Natural da Madeira foi estudar Serviço Social no Continente, Sara Fernandes encontra-se há13 anos a trabalhar na Austrália e fê-lo por razões pessoais. Não foi em busca de nenhuma carreira específica. Foi por circunstâncias pessoais, houve uma oportunidade e deixou o conforto e estabilidade de uma carreira na Indústria Farmacêutica em Portugal e rumou à Austrália, “mas quando se é imigrante num país de língua estrangeira exige-se muito mais para que possamos ser reconhecidos no ambiente de trabalho. Temos de empenhar-nos muito mais para conseguir-mos esse respeito e credibilidade”, afirma Sara Fernandes.

Também investiu na vida académica, para progredir na carreira, fez uma pós-graduação em Health Services Management e está presentemente inscrita numa pós-graduação em Gerontologia, de terceira idade.
Dedicou estes últimos anos mais na parte da terceira idade. Quando chegou à Austrália, teve que começar do zero. “E tive a sorte de conhecer uma Senhora que acreditou em mim, sem me conhecer, confiou em mim, e arranjou-me emprego na empresa onde estava a trabalhar, sou-lhe muito grata por esse motivo.” Revela Sara.
Começou do zero, iniciou a carreira como cuidadora de idosos. O inglês era um pouco limitado quando chegou àquele país do outro lado do planeta. Iniciou em cuidados primários, apoio direto ao idoso em casa. Depois começou a progredir na carreira, a estudar e empenhar-se, e dedicar muitas horas a estudar e aperfeiçoar a língua de Shakespeare.
Hoje em dia é Home Care Manager. “Giro um programa financiado pelo Governo da Austrália, há várias empresas acreditadas, que têm essa valência e recebem fundos do Governo australiano, gerimos os subsídios do Governo, que são alocados a idosos que estejam elegíveis a esses fundos de apoio domiciliário.” Exemplifica.
A empresa é sua ou trabalha para terceiros?
Trabalha para terceiros, o Age Care, é um mercado muito competitivo, onde existe, pelo menos em Western Australia, mais de 50 a 60 empresas com este conceito de apoio domiciliário, subsidiado pelo Governo australiano, com fundos específicos do Health Care.
Está nesta área há 12 anos e começou do zero. De Portugal trazia uma experiência completamente diferente, um pouco mais um mais “sofisticado”, a Indústria Farmacêutica, onde trabalhou 11 anos.
Também é conselheira das comunidades portuguesas, foi eleita há um ano e meio, tomou posse em Janeiro do ano passado, em 2024. As eleições foram em 2023, mas tomou posse em Janeiro 2024. Tem à sua responsabilidade o círculo de toda a Austrália.
Quantos portugueses vivem na Austrália?
Existe um grande hiato entre as pessoas registadas, Luso-Australianos e os portugueses. No ano passado apesar de não possuir dados atualizados, estavam registados perto de 45 mil, mas sabe-se que ronda à volta dos 90 mil portugueses e Luso-Australianos.
O que faz concretamente nos Conselho das Comunidades Portuguesas na Austrália?
“Faço de tudo um pouco, estou na comissão temática, onde represento a Austrália, a Comissão Temática dos Assuntos Consulares de Participação Política e Cívica, onde todos os assuntos de ordem comunitária, política, cívica, e consular, sejam direcionados junto da comunidade.” Refere.
Tenta resolver problemas de vária ordem, como por exemplo o voto eletrónico, que é uma “das nossas bandeiras, de há 8 anos para cá.” Explica Sara.
Como Conselheira, tenta estar o mais próximo possível das Associações e Comunidades in loco, perceber as suas necessidades, manter a Comunidade atualizada, utiliza muito as redes sociais de forma a que consiga esclarecer as pessoas sobre assuntos relevantes à Comunidade.
Tenta dar apoio individualmente, mas não é tarefa fácil, e resolver assuntos logísticos e sobre leis. Em Março, quando começou o processo de eleições, as legislativas, esteve muito ativa e acompanhou o processo, apoiando a Comunidade, dando informação sobre o processo eleitoral.
“Foram seis semanas sem parar.” Revela. A participação de voto na Austrália aumentou muito. Agradece também ao Consulado-Geral de Sidney e à Embaixada portuguesa de Camberra, que deu um apoio junto das Comunidades, exemplar, foi um trabalho em equipa.
Sentem-se protegidos pelos Consulados e da Embaixada?
“Não diria protegidos, porque vivemos num país seguro. Obviamente, temos as vicissitudes de qualquer país desenvolvido, as metrópoles por vezes são desafiantes. Mas temos um apoio muito importante do Consulado de Sidney. Há uma vontade para que as pessoas se sintam apoiadas, nomeadamente com apoio consular.” Termina a Conselheira Sara Fernandes.




