomia típica dos Açores e é bem reconhecida na cidade de Montreal. As outras associações vão incluindo um pouco gastronomia de outros países, como a comida italiana e francesa, mas a “Casa dos Açores” mantém a gastronomia típica.
A Casa dos Açores tem sócios e sobrevive com a quotas dos associados. Historicamente estão à volta dos 700 mas a Presidente diz que serão 250, 300 ativos e pagam uma quota anual, baseada na idade, anualmente pagam 60 dólares, abaixo de 65 anos pagam quarenta dólares.
Que tipo de iniciativas fazem na “Casa dos Açores”, considerando a importância de finais de Maio, Junho, Setembro, Outubro, os mais emblemáticos e o que é que faz a diferença dos outros dias do ano?
Os dias mais paradigmáticos, como o Dia dos Açores, a celebrações do Divino Espírito Santo, a História Cultural, a noite da matança de porco, estes eventos típicos dos Açores, as pessoas que têm saudades apreciam muito e fazem parte da nossa cultura.
Segundo a Presidente referiu também que semanalmente há convívio com um jantar. As conversas põem-se em dia e normalmente há um artista para alegrar o momento cultural.
Aceitam lançamentos de livros, “na nossa área. Se um grupo Quebequense deseja usar a nossa casa, nós também somos solidários nesse sentido. E se é cultural, ou comunitário, nós convidamos o grupo a fazer um donativo à sua descrição para as nossas atividades.” Explica a Presidente.
Tendo em conta que a emigração portuguesa tem diminuído um pouco por todos os continentes, quais são as preocupações da comunidade portuguesa que está há mais de 50, 60 anos no Canadá?
Segundo nos revelou a Presidente, a emigração de Portugal para o Canadá, presentemente quase que não existe. “Temos emigrantes portugueses, mas os objetivos são diferentes, vêm estudar temporariamente e as nossas preocupações são as seguintes: os nossos filhos e netos estão bem integrados na sociedade canadiana e estamos muito próximos de tudo. A Internet veio mudar o mundo, há 40, 50 anos os portugueses reuniam-se para celebrar a sua cultura para pôr a conversa em dia, os jovens de hoje nem todos consideram que seja necessário, porque através do Internet pesquisam tudo que querem saber sobre a Terra dos seus pais e dos seus avós.”
Viajam muito mais que os pais e avós. São muito mais independentes e “temos esta preocupação da continuidade da nossa cultura no Canadá. Eu sou otimista e até percebo que os jovens têm as suas prioridades profissionais, familiares, mas acredito que quando chegarem ao devido momento que as raízes vão falar mais alto e encontrar o seu papel na Comunidade no futuro. Mas preocupa-nos, porque os emigrantes de há 50, 60 anos que ajudaram a construir o Quebeque, com o dinamismo do comércio e afins, os seus filhos agora estão integrados noutras áreas, já não vão ao encontro das prioridades dos emigrantes mais antigos. Isto é uma preocupação, mas espero que com o tempo, as prioridades serão diferentes e que sintam aquele apego às suas raízes e cultura.” Finaliza a Presidente, Paula Ferreira.



