Manuela Pardal construiu em Angola, ao longo dos últimos 15 anos, uma carreira marcada por desafios de elevada exigência e responsabilidade, afirmando-se como uma referência nas áreas da logística, transporte e cadeia de abastecimento, com destaque para a sua visão estratégica, capacidade de execução e liderança de projetos complexos em contextos multiculturais e de elevada pressão operacional.
Foi convidada a integrar a Refriango com a missão de estruturar e desenvolver a cadeia logística da empresa, área na qual detém profunda especialização. Após vários anos de contributo para o crescimento e consolidação da organização, regressou a Portugal a convite da OGMA, integrando a Comissão Executiva num momento determinante de transformação estratégica, incluindo o arranque do negócio com a Pratt & Whitney.
Em 2021, regressa a Angola para assumir um novo desafio de elevada relevância: o projeto de route to market da Coca-Cola no país, voltando à Refriango para implementar este modelo estruturante.
Em 2023, é convidada a integrar a Comissão Executiva da TAAG Angola Airlines, assumindo funções como Administradora, com responsabilidades pelas áreas de Infraestruturas, Logística, Compras e Tecnologias de Informação (IT). Este convite surge num momento particularmente estruturante para a companhia, marcado pela transição das operações aeroportuárias para o novo Aeroporto Internacional Dr. António Agostinho Neto (AIAAN), no âmbito de um exigente processo de ORAT (Operational Readiness and Airport Transfer), que envolve a preparação operacional e a transferência integral das atividades entre aeroportos. Do ponto de vista das Infraestruturas, este projeto representa mais um desafio marcante a nível profissional, pela sua dimensão, complexidade e impacto estratégico, constituindo um marco relevante no seu percurso.
A TAAG Angola Airlines é uma empresa de grande dimensão, com mais de 2.500 colaboradores e uma presença internacional relevante, operando em vários mercados, nomeadamente Angola, Portugal, Moçambique, Namíbia, Brasil, África do Sul e Quénia.
O que fazem em concreto os portugueses em Angola para se sentirem mais próximos da terra Natal?
Angola e Portugal partilham uma profunda proximidade cultural. As semelhanças são evidentes e fazem com que raramente nos sintamos verdadeiramente estrangeiros: a língua, os hábitos e até os produtos do dia a dia criam um sentimento natural de familiaridade. Trata-se de povos irmãos, ligados por uma história e por uma matriz cultural comuns. A este contexto junta-se uma comunidade portuguesa numerosa, bem integrada e particularmente coesa, que reforça o sentido de proximidade e pertença.
Em 2025, tive a honra de integrar o Conselho da Diáspora Portuguesa como Conselheira, uma distinção que encaro com particular orgulho por traduzir o reconhecimento de um percurso profissional construído em estreita ligação com a comunidade portuguesa, sempre em profunda articulação e plena integração com Angola. Acredito que o verdadeiro papel da diáspora reside precisamente nessa capacidade de se integrar de forma ativa e responsável no país de acolhimento, contribuindo para o seu desenvolvimento, ao mesmo tempo que se fortalecem as pontes humanas, culturais e profissionais com Portugal.
Tenho 59 anos, resido em Talatona e exerço funções no AIAAN – Aeroporto Internacional Dr. António Agostinho Neto, o novo aeroporto internacional de Angola, localizado nos arredores de Luanda, a cerca de 60 quilómetros da minha residência.
Mais do que uma infraestrutura aeroportuária, o AIAAN é uma obra absolutamente marcante pela sua dimensão, qualidade e ambição estratégica, concebida para se afirmar como o maior e mais relevante hub da costa ocidental de África. Trata-se de um projeto estruturante para Angola e para toda a região, com um papel determinante na aproximação entre continentes, reforçando de forma decisiva as ligações entre África, Europa e as Américas, e posicionando o país como um eixo central da aviação internacional e da mobilidade global.
O que mais sente falta por estar fora?
Apesar de me sentir plenamente integrada e profissionalmente realizada, aquilo de que mais sinto falta é de poder acompanhar de forma próxima e contínua o dia a dia dos meus filhos, estar presente nas pequenas rotinas e nos momentos simples que constroem a vida familiar. Essa distância é, naturalmente, o aspeto mais exigente de viver fora.
Num plano mais simples, mas igualmente significativo, sinto também falta da naturalidade de fazer “a vida a pé” sair para tomar o pequeno-almoço, ir jantar fora ou simplesmente caminhar pela cidade com espontaneidade, algo muito comum em Lisboa e que aqui ainda se vive de forma diferente.
Ao mesmo tempo, Luanda tem qualidades únicas que valorizo profundamente. O clima, a luz, a proximidade do mar e as praias são elementos que fazem parte do quotidiano e que contribuem para uma qualidade de vida muito própria. Essa combinação entre exigência profissional, riqueza cultural e ligação à natureza é também uma das razões pelas quais Angola continua a ser um país onde me sinto bem e completamente integrada.




