Tivemos a oportunidade de falar com Gilda Pereira, por duas vezes e contou-nos o seu percurso académico e de vida até aos dias de hoje. Nasceu em Angola, os seus pais viviam lá. Depois veio para Portugal estudar. Esteve sempre entre dois países: Portugal e Angola, e mais tarde em Inglaterra, porque era onde passava férias. Foi um mês para um colégio em Inglaterra para ter outro tipo de educação e cultura e para aprender melhor o inglês. E nesse colégio começou a ter contacto com nacionalidades do mundo inteiro.
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Esse foi o primeiro impacto positivo que teve e lhe despertou muita vontade de um dia ter um emprego onde pudesse lidar com várias nacionalidades. Licenciou-se em Direito na Universidade Católica, em Lisboa e de seguida foi para Angola trabalhar.
Foi na altura da Troika, no país ajudou muitas empresas e pessoas. Trabalhava como consultora empresarial para se fixarem em Angola e começou a tratar dos vistos da parte da realocação das famílias de Portugal para Angola.
Entretanto, teve dois filhos e começou a pensar em regressar para Portugal, pois pretendia ter o seu próprio negócio. Foi quando lhe surgiu a ideia de criar a assessoria migratória. E porquê? Interroga Gilda: podia ajudar as pessoas que estavam nos dois ciclos migratórios: imigração e emigração.
Naquela altura, ajudava mais os portugueses que iam para fora ou que estavam fora a tratar das burocracias em Portugal ou a tratar dos vistos para emigrarem.
A determinada altura começou a ajudar mais estrangeiros a virem para Portugal, na altura franceses e brasileiros e também alguns portugueses que pretendiam regressar à terra natal.
Entretanto, o fluxo tornou-se 95% de imigrantes. Tendo sido a área em que mais cresceu. Depois começou a trabalhar com o Brexit, muitos britânicos em 2020. Em 2021, no pós-pandemia, com americanos e agora, mais recentemente, devido às relações entre Estados Unidos e Canadá. Também tem feito muito Canadá.
“Sou muito apaixonada pela diáspora e pelas comunidades portuguesas e daí também ter fundado uma revista, baseada na nossa Diáspora. A revista já tem cinco anos, vai fazer seis e tem sido incrível. Tem agregado pessoas. Sou Vice-Presidente e também fundadora da Associação Internacional dos Lusodescendentes. Ou seja, muitos lusodescendentes pelo mundo inteiro procuram e trocam informações.
Há uma parte cultural de escrita, artística, onde artistas plásticos se juntam, fazem exposições e também a parte empresarial. Onde existe o networking entre os vários empresários lusodescendentes.
Existe um estudo que indica que o português é aquela nacionalidade que por mais anos que esteja emigrado, quer sempre voltar às origens. E “temos sentido muito isso no Programa Regressar o ano em 2023, que foi um recorde. O ano passado, foi outra vez recorde de auxílio a familiares que estão a tentar regressar e temos assistido também a um fenómeno interessante, em que os pais que emigraram e tiveram algum sucesso lá fora, os filhos conseguiram tirar cursos superiores, hoje em dia são eles que querem vir para Portugal.
Também há o contrário, há recém licenciados que estão a emigrar. Mas segundo Gilda, pensa que este fenómeno não tem a ver pelo salário, mas sim por quererem ter uma experiência fora de Portugal, porque isso é bom para o currículo.
E então aquilo que se tem passado nos últimos três, quatro anos, é que querem regressar a Portugal, para por em prática o que aprenderam lá fora e muitas vezes empreender.
Os jovens normalmente ou regressam ao fim de 34 anos ou quando têm filhos. Experiência que tem acumulado ao longo dos últimos onze anos.
As profissões que emigram mais e depois regressam são: engenharia, também ligada à saúde e áreas financeiras, economia…
Os países que têm emigrado mais em primeiro lugar, talvez seja o Reino Unido, depois, Estados Unidos, Holanda, Suiça e se for na área financeira, Estados Unidos e Canadá.
Mensagem aos nossos emigrantes
“Aquilo que eu acredito, se não for esta geração que vai entrar agora no mercado de trabalho, também de políticos, que são mais mais novos e que pretendem também uma mudança e atenção, estou a falar de todos os partidos políticos. Se nós virmos hoje em dia, temos muito sangue novo na política e a minha Mensagem é: se emigrantes não regressarem a Portugal, as coisas não vão mudar tão depressa, se regressarem com a mente aberta e os ensinamentos e aprendizagem que tiveram lá fora, será muito melhor para o nosso país.
Irão dar um contributo a Portugal, para poder estar ao nível desses países para onde eles emigraram, porque os portugueses são trabalhadores. Em Portugal há muita facilidade em aprender línguas e dominá-las, porque o nosso sistema de ensino felizmente é muito rico e exigente. Eu acredito que se nós podemos ser muito bons lá fora, também podemos ser muito bons cá dentro.” Finaliza Gilda Pereira.




