Anabela Chastre é uma mulher, mãe e profissional que nos deixa que pensar. Estivemos em entrevista e revelou uma série de caraterísticas em que podemos ser melhores no mercado laboral. Desde sempre teve uma paixão pelas pessoas e o seu percurso académico passou pela Comunicação, Recursos Humanos, fez voluntariado na AMI, Pós-Graduação dentro da área da Gestão Estratégica de Recursos Humanos e Mestrado em Políticas de Desenvolvimento de Recursos Humanos. É também uma mulher do saber acumulado ao longo dos anos de trabalho, criou a sua própria empresa dentro da área da formação e da Consultoria. Sempre foi uma mulher, mãe e amiga dedicada. A sua filha sente um enorme orgulho nela e considera-a a sua referência. É com estas palavras que prossegue o seu trabalho com o coração cheio.
A paixão pelas pessoas vem desde muito cedo, e que a motivou tirar o curso de Comunicação, gosta de falar e de ouvir falar. Iniciou o seu trabalho na área da comunicação e fez umas umas pequenas incursões, na área das telecomunicações, ligada ao departamento de pessoas. Trabalhou na TMN, que é agora a MEO. Esteve sete, oito anos na Optimus, atual NOS. E foi aí que começou a dar formação, recrutamento e seleção.
Finalmente tinha descoberto uma área que gostava, porque tinha muita probabilidade de falar com pessoas, de as ouvir, de auscultar as suas histórias, e esse foi sempre o seu fascínio. Depois de se licenciar e perceber que aquela área de Recursos Humanos era a área que mais gostava, sentiu-se enquadrada e com vontade de conhecer mais, e fez uma Pós-Graduação dentro da Gestão Estratégica de Recursos Humanos, continuando a desenvolver trabalho, na Optimus, ligada às pessoas e ao departamento de Desenvolvimento Humano.
Saíu da Optimus por uma decisão pessoal, a filha era muito pequena e sentia que deveria ter uma maior proximidade com ela. Desde o momento em que nasceu sentiu que deveria estar mais presente como mãe, e como tinha muito que viajar, estava no momento de assentar um pouco e centrar-se mais à maternidade e acompanhar mais de perto o seu crescimento.
Também se dedicou ao voluntariado na AMI, Assistência Médica Internacional, que a dotou de novas ferramentas. Como por exemplo de perceber algumas coisas, e um momento muito importante de auto conhecimento e de autoconsciência.
A partir daí, decidiu frequentar ao mesmo tempo o Mestrado, em Políticas de Desenvolvimento de Recursos Humanos. E quando terminou, resolveu criar a sua própria empresa dentro da área da Formação e da Consultoria. A área que já trabalhava há cerca de 10 anos.
Começou a fazer projetos não só em Portugal: formação ligada ao desenvolvimento humano, comportamental na área da liderança, na área da comunicação, e a fazer esse trabalho não só em Portugal como em Angola, Moçambique, Cabo Verde, Brasil, trabalhos e projetos de consultoria, focada na formação às empresas, e aos seus líderes até à data de hoje. A empresa chama-se Chastre Consulting. Paralelamente, também dá aulas, que é outra paixão que nutre, há cerca de 11 anos que leciona em Lisboa, e Coimbra, sempre ligada a Pós-Graduações e MBA dentro da área da Liderança e da Gestão de Pessoas.
Está ligada há onze anos no Grupo Lusófona e também tem uma participação em projetos na Nova Business School, em Carcavelos e em Coimbra, na Business School.
Mulher que gosta de comunicar, e liderar, como se vê nesse papel?
“Sinto que serei ou será uma coisa muito centrada em mim”, salienta Anabela Chastre. Faz sempre tudo isto muito centrada nos outros. “Para mim é muito importante não só ajudar as pessoas que estão nas organizações a serem mais produtivas, como também a falarem sobre os seus seus problemas e eu poder eventualmente ajudá-las.”
Sempre teve uma vontade muito grande de ajudar e há uns anos para cá vê as novas gerações muito perdidas. Alunos muito perdidos, também vê jovens que integram nas empresas e se sentem desorientados, em termos geracionais, e estes últimos anos têm trabalhado e desenvolvido mais à volta de jovens líderes, por acreditar que pode deixar um legado dentro desta geração.
“É isto que eu que eu quero fazer” salienta. Pretende ajudá-los, também tem uma jovem de 20 anos em casa, a ingressar no mercado de trabalho, o que lhe permite que haja uma maior empatia pelos demais em início de carreira profissional, e ajudá-los é quase como se fosse uma “obrigação”.
Como tem sido o seu papel de mãe?
