Ao Jornal Comunidades Lusófonas, o Presidente Calçada de Sá, traçou uma visão atual sobre a diplomacia cultural e económica, e no que concerne às novas tecnologias, como é o caso da inteligência artificial, o seu impacto no nosso dia-a-dia. Segundo Calçada de Sá, o papel da diáspora, desempenha um papel fundamental na defesa dos interesses de Portugal e como forma de reforçar a nossa imagem e o nosso prestígio no mapa mundo. Temos portugueses e portuguesas um pouco por todos os cantos do planeta. O Conselho da Diáspora Portuguesa, inicialmente com 24 fundadores, hoje “conta com 377 conselheiros e conselheiras presentes em 5 continentes em mais de 40 países,” destaca Calçada de Sá.
O mundo está muito diferente nas últimas décadas. As novas tecnologias estão em força, vieram para ficar e moldam o nosso dia-a-dia. Calçada de Sá, referenciou que nós ajudamos a diplomacia económica no sentido de aproveitar a grande experiência e o talento que temos de portugueses e portuguesas que estão posicionados ao mais alto nível e em muitas instituições que têm o seu ângulo económico.
São empresas, empresários, pessoas vinculadas ao mundo financeiro, fundos de investimento, e também no mundo académico, na inovação, na aceleração das empresas e nas startups. São pessoas que conhecem o grande êxito dos unicórnios portugueses, quando chegaram aos Estados Unidos,” temos essa rede, que pode e vai ajudar certamente tudo o que tem a ver com a diplomacia económica.” Refere o Presidente.
Segundo o mesmo salienta que não é do âmbito do Conselho da Diáspora falar de diplomacia geopolítica, mas sim de diplomacia cultural e aproveitar que o que temos dentro da nossa organização a nível mundial. Já contam com 14 núcleos regionais, treze centros de competência, que estão nas infraestruturas, na área financeira, na energia, etc e há um centro de competências que é da área da cultura.
A diplomacia cultural nesse aspeto poderá ser conduzida através desse centro de competências cultural. Só para exemplificar refere um conselheiro que vive nos Estados Unidos e que desenvolveu, um hub de audiovisual e que neste momento tem vindo a fazer um extraordinário trabalho e que está a ser finalizado em Viana do Castelo. Tem uma proposta, que é um projeto para ajudar Portugal a desenvolver um hub ou vários hubs, para produção audiovisual, traduzindo-se na nossa contribuição em diplomacia cultural.
Em Portugal há investigação na área da inovação, na academia, nas universidades, na indústria, e pegando no que o Embaixador, Vale de Almeida falava, é na convergência de muitas coisas que se consegue projetar essa imagem Internacional, que faz com que aos olhos de determinados países vejam um reconhecimento do país, que tem uma marca, que tem prestígio.
É nesse sentido que se pretende trabalhar. Os núcleos regionais da diáspora, também já tem centros de competência, a diáspora jovem, que conta com 27 jovens conselheiros que estão espalhados pelo mundo em muitas empresas, com posições seniores. Destacando: banca, retalho, telecomunicações, energia.
Estes núcleos regionais mais os centros de competência, e a diáspora jovem, bem como todos os projetos e iniciativas que se estão a lançar, vão ajudar e muito a diplomacia em geral, seja ela económica, cultural ou outra.
António Calçada de Sá partilha a sua experiência de vida para um entendimento mais aprofundado sobre a emigração e o que ela pode representar para o país. Terminou o seu curso de Engenharia em Portugal, trabalhou pouco tempo no país e depois desenvolveu a sua carreira profissional em vários países: Espanha, Itália, Brasil, na Argentina e no México. A sua visão de emigração é positiva, Portugal tem talento, mas as pessoas podem e devem realizar-se, se assim o entenderem, noutros países, dotarem-se de outras capacidades profissionais e pessoais. Para o Presidente, refere que o talento está onde estão as oportunidades e não podemos tentar retê-lo no país, precisamos é de criar condições para que produzam oportunidades. O que nós temos que conseguir como país é termos políticas que sejam políticas de Estado, que geram essa confiança para que se possa investir na inovação, no desenvolvimento das nossas empresas, que as nossas empresas não tenham medo de crescer, aqui e lá fora, por que isto não é um sprint de 100 metros, “é uma corrida de fundo.”
“Temos que criar condições e dar confiança àqueles que vão investir. Dar condições que gerem confiança para aqueles que querem desenvolver as suas empresas, as suas startups, etc.
As empresas portuguesas em geral, precisam de escala. É muito importante e muitas vezes nós temos que olhar o nosso mercado, que tem uma “limitação geográfica”. O mercado não deixa de ser um mercado mais limitado, talvez mais pequeno, mas é importante o clima de confiança, tem que haver um quadro jurídico, societário, fiscal, etc, que anime as pessoas, que tenham confiança no sistema “e essa confiança está a ser criada”. Afirma Calçada de Sá.
Portugal está no forefront em muitas áreas: é um país estável, em crescimento, seguro, e que nos deixemos de autoflagelação!
Hoje em dia Portugal é uma grande marca de muito prestígio e reconhecimento a nível Internacional. E podemos constatar pelo número de estrangeiros que estão a pedir residência no país. E não é só por questões fiscais, é porque é um país seguro, muito estável, onde as pessoas sabem receber, e este conjunto de fatores alavanca e permite o investimento no país.
“Temos que ir para a frente”
Um dos assuntos mais em debate em todos os setores é a inteligência artificial, foi questionado ao Presidente Calçada de Sá, o que tem a dizer a este respeito e prontamente respondeu que a inteligência artificial, é um grande acelerador e que vai permitir com que processos que hoje são mais lentos, ineficientes, sejam muito mais rápidos, eficazes e mais eficientes no futuro.
Tivemos várias revoluções ao longo da história, do carvão ao vapor, da energia elétrica, à Internet, tudo isso são grandes avanços. A inteligência artificial, “é o grande acelerador que temos, diria mesmo que a inteligência artificial tem de ser aproveitada,” afirma.
A parte boa desta história é o facto de termos muito boas universidades em Portugal, termos muito talento nas áreas tecnológicas, que vai criar, por um lado, mais oportunidades nas áreas mais tecnológicas.
Eu vejo a inteligência artificial como um grande acelerador. Acho que não vai ser opcional, as empresas que não queiram entender e aplicar os grandes benefícios da inteligência artificial, ficarão para trás, porque vão acabar com processos mais lentos, consequentemente mais caros, e ineficientes.
Na área da medicina, a inteligência artificial cria um novo mundo. Até ao momento as operações eram feitas à distância, pela robótica, agora vai ser a robótica e a inteligência artificial integradas. Vamos ter a computação quântica, que praticamente multiplica por 100 por 500 ou por um milhão a velocidade a que trabalhavam e funcionavam os computadores e os sistemas de informação. O que eu penso é que nós temos que ter uma mente muito aberta, flexibilidade e não ter medo. O estranho provoca medo, é normal, mas o que é que vem a seguir, a história da humanidade não é, portanto, vamos ter que passar por ela.” Termina desta forma António Calçada de Sá, Presidente do Conselho da Diáspora Portuguesa.