“O papel de mãe é um papel mais importante da minha vida desde sempre, e fui passando isso à minha filha. No contexto atual da nossa sociedade, a mulher tem de desempenhar um papel difícil, porque temos que ser boas profissionais, boas esposas, boas mães, e na verdade, muitas vezes em ter estes papéis todos é uma tarefa muito difícil, contudo eu acho que nunca devemos deixar de seguir aquilo que é o nosso trabalho e aquilo que nós realmente gostamos de fazer” argumenta Anabela.
A sua filha sempre viu que tem uma mãe que é uma pessoa lutadora, trabalhadora e esses valores são muito importantes e às vezes não estando presente porque fazia muitos projetos fora, era ainda muito jovem, e sentia muito a sua ausência. Por vezes estava 15 dias ou um mês fora e ela sentia a sua falta, mas sempre soube, e até hoje “me agradece e diz que sente muito orgulho em mim, e por tudo aquilo que consegui fazer e são esses valores que ficam, para mim é a melhor recompensa de ser mãe” diz com orgulho Anabela Chastre.
Mudando um pouco a agulha do discurso, Anabela Chastre, recentemente lançou um livro, em Agosto que se chama; “A Liderança falada em português”, foi um trabalho que desenvolveu durante algum tempo, teve de falar com muitos líderes dos vários países com quem trabalha, e perceber se existe realmente um estilo de liderança português.
“Esse estudo, de falar com várias pessoas, acredito que existe mesmo um estilo de liderança português. Esse estilo está muito baseado naquilo que é a identidade, e nós valorizamos pouco a nossa identidade. Importamos modelos de liderança, não significa que seja errado, mas temos que compreender, que somos mais do que duzentos e trinta milhões de pessoas a falar este idioma.
Temos uma tendência sempre menos positiva, mas somos muito mais adaptáveis, resistentes, resilientes, próximos, curiosos. Sempre fomos um povo curioso, sempre quisemos ir mais além, perceber como é, o que é que há para lá do sítio onde estamos, e tudo isso foi o que me fez escrever o livro que saiu este ano.” Na qual pode desenvolver claramente, mais uma vez a luso liderança e aplicá-la nas empresas e nas equipas de jovens líderes, e fazê-lo de formas diferentes, porque agora os jovens são muito mais criativos e querem essa forma de aprender, e que eles valorizam.
“Também faço Mentoria de liderança, a CEO’s, executivos e também aos líderes da gestão intermédia, para os ajudar no desenvolvimento das competências de liderança, desde a comunicação às apresentações em público e até mesmo à produtividade e à gestão do seu tempo e à organização. Estas vão ser as linhas com que espero continuar a trabalhar dentro daquilo que gosto de fazer.” Refere.
Uma Mensagem que pretenda deixar aos nossos emigrantes e eu ou àqueles que pretendem imigrar proximamente?
A mensagem que pretende deixar é que, há muita coisa por fazer. “E aquilo que mais me preocupa é nós, olharmos para o lado, quando vemos que há muita coisa para fazer e ainda podemos fazer, e não somos suficientes. Há muita gente que faz, o vosso jornal, por exemplo, é um exemplo disso, e tenta capitalizar naquilo que é o nosso povo que está espalhado pelos vários países.
Mas ainda não olhamos com a devida atenção com que devíamos olhar, há muito ainda para fazer. É claro que estamos a sensibilizar, mas não chega de sensibilizar. Nós somos um povo que falamos muito, mas temos que agir, de passar das palavras à ação, de criar formas de nos unirmos.
Que atividades podemos fazer, mas de uma forma exequível e não tanto ao nível do pensamento, porque eu continuo a achar que nós ainda pensamos muito, debatemos muito, falamos muito, o que é positivo, sem dúvida, não questiono isso, mas podemos fazer mais.
Acredito que sim, que podemos fazer mais projetos juntos, colocar as mãos na massa e começarmos a fazer e isso pode começar, por exemplo, na formação das pessoas dentro das organizações e garantir que as novas gerações também têm apoio.
Eu acho que não estou a ver esse olhar crítico porque a próxima geração já está nas empresas e não tem as ferramentas todas que deveria ter, porque nós temos alguma resistência na passagem, ao conhecimento, algum receio de que nos roubem o nosso lugar. Falo de uma forma muito geral. Não são só valores positivos, aqueles que coloquei no meu livro, há muitas outras coisas, por exemplo, dois grandes inimigos silenciosos que lá constam, que é a resistência à mudança. E a nossa falta de compromisso e são duas coisas que eu acredito que nós podemos fazer mais e melhor, olhando para isso, para ver o que é que podemos fazer para o futuro e não estar a pensar só no presente. Temos que olhar um bocadinho mais para a frente.” Termina Anabela Chastre.




